PADRE WALMIR GARCIA DOS SANTOS CSsR
Maria: Como preparar para confessar? Estive numa igreja e quando comecei a confessar o padre disse que não queria desabafo, que eu podia ir embora, ele ia orar por mim e que era para eu me preparar para confessar.
Não concordo com a atitude do padre, se assim aconteceu como você disse, acho uma falta de acolhimento, mas é bom saber que a confissão não é um simples desabafo. O sacramento da confissão deve ser preparado com um bom exame de consciência, fazer uma séria revisão de sua vida. Ver o que tem feito ou deixado de fazer que expressa desamor, ou seja, que é pecado em sua vida. Depois disso vá ao sacerdote e apresente aquilo que você considera pecado em sua vida e que está arrependida de ter feito, pedindo perdão a Deus pelos erros cometidos. Se precisar de um desabafo, fale antes ao padre que é apenas um desabafo e que não é uma confissão, pois muitas pessoas Joe em dia querem que alguém escute, e isto não é mal. É bom ter alguém com quem podemos desabafar nossas angústias.
Reginamar: Minha filha e meu esposo vão passar por uma cirurgia. Minha filha no desespero disse que se Deus tiver que levar alguém que levasse ela e não o pai. Só que ela se arrependeu de falar isso. Padre Deus ouviu essas palavras na hora do desespero? Ela vai passar por uma cirurgia hoje e está com medo.
Diga a ela que não precisa ter medo, aliás, pelo contrário a nossa fé deve nos dar confiança na assistência de Deus em nossa vida. Sabemos que Deus não escuta certas besteiras que falamos em hora de desespero, pois não temos uma consciência serena para expressar o que realmente sentimos. Sejam confiantes.
Lazara: Qual a diferença de Nossa Senhora das Graças e Nossa Senhora da Medalha milagrosa?
Diz Roberto Carlos: “Todas as Nossas Senhoras, são a mesma mãe de Deus”. Todos os títulos atribuídos à Nossa Senhora são da mesma Maria, a escolhida para ser a Mãe de Jesus, o nosso Deus Salvador. Portanto não tem diferença nenhuma entre os diversos títulos, que são apenas títulos. Mas quanto à imagem que está na Medalha Milagrosa, é realmente a imagem de Nossa Senhora das Graças.
Dorací: Explique, por favor, Apocalipse 13, 17-18. Onde fala sobre o número da besta.
Os números na Bíblia, além de seu valor aritmético exato, têm valor simbólico. Também os números em algarismo romano são representados por letras, por isso que dava para calcular o número de um nome. O significado do número 666 é incerto, provavelmente é o valor numérico do nome de Nero César, imperador que perseguiu cruelmente os cristãos.
Elizangela: Meu setor tem um ano e quatro meses. O que temos que fazer para colocar uma paróquia aqui?
Não se trata de colocar uma Paróquia em seu setor, mas de construir uma Igreja. Em primeiro lugar vocês devem constituir a comunidade, com reuniões, rezas nas casas dos moradores. Depois de constituída a comunidade, vocês devem procurar a Paróquia mais próxima de seu setor para conversar com o padre responsável por esta área e, junto com a comunidade trabalharem para este fim, construir uma Igreja, ou capela.
Silvana Santos: A bíblia fala para não idolatrar imagem, mas na nossa igreja tem imagem. É certo?
