PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsRQue sabemos sobre a história de Jesus?
Estamos habituados a uma fé que não exige esclarecimentos, por isso qualquer coisa que alguém nos fale e que não bate com o que sabemos, já nos assusta e nos desvia da fé.
Durante a vida de Jesus, ninguém se preocupou em anotar as palavras, os acontecimentos em torno dele. Com todos os anúncios proféticos que haviam e falavam do Messias, mesmo assim não era tão fácil do povo reconhecer, naquele homem vindo de Nazaré, o Messias prometido que libertaria o povo.
Por isso mesmo é que não conhecemos Jesus diretamente, através de seus escritos, mas através do movimento que Ele suscitou. O que temos em mãos hoje é a reflexão, a lembrança, a leitura que a primeira comunidade fez de Jesus. Ela é a testemunha do que Jesus disse e fez.
O trabalho da comunidade não foi o de narrar a história de Jesus, mas simplesmente atestar que aquele Jesus de Nazaré é o Messias, Filho de Deus. Os evangelhos não são crônicas, mas documentos de fé. Às vezes a figura de Jesus fica até esquecida pelo acento que se dá pela luz do divino expresso na Páscoa.
Nessas alturas, os evangelhos são produtos de uma longa experiência de Jesus ressuscitado, já iniciado pela comunidade. Eles têm finalidade religiosa, são experiências escritas e direcionadas para ajudar as comunidades na fé e na resolução de seus problemas.
Os evangelhos foram instrumentos de catequese, do culto, e vinham atualizados pela comunidade primitiva. De modo que o que temos é um testemunho despertado pela figura do Senhor Ressuscitado. Os evangelistas recolheram os relatos de seu tempo, repensaram e escreveram segundo suas perspectivas teológicas.
Depois da interpretação da comunidade primitiva, da leitura que os evangelistas e mesmo a Igreja fizeram, percebemos que estamos longe de chegar a visualizar a figura de Jesus, como ele viveu, e de termos, no original, suas próprias palavras.
Isso não interfere em nossa fé, porque ela se baseia no Cristo Ressuscitado, como a consagração de Deus. Para nós o importante é o querigma, o anúncio salvador que a comunidade conservou e nos transmitiu. Isso também não nos leva a duvidar do Jesus histórico e não podemos dizer que não existiu. Ele está na origem do movimento histórico percebido e vivido pela comunidade primitiva.
Essa é mais uma razão por que não se toma a bíblia ao pé da letra, mas é preciso fazer toda a moldura e colocá-la dentro do seu contexto.
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE-VOLUME 6
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br
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