Pe. Pedro (Adriano) Krúter, CSsR
Falecido em Campina Grande -PB - 13-01-1977
(90 anos)
Este grande missionário chegou ao Brasil em 1911. Naqueles tempos tão remotos, isto significava um sacrifício tremendo e uma decisão definitiva para a vida toda, pois não se permitia um eventual retorno para visitar e rever a família. Paulatinamente, porém, foi-se assumindo uma atitude mais humana de tal modo que, em 1929 o Pe. Pedro, pela primeira vez, foi passar férias na Holanda. Os pais dele já tinham falecido.
A vida do Pe. Pedro foi uma vida riquíssima de experiências missionárias. De 1911 a 1949, na então Vice-Província do Rio de Janeiro e na Vice-Província do Recife-PE de 1949 a 1977.
1911 a 1949: Durante muitos anos, pregou Santas Missões em Minas Gerais. Naquele tempo “do arco da velha”, grande parte das viagens se fazia a cavalo. Assim, este missionário andou léguas e léguas, sempre animado e bem humorado, como era o estilo dele. Principalmente, a lindíssima natureza do Brasil era para ele um encanto delicioso. Felizmente, era um ótimo cavaleiro e muito elegante, que dava inveja aos companheiros gorduchos e desajeitados.
As próprias Missões, no entanto, eram pesadíssimas, em parte por causa das hospedagens às vezes bastante fracas e, em parte, por causa da influência das multidões de penitentes aos confessionários. Na opinião dos Santos Missionários, o povo era muito ignorante, pois não sabia formular as verdades principais da nossa fé cristã. Por isso, cansavam-se em martelar no conhecimento dos célebres “quatro pontos”. Que aquele povo “ignorante” possuísse uma profunda vivência da confiança do nosso Pai Eterno, não considerando suficiente. Também as confissões de pessoas completamente desabituadas a essa prática, constituíam um verdadeiro martírio. Portanto, deve ter sido um trabalho exaustivo! E este serviço continuava meses e meses sem o mínimo conforto. O grande escritor mineiro, João Guimarães Rosa, no seu magistral livro “Grande Sertão, Veredas”, na sua maneira um tanto irônica, nos dá uma idéia das Missões Redentoristas no sertão de Curvelo-MG.
Ele escreve: “Finalmente, apareceram dois missionários estrangeiros, homens robustos, rostos avermelhados, que berravam uns sermões ásperos com uma voz firme e sonora e uma fé inabalável. Desde de manhã até a noite, estavam na igreja pregando, confessando, orando e aconselhando, apresentando exemplos que deviam conduzir o povo “linea recta” na direção mais certa. A fé deles era simples e enérgica e não toleravam qualquer zombaria pois derivavam o seu poder de Deus”.
Acompanhado dos Padres Emanuel Hemers e Cornélio Jacob, o missionário Pedro chegou ao Nordeste Brasileiro.
Isto foi na década de trinta. Pregaram Missões em Juazeiro da Bahia, Arcoverde-PE, Belo Jardim-PE, Recife, etc...Mas, houve também, uma época em que Pe. Pedro pregava Missões no Estado do Rio de Janeiro. Aí encontrava um povo muito diferente daquela gente religiosa de Minas Gerais. Já naqueles anos grassavam as seitas e o espiritismo, mas também a indiferença e uma poderosa maçonaria.
O Pe. Pedro, sendo realista, percebeu logo que a Missão numa tal região deveria ser abordada de uma maneira muito diferente; e enfrentou esse desafio, tomando as medidas necessárias para tornar a missão mais atraente para o povo, organizando procissões festivas, funcionando como chamada para o povo procurando também a cooperação dos leigos. Logo surgiram umas críticas por parte dos missionários de Minas Gerais, pois, na opinião deles, o Superior das Missões no Rio de Janeiro, Pe. Pedro, não estava seguindo o sistema de Santo Afonso, descuidando-se das mais sagradas normas da tradição redentorista...
Em 1949 (mês de maio): quando eu tinha ficado sozinho no Nordeste, morando no Seminário Diocesano, em construção, tive a grande honra de poder receber o meu novo Superior, Pe. Pedro, em Garanhuns. Ele me abraçou cordialmente, dizendo: “Adriano, somos irmãos e companheiros”.
No mesmo ano (1949), foi erguida a nossa paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Arraial. O Pe. Pedro foi o primeiro Vigário. Com o seu zelo missionário, colocou a base para a criação de uma comunidade viva e ativa. A catequese era sua prioridade. Mas, além dos trabalhos pastorais, tinha que providenciar a compra dos terrenos para o nosso Convento e depois iniciar a construção do mesmo.
Em 1953, o vigário Pe. Pedro entregou a paróquia a mim e até o ano 1956 teve a sua residência na nova fundação de Campina Grande-PB. Já com a idade de 67 anos, ele fez ali o que podia para ajudar na Paróquia de Bodocongó e também em Fagundes e Galante, viajando para estes lugares em qualquer transporte.
Em 1956, foi transferido para o Recife. Tinha então 70 anos. No Recife, na igreja da Madalena, esforçava-se em pregar aos domingos e aconselhar muita gente. Todo mundo queria bem ao velho Pe. Pedro. Foi também conselheiro do Vice-Provincial, Pe. João Batista van Gassel. A sua maneira de receber os hóspedes na casa da Madalena, fazia bem a todos os confrades.
Em 1961 foi transferido para Campina Grande-PB aos 75 anos de idade. Continuou a sua disponibilidade extraordinária.
Naquela época das transformações e mudanças na Igreja e no mundo, o Pe. Pedro soube assimilar, com toda naturalidade, muitas coisas novas. Isto, indubitavelmente, foi devido ao seu realismo e à riqueza do seu bom senso.
Entre nós, ele era muito querido e jamais perdeu contato intenso com os confrades mais jovens, sendo o conselheiro mais procurado pelos jovens.
De muitas maneiras, o Pe. Pedro demonstrava o seu grande amor pela natureza. O seu conhecimento da “flora e fauna” do Brasil era fora do comum.
Deste confrade podemos afirmar que era um homem integérrimo, religioso esclarecido, muito indulgente e de grande compreensão. A sua morte em Campina Grande foi suave e edificante. Através das suas últimas palavras, ele pediu muita oração e cordiais lembranças para os familiares dele.
No seu nonagésimo aniversário natalício, pediu a Deus um presente para o povo dos sítios, região seca do Nordeste, a saber: muita chuva. No momento, do seu enterro choveu torrencialmente...
“Observem como os lírios crescem: eles não fiam , nem tecem.
Porém, eu digo a vocês que nem mesmo o Rei Salomão, em toda a sua glória, Jamais se vestiu como um deles”. Lc 12, 27

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