PADRE WALMIR GARCIA DOS SANTOS CSsR
Amélia: Qual a origem do Ofício de Nossa Senhora? Por que rezá-lo?
O Pequeno Ofício de Nossa Senhora, também conhecido por Horas Marianas, é uma forma abreviada do Ofício Comum de Nossa Senhora na Liturgia das Horas. Teriam sido preceituadas pelo Papa São Zacarias ao mosteiro beneditino de Monte Casino, em 752. É provável que o Pequeno Ofício tenha sido composto para ser rezado em conexão com as Missas votivas de Nossa Senhora no sábado. O Pequeno Ofício apresentou versões diversas em diferentes comunidades e regiões, mas foi unificado e padronizado pelo Papa São Pio V. Nesta forma, foi muito popular entre os leigos. Os elementos do Pequeno Ofício de Nossa Senhora são também os mesmos que os da Liturgia das Horas: textos bíblicos com maior ou menor referência ao mistério de Maria, com salmos e antífonas apropriadas, reponsórios, intercessões e oração, toda de um caráter mariano. A originalidade do Pequeno Ofício está precisamente na ênfase dada à pessoa de Maria que, não obstante, nunca é apresentada isolada do mistério de Cristo e do plano de Deus para a salvação e santificação da humanidade. Ela é sempre retratada com parte da História da Salvação, como o fruto admirável do Poder Divino, como a Mãe do Redentor, ou como a Imagem da Igreja. Você pergunta também porque rezá-lo, e eu digo que oração é sempre uma forma de diálogo com Deus, você pode rezar esta forma de oração ou outra que achar mais conveniente. Rezar faz sempre bem.
Maria Aparecida: Padre, o senhor disse que não devemos rezar pelas almas, mas no momento mariano ouço as pessoas pedindo pela alma de parentes que faleceram. Não estou entendendo. As almas penadas não são almas que vão para o purgatório?
Sobre isso, fique tranqüila, o nosso português é cheio de falhas e associamos as palavras e as confundimos muitas vezes. Pode continuar rezando do jeito que tem costume, não tem problema algum.
Vanilda: Como deve ser feito o jejum?
Jejum é a abstinência parcial ou total de comida e bebida, e às vezes de relações sexuais. Tinha o caráter de auto-humilhação e acompanhava a oração. Os profetas mostraram a inutilidade do jejum quando não acompanhada da conversão (Is 58, 1-5; Jr 14, 12). Por isso os fariseus que jejuavam duas vezes por semana foram criticados por Jesus (MT 16, 18). Mas Jesus jejuou quarenta dias (Mt 4, 2) e incluiu a prática do jejum na vida normal da Igreja ( Mc 2, 18-20).
Seni: Meu neto é batizado na Igreja Ortodoxa. Esse batismo é válido?
Sim o batizado na Igreja Ortodoxa é válido na Igreja Católica. Eu só faço uma consideração: o batismo é a “porta de entrada” da Igreja. Se um ortodoxo se converte ao catolicismo romano ele não precisa batizar novamente, pois o batismo é válido, mas tem muitas pessoas que batizam na Igreja Ortodoxa sendo católico romano, isso é errado, mas não invalida o batismo.
Liliane França: Dias atrás saiu no jornal uma notícia sobre confissão pela internet. Qual a sua opinião sobre isso?
Acho simplesmente ridículo isso. Não é possível chegarmos a esse ponto, pois a confissão é um sacramento que exige a presença física do penitente e não pode ser concedido o perdão sacramental por presença virtual. Pode-se dar aconselhamento via internet, isso não tem problema.
Zélia: A travessia do mar Vermelho ocorreu de verdade ou é uma alegoria?
