PADRE LUÍS KICHNER CSsR
A idéia de ficar em silêncio apavora muitas pessoas. Silêncio simboliza ficar sozinho, na solidão, com tristeza, longe da alegria da convivência humana. O silêncio é algo a ser evitado, fugido a qualquer custo.
Mas o barulho e confusão, a nossa vida moderna tão rápida não deixam muito espaço para reflexão e paz interior. Está provocando a redescoberta que a nossa sanidade mental e emocional pede momentos de recolhimento. O yoga tem muitos adeptos. Fazer um retiro durante o carnaval é algo procurado. O homem instável anda pelo mundo buscando a si mesmo. Ele não sabe quem ele é, nem onde ele deve estar. Ele sobrevive de uma duvida a outra. Seu maior desejo é fugir.
Uma vez que a benção do silêncio é entendida no seu sentido mais profundo, vemos como ele pode tornar-se, como as Sagradas Escrituras, ao mesmo tempo uma terapia e uma revelação. Na sua quietude, ecoa a palavra curadora de Deus.
O monge mais famoso do século vinte, Thomas Merton, tendo passado anos sozinho e no silêncio como contemplativo, tornou-se um dos maiores críticos sociais de sua era, um dos primeiros a denunciar o mal da guerra, da violência, da busca irresponsável do sexo que só leva a ficar na podridão. No silêncio ele aprofundou os mistérios mais complexos.
Como é, então, esse silêncio não temido, mas procurado pelos mais sábios? A chave e fonte da felicidade verdadeira, e não apenas do gozar alguns momentos de prazer? Talvez a doutrina básica da vida seja que não nascemos nem vivemos para ser o centro do universo. O sentido da vida consiste em servir a Deus e ao próximo. E Deus não se encontra no barulho da festa ou da bebedeira. É irônico que, para entender o mundo e a sua natureza, é necessário que entremos no silêncio divino, que vem de Deus, para penetrar os mistérios mais profundos de nossa existência humana. Cristo não nasceu no silêncio de uma noite rural? São João da Cruz não reformou seus confrades através das horas em meditação, pelas quais chegou até um tesouro espiritual ? Maria de Nazaré não meditava e refletia a Palavra de Deus? O charme da solidão e do silêncio, escreve Andrey Sinyavsky, é que você pode ouvir sua alma falar. Seu grande valor vem quando você pode ouvir Deus falando! Ao criar um espaço, um nicho de silêncio dentro de sua alma, você já não precisa preocupar-se com o como falar e dizer as coisas a Deus. Ele fará surgir a resposta que quer.
Não é fácil rezar quando o ambiente vibra com tensão, ansiedade, barulho e agitação. Para rezar bem, é preciso esperar até que as circunstâncias externas se acalmem, e o interior fique quieto o suficiente para pensar. A contemplação não acontece facilmente num aeroporto! Sem descobrir momentos e espaços de silêncio, é difícil encontrar e sentir a presença divina. Ele disse que não o localizamos no terremoto. Pessoas pagam fabulas de dinheiro para um psicólogo escutar seus barulhos interiores, que destroem sua paz ou sossego. Tornam-se neuróticas e desequilibradas. Silêncio é fundamental para o equilíbrio mental e emocional. Também é necessário para sentir Deus em nossa vida, ouvir seus apelos de amor e experimentar sua presença amiga.
É uma boa idéia reservar algum tempo por dia para poder encontrar-se dentro de si. É um investimento que garante seu próprio bem-estar e o poder ter acesso a Deus. Não negue esse favor a si mesmo. Existe um tipo de silêncio que não produz muito fruto, que mata o espírito. Mas há também um silêncio que frutifica em grandes benefícios. Experimente. Não tenha medo. Entre na sua cela interior e sinta a força do Deus todo poderoso.

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