CONSAGRAÇÃO À NOSSA SENHORA APARECIDA NA VOZ DO PADRE VITOR COELHO CSsR

Ó MARIA SANTÍSSIMA, PELOS MÉRITOS DO SENHOR JESUS CRISTO QUE EM VOSSA IMAGEM MILAGROSA DE APARECIDA ESPALHAIS INÚMEROS BENEFÍCIOS SOBRE O BRASIL, EU, EMBORA INDIGNO DE PERTENCER AO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS, MAS DESEJANDO PARTICIPAR DOS BENEFÍCIOS DA VOSSA MISERICÓRDIA, PROSTRADO A VOSSOS PÉS, CONSAGRO-VOS O ENTENDIMENTO, PARA QUE SEMPRE PENSE NO AMOR QUE MERECEIS. CONSAGRO-VOS A LÍNGUA, PARA QUE SEMPRE VOS LOUVE E PROPAGUE A VOSSA DEVOÇÃO.CONSAGRO-VOS O CORAÇÃO, PARA QUE, DEPOIS DE DEUS, VOS AME SOBRE TODAS AS COUSAS.RECEBEI-NOS, Ó RAINHA INCOMPARÁVEL, QUE NOSSO CRISTO CRUCIFICADO DEU-NOS POR MÃE, NO DITOSO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS. ACOLHEI-NOS DEBAIXO DA VOSSA PROTEÇÃO. SOCORREI-NOS EM NOSSAS NECESSIDADES ESPIRITUAIS E TEMPORAIS E, SOBRETUDO, NA HORA DA NOSSA MORTE. ABENÇOAI-NOS Ó MÃE CELESTIAL, E COM VOSSA PODEROSA INTERCESSÃO FORTALECEI-NOS EM NOSSA FRAQUEZA, A FIM DE QUE, SERVINDO-VOS FIELMENTE NESTA VIDA, POSSAMOS LOUVAR-VOS, AMAR-VOS E RENDER-VOS GRAÇAS NO CÉU, POR TODA A ETERNIDADE. ASSIM SEJA! ...PELA INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA, RAINHA E PADROEIRA DO BRASIL, A BÊNÇÃO DE DEUS ONIPOTENTE, PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO, DESÇA SOBRE VÓS E PERMANEÇA SEMPRE.AMÉM!

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11 de dezembro de 2009

Sobre o silêncio na liturgia

Cardeal Eugenio de Araujo Sales

Vivemos em uma civilização profundamente marcada pelo ruído. Há um vozerio por toda parte. A técnica moderna, com extraordinária rapidez, cria instrumentos que enchem os ouvidos e também os olhos com tudo o que ocorre aqui e no mais distante recôndito do mundo. Cada vez mais se torna difícil o silêncio interior e exterior. No entanto, ele é importante para nossa saúde física, mental e, especialmente, espiritual.

Muitos sentem a necessidade de superar essa escravizante estrutura de nossa sociedade moderna. Buscam um ambiente de calma para unir-se a Deus ou mesmo para refletir sobre sua vida e os problemas cotidianos. Na parte religiosa, a Igreja deve preservar nos templos, de modo permanente, um clima de tranquilidade. São oásis mais valiosos hoje, quando a movimentação nas ruas e até nos lares é massificante. Durante o culto, os cânticos, leituras e aclamações, indispensáveis para fortificar uma convivência realmente comunitária, não excluem os momentos de meditação. Em um e outro caso, a Casa de Deus deve oferecer ao coração agitado a oportunidade de usufruir um intenso contato com o divino. Sem recolhimentos, frequentes e profundos, é impensável a sobrevivência e o progresso de uma vida cristã coerente e dinâmica, num mundo que frequentemente repele a mensagem decorrente do Evangelho.


Santo Ambrósio, ao tratar desse assunto, em sua época (século IV) que poderíamos chamá-la de absolutamente silenciosa em comparação com os nossos dias, chega a afirmar: “O diabo busca o barulho, Cristo, o silêncio”. Assim, que dizer hoje do ruído nas cerimônias litúrgicas? Certamente, os elevados decibéis são um aferidor dos obstáculos do encontro do homem consigo mesmo e Deus. Recordo os falsos profetas que gritavam sem serem ouvidos e que Elias ironicamente estimulava: “Gritai com mais força (…) ele é deus, (…) mas certamente estará dormindo (…)” (1Rs 18,27).