Na época da travessia o Mar Vermelho não tinha ligação com o Mar Mediterrâneo , isso aconteceu com a abertura do Canal de Suez, nos tempos mais modernos. Na época era uma região pantanosa e a travessia era possível, mas difícil. A descrição da passagem pelo mar corresponde a um fenômeno de ordem natural, como sugere a menção ao “vento forte” (Gn 14, 21) que põe o mar, isto é, a região pantanosa, em seco. Tal fenômeno foi providencial para salvar os israelitas e fazer perecer os egípcios: de madrugada as condições climáticas foram favoráveis à passagem segura dos israelitas; de manhã mudaram bruscamente e os egípcios pereceram. Portanto não é uma alegoria, mas o modo como é descrito é um exagero do escritor, que “enfeitou” o fato.
Elizabeth: Muitas pessoas dizem que devemos temer a Deus. Dias atrás o senhor disse que temos que temer a nós mesmos, por que Deus não pune ninguém. Então a expressão “temente a Deus” está errada?
Essa expressão “Temor de Deus” não deve ser traduzida como ter medo de Deus, mas sim como respeito a Deus. Nós devemos ter um respeito enorme por Deus, pois Ele é infinitamente maior do que nós.
Lêda: Por favor, explique esta passagem em Mateus 11, 25 quando Jesus diz: “Eu vos rendo glória, meu Pai, Senhor do céu e da terra, por haverdes ocultado essas coisas aos sábios e aos prudentes e por haver revelado aos simples e aos pequeninos”.
A sabedoria de Deus não é aprendida em escolas e livros, mas sim na simplicidade do coração. Jesus louva o Pai por revelar a sua grandeza naqueles que confiam na sua Sabedoria. A acolhida do evangelho se deu mais por pessoas simples do que pelos “sábios” deste mundo, que colocam sua esperança em si mesmos, na sua auto-suficiência.
Vilma Helena: Todos os dias somos tentados de alguma forma. Mesmo sabendo que cada pecado tem seu preço. Por que é tão difícil aceitar isso?
Somos tentados, porém não vencidos. Não podemos nos deixar cair em tentação, para isso é preciso confiança em Deus e muita oração. A dificuldade em aceitar a proposta de Deus é que nos faz fracos.
Mônica: Na primeira carta de S. Paulo aos Coríntios, cap. 11, vers. 27 diz: “Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor”. Explique esta passagem, por favor.
Quem comunga o Corpo do Senhor em pecado, ou seja, com o coração cheio de mágoa, de ódio, de injustiças está comungando de modo errado, aliás, quem vive na injustiça, no pecado não tem como entrar em comunhão com o Senhor na Eucaristia.
Não identificada: Casei com um rapaz bem moreno. Eu sou branca. Algumas pessoas da minha família têm preconceito contra ele, que é uma pessoa honesta, trabalhadora e me ama como ninguém. Eu acho que quem tem preconceito contra pessoas de outra cor não pode ser considerado filho de Deus, já que Ele criou a tudo e a todos. No caso de Jesus que também disse que nenhum,a ovelha de seu rebanho se perderia, significa que Ele também não fazia e não faz distinção entre as pessoas. O que pensa sobre discriminação racial e o que a Bíblia diz a respeito?
A Palavra de Deus nos ensina que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, isso já no primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, daí podemos concluir que todos fomos criados à imagem de Deus, portanto, somos iguais perante Ele. No Novo Testamento nós vemos Jesus nos ensinando a amar a todos sem distinção e a proposta de Salvação é para todos e não somente para alguns escolhidos: “Ide ao mundo inteiro, fazei discípulos meus todos os povos, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Pedro na casa de Cornélio, um pagão, diz que “Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro” e diante da manifestação de fé daquele pagão, conclui: “Estou compreendendo que Deus não faz acepção de pessoas. Ele aceita quem teme e pratica a justiça, independente da nação a que pertença” (At 10,34-35). O ensinamento de Jesus sobre o amor também nos coloca nesta dimensão do respeito às diferenças “Quem não ama não chegou a conhecer Deus porque Deus é amor” (1Jo 4,8). E o Evangelho arremata dizendo: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando... e o que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros” (Jo 15,14).
Adenildes: Qual a diferença entre filho e criatura de Deus?
Filho é aquele que foi criado à imagem e semelhança de Deus (as pessoas humanas) e criaturas são todas as obras que Deus realizou (animais, plantas, minerais, água, etc).

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