Apresento aqui um texto para explicar melhor sobre essa questão de imagens e ídolos, leia com atenção:
Diferença entre Imagem e Ídolo: Imagem não é o mesmo que ídolo. Chama-se ídolo: uma imagem falsa, um simulacro a que se atribui vida própria, conforme explica o profeta Habacuc (2, 18). Eis o que claramente indica Habacuc, dizendo: "Ai daquele que diz ao pau: Acorda, e a pedra muda: Desperta" (Hc 2, 19). A Bíblia reza no livro de Josué: "Josué prostrou-se com o rosto em terra diante da arca do Senhor, e assim permaneceu até à tarde, imitando-o todos anciãos de Israel" (Js 7, 6). Deus ainda que ordenou a Moisés levantar uma "serpente" de metal (Nm 21, 8) e todos os que olhassem para ela seriam curados. Ora, que "olhar" é esse que confere uma cura milagrosa diante de uma estátua de metal? Temos as provas de como esse culto era já uma pré-figura do culto à Deus nas palavras de S. João, que diz que tal "serpente" era o símbolo do Cristo crucificado: "Bem como ergueu Moisés a serpente no deserto, assim cumpre que seja levantado o Filho do Homem" (Jo 3, 14). Por acaso caíram também Moisés e S. João, e até o Espírito Santo (autor da Sagrada Escritura) em crime de idolatria? É claro que não. A idolatria consistiria em achar que a divindade está em uma estátua, por exemplo. Ou seja, teríamos que colocar alimentos para as imagens, como faziam os romanos, os egípcios e os demais povos idólatras. Teríamos que achar que Deus e o santo são a mesma pessoa. No fundo, seria dizer que S. Benedito não é e nem foi S. Benedito, mas foi Deus, etc. Nunca se ouviu algum católico defendendo que o Santo era Deus! Mesmo porque isso seria cair em um panteísmo (defendido por Calvino e Lutero em algumas de suas obras). Para se dizer que os católicos adoram os santos, eles teriam que dizer que S. Benedito, por exemplo, não é S. Benedito, mas Deus. E, ainda mais difícil, os católicos teriam que afirmar que S. Benedito é a estátua, uma espécie de amuleto mágico. Nenhum católico acredita que o santo seja Deus ou que ele seja a madeira da estátua (como uma divindade). Logo, não há idolatria possível, visto que esta consiste em adorar um falso deus. Alguns protestantes argumentam que só é possível fazer imagens quando Deus expressamente permite. Pergunta-se: onde está essa norma na Bíblia? É uma contradição dos protestantes, pois tudo para eles está na Bíblia, todavia, para condenar os católicos, não é necessária a Bíblia.Deus proíbe a idolatria e não o uso de imagens. O mesmo Deus, no mesmo livro do Êxodo em que proíbe que sejam feitas imagens, manda Moisés fazer dois querubins de ouro e colocá-los por cima da Arca da Aliança (Ex 25, 18-20). Manda-lhe, também, fazer uma serpente de bronze e colocá-la por cima duma haste, para curar os mordidos pelas serpentes venenosas (Num 21, 8-9). Manda, ainda, a Salomão enfeitar o templo de Jerusalém com imagens de querubins, palmas, flores, bois e leões (I Reis 6, 23-35 e 7, 29). Ora, se Deus manda fazer imagens em várias passagens das Sagradas Escrituras (Ex 25, 17-22; 1Rs 6, 23-28; 1 Rs 6, 29s; Nm 21, 4-9; 1Rs 7, 23-26; 1 Rs 7, 28s; etc) e proíbe que se façam imagens em outra, de duas uma, ou Deus é contraditório ou fazer imagens não é idolatria! Portanto, fica claro que o erro não está nas imagens, mas no tipo de culto que se presta à elas. Os Judeus, saindo da dominação egípcia, um povo idólatra, tinham muita tendência à idolatria. Basta ver o que aconteceu quando Moisés desceu do Monte Sinai com as Tábuas da Lei e encontrou o povo adorando o "Bezerro de Ouro" como se ele fosse uma divindade, um amuleto. É claro, como permitir que um povo tendente à idolatria fosse fazer imagens. Nas imagens católicas se representam os santos, que são pessoas que possuem virtudes que os tornam "semelhantes" a Deus, como afirmou S. Paulo: "já não sou eu quem vivo, mas é Cristo que vive em mim". Nas catacumbas encontram-se, em toda parte, imagens e estátuas da Virgem Maria; prova de que tal culto existia no tempo dos apóstolos e foi por eles praticado, ensinado e transmitido à posteridade. Uma das imagens de Nossa Senhora, segundo a tradição, foi pintada pelo próprio S. Lucas e está na catedral de Loreto, exposto à veneração dos fiéis. As imagens católicas representam pessoas virtuosas. Virtude essa que provém da graça de Deus. O mesmo não se dava na idolatria, pois os povos idólatras representavam as virtudes e os vícios em seus ídolos. O Concílio de Trento formalmente legitimou o uso das imagens: As imagens de Jesus Cristo, da Mãe de Deus, e dos outros santos, podem ser adquiridas e conservadas, sobretudo nas Igrejas, e se lhes pode prestar honra e veneração; não porque há nelas qualquer virtude ou qualquer coisa de divino, ou para delas alcançar qualquer auxílio, ou porque se tenha nelas confiança, como os pagãos de outrora, que colocavam a sua esperança nos ídolos, mas, sim, porque o culto que lhes é prestado dirige-se ao original que representam, de modo que nas imagens que possuímos, diante das quais nos descobrimos ou inclinamos a cabeça, nós adoramos Cristo, e veneramos os santos que elas representam..O Concílio de Nicéia, o primeiro celebrado na Igreja, no ano de 325, sob o Papa S. Silvestre I e o imperador Constantino, defende o culto das imagens contra os iconoclastas, com um vigor admirável. Lê-se nos atos deste concílio: Nós recebemos o culto das imagens, e ferimos de anátema os que procedem de modo contrário. Anátema a todo aquele que aplica às santas imagens os textos da escritura contra os ídolos. Anátema a todo aquele que as chama ídolos. Anátema àqueles que ousam dizer que a Igreja presta culto a ídolos.
