
PADRE CLÓVIS DE JESUS BOVO CSsR
TUDO PARA O MEU POVO
Bento XV estava agonizando. Antes que seus olhos se fechassem para a luz deste mundo, o Cardeal Penitenciário inclinou-se sobre o moribundo e murmurou-lhe no ouvido:
— Santo Padre, uma bênção para seus familiares e parentes...
Conservando os olhos semi-cerrados, traçou um pequeno e confuso sinal de bênção, com os dedos frios e contraídos. Pouco depois:
— Santo Padre, agora uma bênção para o pessoal do palácio...
O Papa respondeu com outro aceno de mão, muito lento, quase imperceptível. Estava morrendo. Nova pausa. Novo silêncio. Pela terceira vez, e com novo acento de voz, murmura o Cardeal Penitenciário:
— Santo Padre, abençoa também o povo que suspira pela paz.
A estas palavras o moribundo reabriu os olhos. Parecia estar voltando de um sono profundo. Lembrou-se do seu povo oprimido pelos horrores da Primeira Guerra Mundial. Depois, como que se desvencilhando dos braços hercúleos da morte e dominando os espasmos da agonia, concentrou toda a sua lucidez naquele instante supremo e... num gesto bem largo, traçou três vezes com a mão direita uma grande cruz sobre o mundo. Esta cena comovente, melhor do que qualquer outra em qualquer outro momento de sua vida, caracteriza o coração compassivo e humano de Bento XV, e encerra dignamente sua carreira mortal.

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