Em 1808, conselheiros de D.João VI já pensavam em trazer sua corte para o centro do país. Na Assembléia Constituinte e Legislativa do Brasil de 1823, José Bonifácio (de Andrada e Silva) sugeriu a mudança da capital para a região da atual cidade de Paracatu, em Minas Gerais. E já sugeria o nome de Brasília ou Petrópole.
Entrar pelo sertão brasileiro já era cogitado por muita gente. Pelas proximidades de Paracatu cruzavam caminhos do ciclo do ouro, sendo, um destes, para Goiás. A idéia de os redentoristas penetrarem neste sertão não era algo de novo, mas, com certeza, era algo desafiador. Os motivos de terem deixado a Alemanha – principalmente políticos e eclesiais – não devem ser esquecidas. Este conjunto não diminui o valor desta entrada dos redentoristas no Brasil, mas torna mais real nossa história. Não podemos esquecer a perseguição política contra a Igreja de Otto Von Bismarck (1815-1898) na Alemanha, a Romanização vaticana, os interesses da velha República Brasileira de encontrar parceiros que assumissem compromissos de suplência social, como escolas, hospitais, asilos e similares. Assim nascia a vida dos redentoristas em Goiás.
A vida redentorista no Brasil começou com Holandeses no Rio de Janeiro. Depois, um ano mais tarde, foi São Paulo ou Goiás? Tudo indica que São Paulo é filha crescida de Goiás, e não o inverso. O surgimento de redentorista em Goiás se deve também ao grande atrativo da Festa do Divino Pai Eterno, o aconchego das férias no Araguaia, e o surgimento da Prelazia de Rubiataba, atualmente diocese. A origem desta prelazia se ligou diretamente a um período pós-Vaticano II, tendo sido um espaço de concretização das utopias levantadas por João XXIII.
Como consta em algumas crônicas, a idéia oficial de os redentoristas vir para Goiás surgiu com o pedido de Dom Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, então bispo da Diocese de Goiás, em 1885. Mas, somente mais tarde esta idéia pode se concretizar. Em meados de 1894, os bispos Dom Eduardo da Silva (bispo de Goiás) e Dom Joaquim Arcoverde (auxiliar de São Paulo), por ocasião da visita Ad Limina, se propuseram a buscar ajuda sacerdotal para suas vastas dioceses, principalmente com intenção de cuidados para as romarias do Divino Pai Eterno (Goiás) e Nossa Senhora Aparecida (São Paulo). Depois de receberem diversos “nãos” os dois foram à sua ultima alternativa: os redentoristas. Falando com o Superior Geral da época – Pe. Matias Raus – de imediato, o pedido foi aceito; ficando estabelecido que os trabalhos começassem em Campininhas das Flores (Goiás) e em Aparecida (São Paulo), com a primeira sede em Campininhas.
Com a disposição da Província de Monique (Alemanha), foram selecionados 14 missionários para o Brasil. A 24 de outubro de 1894 chegaram a São Paulo, 7 irmãos e 7 padres. Desses, 8 seguiram para Campininhas de Goiás: Pe. Gerbado Wiggermann – superior da missão; Pe. João da Mata Späth; Pe. Miguel Siebler; subdiácono Lourenço Hubbauer; Ir. Norberto Wagenlehner; Ir. Ulrico Kammermeier; Ir, Gerbardo Konzet; Ir. Floriano Rislhisl. Seguiram de trem até Uberaba – MG, e depois de cavalos. Cavalgando por 25 dias enfrentando dificuldades devido a bagagens, chuvas e pelo não costume em andar de cavalo, chegaram a Campininhas das Flores no dia 12 de dezembro “debaixo de uma torrencial chuva e, ao entrar na Matriz, entoamos o Te Deum” (Crônicas).
Primeira turma que veio da Alemanhã em 1894
O primeiro abrigo dos redentoristas foi uma casa cedida pela senhora Ana Rocha, aí permaneceram até 24 de Janeiro de 1895. No dia 24 de dezembro de 1894, com a celebração da Missa do Galo, presidida por Dom Eduardo, houve a apresentação oficial dos redentoristas ao povo, dando a eles as faculdades de jurisdição para a paróquia de Campininhas e outras quatro anexas a ela.
Primeiro Convento Redentorista construido em terras goianas - Campinas/Go
No dia 17 de dezembro de 1894 os redentoristas visitam, pela primeira vez, a capelinha da romaria do Divino Pai Eterno do então distrito de Barro Preto. Em 1895, foi adquirida a primeira casa em Barro Preto, logo na entrada do vilarejo, que no mesmo ano já serviu de abrigo para os redentoristas no período da romaria.
Em Junho de 1895, Pe. Wiggermann pede transferência da cede da missão para São Paulo devido à dificuldade de comunicação com a Província mãe e o Governo Geral. Em outubro do mesmo ano chega a Goiás Pe. Lourenço Gahr que assume o cargo de superior da missão em Goiás e dá continuidade à construção do primeiro Convento, iniciada pelo Pe. Wiggermann. Em dezembro desse mesmo ano os redentoristas mudam-se para o convento, que foi edificado a cerca de 1 km da Matriz de Campinhas.
Segundo convento Construção existente até hoje, fica atrás de Igreja Matriz de Campinas
Através da extensa paróquia de Campinas, da romaria do Divino Pai Eterno, da missão de Rubiataba, mais tarde dos meios de comunicação social, das Santas Missões Populares – prática redentorista – a missão redentorista foi atingindo todo o sertão do Centro-Oeste brasileiro.
Cinquenta anos após de presença em terras brasileiras a missão de São Paulo torna-se Província e Goiás fica anexada a ela. E só em 1964 a missão de Goiás torna-se Vice Província, com o primeiro nome: Vice Província de Brasília. E, somente em 11 de dezembro de 1994, cem anos de missão redentorista em terras goianas, é que Goiás se torna uma província independente, com o nome de Província de Goiás.
Missionário nas antigas desobrigas método muito utilizado no sertão goiano
O crescimento de nosso grupo nos levou a uma vida mais autônoma, o surgimento da Província em 1994, foi e está sendo um período de definição de uma identidade. Identidade sempre é relativa há tempos e lugares, e, por isso mesmo, plural e não estática. A definição de uma identidade em Goiás depende de nossa curta história e correspondentes experiências. Foi um tempo de expansão no Pará, no Maranhão, no Mato Grosso, em Brasília e no próprio Goiás e agora no Tocantins. São esses lugares por demais diferentes. Foram histórias muito diversas, pouco registradas em nossos arquivos, pouco lembradas e interpretadas. Parecem simples aventuras de aventureiros e não vida de uma província, mais caracterizada pelos trabalhos de Trindade e Campinas. Mas são estes trabalhos diversos que criam paradigmas em conflito quando se trata de tomarmos outros rumos e definir nosso perfil. Somos pessoas que viveram experiências diferentes, pensa diferente, e sonham um grupo diferente. O grupo cresceu e continua crescendo e sonhando e semeando sementes do Reino pregado e vivido pelo Cristo que, para nós, é o Redentor de todos






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