
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
A piedade artificial é expressão de um vazio interior?
Hoje a Igreja se abre cada vez mais para o serviço dos leigos em todos os setores da evangelização e de sua vida. A convocação de leigos às vezes é feliz, trazendo muitas riquezas, pois vêm pessoas com muitos dons. Outras vezes, porém, são convocações infelizes, trazem pessoas com problemas e com um vazio interior muito grande. Não basta só boa vontade.
Todos vão receber orientações e cursos para o bom exercício de seu ministério, mas alguns não pegam “embocadura”, vão e fazem tudo piedosamente, mas com uma piedade formal, artificial ou com uma concepção errada, própria de quem pensa errado a respeito das coisas de Deus.
São desagradáveis essas pessoas que fazem um esforço maluco para aparecerem piedosas ou se expressarem piedosamente. Nós as chamamos de beatas e com razão, o que não acontece com outras que, de maneira simples, sem artificialismo e sem afetação, agem com naturalidade, mas deixam transparecer a convicção que possuem e o conteúdo que trazem consigo.
Temos de pôr na cabeça que serviço na comunidade não é lugar de promoção para ninguém; não é trampolim político nem caminho de beatificação de alguém em vida. É uma convocação, na qual cada um vem para colocar em comum aquilo que sabe, o que pode aprender e aquilo que traz como bagagem de fé e vida.
São necessários respeito, modéstia, boa educação, simplicidade, docilidade de quem serve. Não há lugar para auto-suficiência nem é lugar para se exercer poder ou conquistar estima e louvores da comunidade.
Ninguém precisa ficar inventando esquisitices para mostrar que sabe tudo e está bem preparado.
O mesmo se dá com os rezadores nas celebrações: uma falação sem fim, cheia de afetos que não são expressões verdadeiras do seu ser. Essas pessoas se transformam em “poleiros” do Espírito Santo, pontificam, vaticinam para a assembléia que, desavisada, só pode crer que essas pessoas sejam de fato muito santas.
Jesus já criticou os fariseus por serem assim vaidosos e por fazerem as coisas para serem vistos. Pessoas como essas são carentes, às vezes até desequilibradas; precisam de tratamento e de acompanhamento psicológico. Coitada da comunidade ou dos grupos que caem nas mãos dessas pessoas.
Nós, do povo, não podemos ser tão ingênuos. Vamos fazer como o Evangelho fala: “simples como a pomba, mas espertos como a serpente”.
Piedade é a expressão de amor a Deus que nasce do fundo de nossa experiência de Deus. Ela não é pensada, é brotada como conseqüência de quem já vive uma intensa comunhão com Deus. Se não chegarmos a tanto, sejamos menos educados e respeitosos.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 9
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br
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