
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Minha Igreja é uma “igreja carismática”?
O quase oposto à Igreja instituição é a Igreja carismática, que deixa a lei objetiva e dá espaço ao subjetivo, à emoção.
Na agitação da vida moderna, buscam-se experiências que tragam consolo, tranqüilidade, que preencham o vazio do viver e um novo gosto de viver. Outros querem saídas rápidas para os seus problemas materiais e psíquicos. A instituição não satisfaz. As pessoas buscam uma mística, um novo clima com celebrações que seduzam, despertem o emocional. É a sedução do sagrado. Tudo passa pela experiência.
Assim o lado racional elucidativo da fé cede lugar às vivências emocionais. Não interessa a teologia, é hora de deixar-se levar pelo Espírito. O mesmo acontece com a Bíblia, que não é vista como mensagem, mas como um objeto sagrado que irradia força. Nos problemas é só abrir a Bíblia à espera do texto como solução apontada por Deus.
A liturgia transborda-se em celebrações magníficas, emocionais. Aqui aparece bem a face carismática da Igreja, preocupada em expurgar o mundo de toda a maldade trazida por tantos demônios antigos e estilizados. Por outro lado, é o espaço da criatividade e da espontaneidade.
Num cenário espiritualista, essa Igreja concentra em si a oferta de salvação; nela vale a lei da eficiência, do marketing, pouco interessa a atividade externa na relação com o mundo. A conversão interior é suficiente, ficando na sombra toda a dimensão social.
O clima religioso criado arrasta multidões, atrai pessoas, levadas pela promessa da cura, do encontro com a paz, com respostas às suas angústias e até possível melhoria material. Investe-se alto na mídia.
O fim do milênio propicia um clima favorável a tudo isso. É hora da comunicação, das igrejas eletrônicas. É a fase da história em que se tem pouco tempo para refletir, importa agir.
Ela tem sua riqueza e através dela muita gente se reencontrou e reencontrou o caminho da comunidade, da oração. Ela quebra a frieza da Igreja instituição e tem coragem de sair ao largo disputando os fiéis com outras denominações religiosas.
Mas nos deixa perplexos quando perguntamos: a que leva tudo isso? Que compromisso gera nas pessoas em relação à comunidade? Que Deus realmente experimentamos? Por que se apoiar em coisas tão dispensáveis de uma teologia antiga como possessões diabólicas, pecados graves que nunca foram graves?
Não se pode negar a força paraclética do Espírito Santo que vemos na Igreja primitiva, mas fica difícil perceber o Espírito se manifestando a todos e de formas tão diferentes. É preciso discernir os sinais dos tempos.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
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EDITORA SANTUÁRIO
Padre Libárdi, uma das razões que não reconheço os "carismáticos" é o fato de surgirem muitos artistas entre padres, religiosos e até bispos...
ResponderExcluirTudo converge apenas para o seu foco e as questões espirituais ficam relegadas a segundo plano ou apenas pano de fundo...
Acompanho apenas, e sempre será assim, os redentoristas que, antes de tudo, mostram muita humildade. Aquela proposta e exigida até por Santo Afonso.
Por isso, nada de danças, nada de baterias, nada de estridências na Casa do Senhor ou em Seu Nome!
Antônio Ierárdi Neto