Silvana: Na bíblia fala que “dizei uma só palavra e serei salvo”. Padre que palavra é essa?
É a Palavra de Cristo, que é palavra de Salvação. É a palavra de acolhimento e de perdão de Cristo para todo aquele que busca com coração sincero viver os seus ensinamentos.
Madalena: Onde nasceu a Igreja a Igreja católica? Em Roma ou em Jerusalém?
A Igreja nasceu em Jerusalém, no dia de Pentecostes. Isto está registrado no livro dos Atos dos Apóstolos capítulo segundo.
Daniela: Qual a origem do nome Quaresma? É um nome muito feio! Sei que fala de um tempo triste que antecede a morte de Jesus, mas não poderia ser outro nome?
Quaresma, palavra que vem do latim quadragésima, é o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no Domingo de Páscoa. Para os praticantes da fé católica, é o período de reflexão interior compreendido de 40 dias entre a quarta-feira de cinzas ao domingo da Páscoa; período de privações onde o homem livre dos prazeres materiais tem tempo pra refletir sobre a vida e existência. Não sei porque você diz que é um nome feio, é um nome qualquer, que tem um significado, claro que poderia ter outro nome, mas não tem!
Amauri: Na época de Jesus, os samaritanos não eram bem vistos pelos judeus. No entanto, na parábola em que somente o samaritano parou para ajudar um ferido na estrada. Este ensinamento nos mostra o que?
Mostra que não basta pertencer ao povo eleito para ser salvo. O povo judeu era preconceituoso e achava que só ele seria salvo, excluindo todos os outros povos. Os Samaritanos eram considerados um povo impuro. A parábola do Bom Samaritano nos ensina que mesmo sendo impuro o homem pode ser salvo, se fizer caridade, se tiver solidariedade para com os sofredores.
Cleusa Maria: Ouvi dizer que o Papa Bento XVI está estudando a aceitação de anticoncepcionais. Seria por que a Igreja está perdendo adeptos?
Eu não ouvi nada sobre isso, mas se for verdade, não será pelo motivo que você apresenta, pois a Igreja não está perdendo adeptos, pelo contrário, na última estimativa as pesquisas apontam que a Igreja Católica está crescendo. A Igreja tem muita prudência em aceitar métodos anticonceptivos, pois a maioria deles é abortivo e não anticonceptivo, isso a Igreja jamais aceitará.
Elenice: Em um de seus comentários, e todo católico sabe, que existem padres exorcistas. Se eles existem é para expulsar os demônios. O demônio não é mais do que espírito mau? Então são almas penadas!
Os demônios são também chamados de espíritos maus, não tem nada a ver com “alma penada”, este termo é usado pela crendice popular para designar as pessoas que morreram e não foram ainda salvas, ou seja, que estão aguardando no purgatório, passando por “penas” para a purificação.
Maria Tereza: Gostaria que me explicasse a “Parábola do Semeador”. Está em Mt 13, 1-23.
Jesus mostra nesta Parábola que o Evangelho deve ser apresentado a todos, os que acolherem a Palavra irão produzir frutos de salvação (terreno fértil), os que não acolherem (terrenos ruins), não terá a graça da salvação, pois deixaram o Reino por suas preocupações e outros motivos. Mas a própria Parábola dá a explicação. Leia com muita atenção.
Marina: A Santíssima Trindade é uma devoção apenas aqui no Brasil?
Santíssima Trindade não é uma devoção, mas um fundamento da fé cristã. Só podemos dizer que somos cristãos de verdade se acreditarmos nesta verdade inquestionável. O nosso Deus é um só, em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.
Noêmia: O que são Padres Conciliares?
Padres conciliares são os Bispos e Cardeais membros do Concílio que o Papa convoca para tomar decisões mais sérias sobre a atuação da Igreja no mundo. O último Concílio foi o Vaticano II, no início da década de 60.

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