PADRE LUÍS KIRCHNER CSsR
O pecado de avareza consiste numa perversão do direito divino do ser humano de possuir bens materiais. Sto. Tomás de Aquino fala que o desejo de ser rico pode ser nobre, quando uma pessoa adquire bens a fim de ajudar os outros: construir um hospital, creches, alimentar os pobres, socorrer os doentes, etc. A avareza acontece quando a pessoa deseja riquezas como uma finalidade em si, em vez de ser um meio como para, por exemplo, cuidar da alma e do corpo com as suas necessidades, pois “o avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus”. É idolatria. É pecado contra o Décimo Mandamento (CIC 2552). Famosos são os exemplos de pessoas que adquirem dinheiro e riquezas, violando os direitos de outros. Como alguém já disse, o avaro é cego; vê o ouro e não vê a riqueza. Torna-se desonesto, às vezes trabalhando menos que o seu salário pede. Usa o dinheiro que tem só para si, negligenciando as necessidades de seus familiares ou de pessoas que dependem dele para seu sustento. Ama o dinheiro ou a sua posse em si, praticando um amor excessivo de coisas supérfluas. “O avarento nada tem, os seus bens é que o possuem”. Gera o pecado da ganância, uma vontade exagerada, desejo descontrolado, de possuir qualquer coisa.
Há a tendência de preservar e aumentar as riquezas de qualquer jeito, como se fosse essa a razão de ser de sua vida. Vale tudo em termos de furtos, atos desonestos ou práticas duvidosas e questionáveis no mundo dos negócios. Parece que este tipo de pessoa existe somente para ganhar mais e mais. E nunca usa sua fortuna para beneficiar os outros, pois a essência da avareza é o oposto da virtude da generosidade. Veja o exemplo da pobre viúva elogiada por Jesus, quando deu tudo que possui para os cofres do Templo (Lc 21,4).
Não é por nada que Jesus avisou, “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza, porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui”. (Lc 12/15).
Há uma possibilidade de grupos e nações cometer o pecado de avareza, acumulando bens materiais, dizendo que é para a Segurança Nacional, enquanto outras pessoas ou paises passam por necessidade. Imagine se José do Egito não tivesse aberto os armazéns para alimentar os famintos durante a grande fome. Somente a graça de Deus, cheia do Espírito Santo, tira do coração humano os desejos da avareza, fazendo-o desejar as riquezas de Deus e do Reino. Nada pode satisfazer totalmente o coração humano, a não ser a presença divina (cf. CIC 2541).
Em sua vida pessoal, onde e quando é que você peca contra a generosidade, negando o que pode a alguém que está precisando de uma mão estendida? Sua profissão ou o uso de seu tempo mostram deficiências no serviço dos mais pobres? Quando foi a ultima vez que você foi voluntário, sem remuneração, na ajuda a alguém? Negou a Deus o dizimo, ou guardou para si bens quando outros passavam por necessidade?

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