PADRE LUÍS KICHNER CSsR
O pesadelo de qualquer criança é ser chamada de preguiçosa. Isso tem uma conotação imoral, significando que ela não está produzindo ou rendendo o que deve. Soa mal nos ouvidos.
Um dicionário define preguica como: “indolência, falta de inclinação ao exercício, inatividade, vadiagem, ociosidade; e os termos conexos: vagabundo, lento, vagaroso, viver a custa dos outros, relaxado, molenga, passar o tempo, dorminhoco, inútil, comportamento vegetativo, imobilidade, inércia, folgado, negligente, etc. Planejar e organizar a vida são tarefas esquecidas. Parece que o que nos interesse é este ultimo item: negligente.
A pessoa preguiçosa não cumpre o que é considerado o normal, sua “performance” está abaixo. Deixa tudo para a ultima hora. Desanimada, não motivada, só tem vontade de relaxar e nada fazer. Falta-lhe a disposição, ou tem aversão ao trabalho, demora demais para realizar qualquer coisa. Compromissos, projetos, ou até os atos mais rotineiros são deixados de lado. Arregaçar as mangas, de jeito nenhum. O Catecismo Católico diz que esse pecado é de quem, por opção, não quer fazer nada nem se preocupar com nada, e quando faz algo, é de má vontade e de forma vagarosa (ou rápida demais) e imperfeita. Qualquer família ou comunidade religiosa que tem este tipo de pessoa sabe quanto sofre em suas mãos. E, que tal o ditado budista que diz que o homem preguiçoso acha que ficar em pé é melhor do que andar; sentar, melhor do que ficar em pé; deitar, melhor do que sentar, e dormir é ainda melhor do que ficar deitado.
Relaxar, descansar, tirar um tempo para divertir são coisas necessárias para uma vida equilibrada. Uma máquina que não pára queima se. Mas andar só em “marcha-lenta”? Alguém já disse que a preguiça é uma doença da vontade, que negligencia o dever e as obrigações habituais de qualquer ser humano. Vemos exemplos disso nas pessoas que rezam pouco, fugindo da vida espiritual para achar algo mais divertido. Faz amanhã o que deve ser feito agora. É indiferente nos cuidados de coisas materiais. Não praticam nenhuma forma de auto-disciplina. Quem sempre assiste um programa de televisão (novela ou jogo), em vez de estudar ou ler um bom livro com conteúdo, pode ser considerado preguiçoso, pois pratica a preguiça de pensar, refletir, aprender mais. Ou só faz suas obrigações mínimas, nunca indo além quando nota uma lacuna.
Na Bíblia encontram-se textos que censuram o preguiçoso. Ele até se desculpa: “um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas” (Pr. 22/13). A vida dele fica cheia de problemas, atraso, medo, desapontamentos, sofrimentos. É visto como apático e indiferente às circunstancias, aos conflitos e às necessidades da vida (veja Pr 24,30-32 ou Eclesiastes 10,18).
As resistências da preguiça não deixam o bem acontecer. Creio que todos concordamos que devemos evoluir, desenvolver os talentos e habilidades que recebemos, amar, servir, contribuir para formar um mundo melhor, participar com outros, deixar uma marca da nossa passagem pela vida. Pois bem, a preguiça trabalha contra essa visão. Não permite nosso crescimento na vida social, e menos ainda na vida espiritual. Temos de nos perguntar sempre: Que fiz hoje para ajudar alguém? Realizei alguma boa obra? Reze? Tentei usar os dons que recebi? Se não, está na hora de mudar.

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