PADRE LUÍS KIRCHNER CSsR
A gula é pecado porque transforma a necessidade física de comer e beber na finalidade principal de nossa vida. Como alguém já disse, muitos comem para viver. Alguns vivem para comer! Não a alimentação, mas o prazer é o ponto central. Deus colocou o gosto dentro na comida e bebida para nos atrair, para nosso benefício, a fim de garantir que não negligenciemos essa função. Mas gula é uma voracidade que devora e destrói o funcionamento sadio da pessoa. É um abuso dos prazeres legítimos que Deus nos deu. Enfraquece nossa mente e vontade (tente rezar ou ler um artigo sério depois de um banquete). O livro de Sirach, ou Eclesiástico, diz que a gula é má (31,13). Vejamos no seguinte artigo que a gula tem muitos filhotes que nos prejudicam de várias maneiras.
Muitas pesquisas e observações médicas mostram que o excesso de peso faz mal para a saúde, pode provocar pressão alta, diabete, enfartes e muitas outras doenças como bulimia, encurtando a duração da vida, sem necessidade. Uma pessoa gulosa torna-se um tipo de “porco físico” e enfraquece a vida moral, a resistência necessária diante de outras tentações. Rosmeire Zago fala da pessoa gulosa que engole e não digere a comida. E o mal que o excesso do álcool produz numa pessoa? Perde controle de si, de seu emprego, da sua família. Torna-se egocêntrica, voltada pra dentro de si. Corta as relações com outras pessoas, começando com os seus familiares. Sua memória e capacidade intelectual é afetada. Não consegue lembrar seus compromissos nem cumprir seus deveres (Cf. Lc 12,45). No fundo, cada excesso de álcool produz uma pessoa egoísta que coloca suas próprias necessidades e desejos acima das pessoas que vivem ao seu redor. Seus julgamentos sofrem porque vive numa nuvem, sem perceber sua condição. Deus protege a pessoa que diz ao guloso que ele tem um problema, e precisa rever seus atos e sua conduta.
Um clima de desespero entra na vida da pessoa gulosa. A matéria toma conta da sua visão, e o espiritual desaparece, pois a gula faz do estômago um templo sagrado. Em fim, podemos dizer que a gula faz uma pessoa agir e atuar muito abaixo de seu potencial. A compensação, a gratificação imediata predomina. Não quer esperar para mais tarde. Tem de ser agora. Já. Imediatamente.
É notável como certas pessoas usam a gula como uma forma de fuga das obrigações e deveres que não querem enfrentar. Outros psicólogos têm observado que a ansiedade leva uma pessoa a comer ou beber excessivamente. Cria uma compulsão. Esse tipo de pessoa é inquieto, irritável, apreensivo, os músculos são tensos e os problemas de concentração começam. É o peso do pecado que danifica o corpo! Santo Tomás observou que os pecados carnais são mais vergonhosos que os espirituais porque nos rebaixam ao nível do animal. O medo é que “a gula ligada com a sensualidade gerem outros vícios, e possam conduzir à cegueira espiritual, ao endurecimento do coração, ao apego à vida presente até a perda da esperança da vida eterna, ao amor de si mesmo até ao ódio de Deus e à impenitência final (Garrigou-Lagrange). São João da Cruz falou da gula espiritual, que pode fazer-nos desejar consolos sensíveis na piedade, até o ponto de buscarmos neles mais a nós mesmos que a Deus. Tenhamos fome e sede de Justiça, sim. São Paulo, na sua carta a Timóteo, diz que quem aspira a ser um dos lideres da Igreja (i.e. bispo) não pode ser uma pessoa que bebe muito (1Tm 3,3). Com a diversificação dos ministérios, tão espalhada entre os leigos hoje em dia, essa orientação é muito importante para todos os membros da Igreja. Nem todo o mundo que é considerado gordo é necessariamente guloso, mas toda pessoa gulosa é gorda. Beber é uma arte. Mas quantas obras primas da criação tem sido destruídas por causa do excesso do álcool. Use, mas não abuse as coisas boas que Deus nos tem proporcionado.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por comentar. Sua participação é muito importante para nós. Deixe seu e-mail para podermos lhe contatar.