
PADRE LUIZ KIRSCHNER CSsR
Um redentorista norte-americano publicou alguns dados e fatos sobre a situação religiosa nos Estados Unidos, especialmente com a juventude. Creio que o mesmo fenômeno está começando no Brasil. Segundo certas pesquisas, 28% de todos os norte-americanos deixaram de praticar a religião na qual foram criados. Muitos deste número têm entrado na Igreja Católica.
10% de todos os Católicos têm abandonados a fé católica, ou se tornando crente ou não praticando nenhuma religião. Em números reais, são 35 milhões de pessoas. Depois de Vaticano II, pregações sobre Inferno, Pecado Mortal, Confissão e Medo de Deus têm desaparecido dos assuntos pregados do púlpito.
Muitos jovens entendem que ser um agente de pastoral ou exercer uma outra função no serviço da Igreja é um chamado de Deus. Os Pentecostais, de todos os tipos, chegaram até um bilhão de membros até 2050. A razão principal dada é a sua experiência subjetiva e pessoal de Deus.
Comunidades cristas menores estão vivendo uma participação e atividade maior em termos de frequência na Missa e vida paroquial. Jovens católicos estão procurando uma religião que desafia as suas capacidades de agir, não apenas sentir bem e ser tratado com bondade. Como, no Brasil, o aprofundamento catequético de sua fé é pobre e frágil, com pouco conhecimento da doutrina e ensinamento da Igreja, especialmente da Doutrina Social e questões sobre Justiça.
A experiência e renovação de Vaticano II, tão vivida por muitos com mais de 50 anos, não é mais um impacto nas suas vidas, não é visto como algo radical. Eles dizem que não conhecem outra Igreja e pratica de Catolicismo que não seja deste tipo. Não é mais nenhuma novidade para eles. Eles não querem apenas assistir uma Missa, e não ter nenhuma responsabilidade ou tarefa. Querem ser engajados. 12% dos jovens católicos frequentam faculdades e universidades católicas, mas os outros 88% não recebem nenhuma formação continuada na fé depois de fazer sua crisma, a não ser na hora de casar e fazer um curso de noivos, ou como pais para batizar um filho. Um número muito insignificante está participando em programas paroquiais que oferecem reciclagem na fé ou cursos de renovação
Em geral, jovens adultos sentem-se mais à vontade frequentando um shopping do que indo à Igreja. O comentário frequente deles é: “Quem está nos escutando?” Há a sensação que católicos mais idosos não sentam a urgência da juventude, não veem os jovens como “os excluídos” ou os mais abandoados. Outros adultos têm medo das exigências dos jovens e preferem deixar que outras pessoas cuidem de suas necessidades religiosas.
Será que não há algo paralelo acontecendo no Brasil? A ida de muitos jovens depois de crismados para as Igrejas de crentes não diz que lá eles encontram um espaço e ambiente mais adaptado para sua cultura? Quantas paróquias e comunidades têm grupos e pastorais para a juventude? Quantas pessoas participam e são ativas? Os jovens encontram lugar e acolhida amiga quando se aproximam?
Quando eu era jovem, havia a mentalidade que a gente espera a sua vez, que eu era imaturo e precisava esperar para o meu tempo chegar. Mas o jovem de hoje não está acostumado a esperar. Quer tudo logo, imediatamente, agora. Se quisermos membros da Igreja amanhã, há a necessidade de cuidar destes membros jovens atuais, dando espaço e oportunidade hoje, a fim de garantir a presença deles amanhã.
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