
PADRE LUÍS KIRSCHNER CSsR
Cardeal Mahony de Los Angeles tem fama de prelado que já ponderou e escreveu sobre o futuro de novos ministérios e maneiras de praticar a pastoral num mundo em transição. Com seminaristas diferentes, uma cultura cada vez mais multicultural, maneiras tradicionais nem sempre estão sendo transformadas em algo melhor.
Numa palestra para padres num congresso nacional do clero, Mahony citou os seguintes itens como prioridades nas paróquias sem pároco, com administradores leigos e novas formas de evangelização. Os desafios incluem:
1- Há divisões abertas e claras entre o clero, com padres mais novos desafiando a ortodoxia dos padres mais idosos. Como criar união numa paróquia se os lideres estão brigando?
2- A necessidade de mais “acolhimento” e recepção, na paróquia. Muitas pessoas estão chateadas com o sistema telefônico da casa paroquial. Há tantas opções, que no final, nem se fala com uma pessoa viva. Tudo é gravação. Toque no.1 para falar com a secretaria, toque numero 7, para falar com o diretor da liturgia, etc. Eu pessoalmente já passei mais de um minuto escutando todas as opções, antes de localizar a pessoa com quem eu desejo falar.
3- Pela falta de padres suficientes, o numero de novos diáconos que administra uma paróquia está modificando a identidade do ministério dos diáconos. Está clericalizando-os, assim perdendo o que é original no ministério diaconal.
4- Há uma necessidade de oferecer melhor formação teológica e pastoral para os ministros leigos, especialmente na economia atual que pede um numero maior de voluntários. Poucos cursos são oferecidos, e nem sempre bem aproveitados quando disponíveis.
5- Como criar uma identidade sacerdotal forte com os novos padres, sem formar pessoas menos colaborativas, menos flexíveis. O Cardeal citou o exemplo de um seminarista no primeiro ano da teologia, que pediu uma transferência para outra diocese. Quando alguém perguntou, Por quê? Ele respondeu que achou que os bispos, padres e freiras eram liberais demais, querendo entregar a Igreja aos leigos.
6- É necessário olhar para o perfil diferente dos seminaristas hoje em dia, diferentes em idade (i.e. frequentemente mais idosos), cultura e linguagem. Vêm de ambientes e profissões diversas. Não há o mesmo interesse em certos assuntos que dominam o clero atual.
7- Muitas liturgias e homilias não atingem o ideal, porque há falta de conhecimento da Bíblia como a base para uma homilia e um bom planejamento da liturgia.
8- O movimento ecumênico, uma vez promissor nos Estados Unidos, está andando em marcha lenta, não somente no nível local, mas em todos os níveis. É conversando que se entende melhor, aliás, o que não está acontecendo na mesma maneira.
9- As preocupações sociais dos paroquianos estão se tornando fracas, por causa dos desentendimentos e desacordos morais e políticos. Um exemplo inclui o fato que, enquanto a Hierarquia e o clero buscam encontrar uma reforma das Imigrações ilegais, muitos leigos denunciam a posição dos bispos. Há pouco dialogo sobre o assunto, mas muita gritaria.
10- A reintrodução da Missa em latim, mais o desejo de liturgias mais “sagradas” tem criado duas comunidades paralelas, sem comunicação e interação.
11- Há necessidade de uma nova articulação da posição da Igreja a respeito da sexualidade, de maneira convincente.
12- Tem de realizar mais retiros paroquiais, a fim de fornecer ao Povo de Deus um tempo de silencio e reflexão, sem grandes despesas. Um povo que reza faz grande apostolado, e encontra felicidade.
13- Revitalizar o Sacramento da Reconciliação, com oportunidades para confissão individual e momentos de Ritos Penitenciais comunitários. Na maioria das paróquias, só há uma oportunidade lá pela 3:30 h da tarde, no sábado, antes da primeira missa dominical.
14 Deve-se treinar mais leigos para serem Diretores Espirituais, uma forma de renovação espiritual da paróquia. Não basta uma boa homilia. Cada pessoa sincera precisa de tempo particular para avançar na vida espiritual e pastoral.
15- Orientar os “católicos” que não devem levar seus filhos a casar fora de sua paróquia e comunidade de fé. Cristianismo não pode ser uma experiência apenas pessoal, divorciada do ser membro de um grupo de irmãos em Cristo.
16- Dê-se mais ênfase à Unção dos Doentes, numa maneira mais comunitária, como parte integral das preocupações de uma comunidade com os seus membros enfermos.
17- Criar mecanismos de mais interação entre as diversas paróquias de uma diocese, principalmente quando há diferenças entre classes sociais e grupos de raças e culturas diferentes.
Creio que os problemas da Igreja norte americana hoje serão os mesmos problemas que a Igreja no Brasil enfrentará num futuro bem próximo.
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