PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Roma é o centro da Igreja; e as outras Igrejas?
O Cristianismo não nasceu em Roma, mas em Jerusalém. Após a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, inicia-se a grande caminhada da Igreja. Eles se tornaram testemunhas de Jesus não só na Judéia, mas em toda a parte.É curioso como Lucas já faz menção dos povos que, nessas alturas, já tinham recebido o Evangelho (At 2,1-11), além de dizer que os apóstolos foram testemunhas de Jesus “até os extremos da terra” (At 1,8). Por aqui se vê que nessa época o centro da Igreja é Jerusalém.Com a destruição de Jerusalém nos anos 70 d.C., ela deixa de existir, perde o seu significado como centro do Cristianismo, surgindo então outras cidades importantes com grande quantidade de comunidades cristãs, como Alexandria, Antioquia da Síria, Éfeso. No Apocalipse há referência às Sete Igrejas (Ap 1,10-13).A história mostra como Roma, capital do Império Romano, assumiu a grande importância. Havia fácil acesso à Roma, grande concentração de comunidades cristãs, a tradição mostra Pedro e Paulo em Roma etc.A partir do século IV, o bispo de Roma começa a ser reconhecido como sucessor de Pedro por parte dos Patriarcas das outras Igrejas do Oriente. Mais tarde recorrem a ele como instância superior para resolver dúvidas e pendências teológicas. Com isso Roma assume seu lugar como centro do Cristianismo, mas isso custou muitas lutas e dores que a “História da Igreja” mostra em seus textos.Para nós não se trata de determinar o centro geográfico da Fé, mas trata de perceber que o centro da Fé é Jesus. Ele é o centro de cada Igreja. Cada Igreja tem sua importância e sua significação enquanto celebra a ressurreição do Senhor. No Apocalipse podemos observar que as Sete Igrejas, todas são expressivas, são iguais, são importantes, são igualmente responsáveis. Veja o significado dos Sete Candelabros.Se as brigas históricas ditaram outras regras, é momento de percebermos a realidade da prece de Jesus: “Que todos sejam um — que haja um só rebanho e um só Pastor”. É hora da Igreja despojar-se do poder e de hierarquias e ser Igreja servidora. Hora de respeito mútuo, valorização mútua e de partilha. Onde está Jesus, onde o Espírito manifestar-se, aí está o centro ou aí será o centro.Essas diferenças e certas exigências de todos os lados configuram-se como um grande escândalo no seio da Igreja de Jesus. Perguntamos até quando vamos precisar do poder para salvaguardar a integridade da doutrina, quando ela não depende de nós, mas do Espírito que conduz a Igreja.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
EDITORA SANTUÁRIO
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