Do extremo de um imobilismo, fruto do individualismo passa-se para o outro igualmente condenável. Neste, a estridência dos sons de instrumentos que enervam não eleva a Deus o coração do fiel. E os promotores muitas vezes não são advertidos, pois se apresentam com o falso salvo-conduto de observantes das orientações conciliares. Não me refiro à missa para jovens, mas simplesmente ao bom-senso. Evidentemente, um auditório composto de pessoas em idade juvenil terá um comportamento diverso do de outras faixas etárias. No entanto, mesmo assim, há limites.

Em nossos dias, urge relembrar a importância de um ambiente que favoreça o contato com o divino nas cerimônias religiosas e lugares sagrados, não como fim, mas como meio válido de fecundo encontro com Deus ou manifestação de respeito à casa do Senhor.

O Concílio Vaticano II, na Constituição “Sacrosanctum Concilium” sobre a Sagrada Liturgia (nº 30), ao tratar das normas que derivam da natureza hierárquica e comunitária da liturgia, conclui: “A seu tempo, seja guardado o sagrado silêncio”.

A justa ênfase na prática da renovação conciliar facilmente levou a exageros na comunicação entre os fiéis, quer nos atos oficiais, quer em outros momentos na igreja. E isso, às custas do ambiente convidativo à prece, inclusive pessoal, que deve reinar nos lugares santos, mesmo quando não há celebrações. Nos documentos posteriores ao Concílio, verificamos uma revalorização do silêncio, ao menos em certas circunstâncias, como indica a Instrução Geral do Missal Romano (3 de abril de 1969): “Oportunamente, como parte da celebração deve-se observar o silêncio sagrado” (nº 23).

A Escritura nos proporciona poderosa argumentação em favor de um grande esforço para restabelecer, em nossas igrejas, um clima de paz, em suma, de oração. Podemos constatar o significativo encontro de Elias com o Senhor, no Monte Horeb: “este não se encontrava no vento, nem no terremoto, nem no fogo e sim no ‘murmúrio de uma brisa’” (1Rs 19,9-15). E também quando o profeta Sofonias conclamava o povo: “Silêncio diante do Senhor!” (Sf 1, 7).

Na bela obra de Romano Guardini sobre a Missa, o capítulo I tem por título: “O silêncio”. Explica a razão de iniciar o livro com esse assunto: “Este livro trata da liturgia. Ora, se me perguntassem onde começa a vida litúrgica, eu responderia: com o aprendizado do silêncio. Sem ele, nada se obtém de válido (…). É a primeira condição para uma ação sagrada” (“La messe”, cap. I, pág. 20).

O recolhimento nas igrejas, dentro e fora do culto, só poderá existir se for fielmente observado por todos. Facilmente se deduz como é nocivo ter em torno de si pessoas que falam ou se movimentam ruidosamente. O templo é de todos e ninguém possui o direito de prejudicar o próximo.

Na observância do que é permitido e até normal, pode estar inserido algo que sirva de obstáculo à prece e união com o divino. Cito como exemplo a maior ou menor intensidade dos tons de certos instrumentos e a preservação do momento da saudação da paz, antes da Comunhão. Às vezes, ao desejá-la, nós o fazemos como se estivéssemos na via pública.

Temos necessidade de maior contato com o Altíssimo. Decorre daí a utilidade do exercício do silêncio, de modo particular em nossas igrejas. Nessa oportunidade nós homenageamos o Senhor, afastando interior e exteriormente a agitação do mundo. E as manifestações da comunidade devem ser fecundadas por uma atitude que favoreça o íntimo contato com Deus.


Cardeal Eugenio de Araujo Sales
Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro

23/10/2009

Fonte: site Presbíteros

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Bom amigo Staliano!
    Brilhante e oportuno artigo do purpurado D.Eugênio Sales.
    Tem muito boa autoria, por ser um assessor direto do papa, o representante de Cristo.
    Missas com barulho, deprimem. Retiros sem silêncio não são autênticos.
    Veja essa bela frase :
    "A meditação me ajuda a sentir a forma e a textura da minha vida interior. Aqui, no silêncio, eu posso começar a saborear o que os budistas chamariam de minha verdadeira natureza, o que os judeus chamam de calma, suave voz, e o que os cristãos chamam de Espírito Santo." (Wayne Muller,terapeuta, autor, ministro e fundador do Pão para o Journey, uma organização inovadora que atende famílias carentes.)
    Mostro ainda a frase linda de Charles Chaplin:"O som aniquila a grande beleza do silêncio."
    Para finalizar lembro o que aprendemos no seminário, onde se fazia silêncio nos dormitórios, banheiros, salão de estudos: A CAPELA É CASA DE ORAÇÃO E SILÊNCIO!
    Antônio Ierárdi Neto

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