
Aumento do barulho é sinal de uma cultura que procura fugir de si
Arcebispo do Rio de Janeiro fala da importância do silêncio
RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 12 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, considera que o aumento do “barulho ensurdecedor” é sinal de uma “cultura que, procurando fugir de si, muitas vezes se refugia no torpor de uma situação que a faz procurar esquecer os problemas de cada dia”.
“Vivemos hoje no mundo cercado por sons e ruídos e por esse fato é muito difícil experimentar o silêncio”, afirma Dom Orani, em artigo difundido hoje pela CNBB.
Há uma “prática de estar sempre ouvindo um ou mais aparelhos eletrônicos ao mesmo tempo para não pensar muito na vida e ficarmos distraídos das agruras da vida diária”.
“Somos impulsionados pela busca incessante de dinheiro; corremos sem cessar para acumular bens, e nesta busca somos envolvidos pelo barulho dos carros, máquinas, fax, campainhas, buzinas, rádio, TV, telefone celular, músicas estridentes, agitações e gritos.”
Dom Orani recorda que nessa terça-feira, com o “apagão” em grande parte do Brasil, muitos ficaram sem saber o que fazer, sem poder acessar a internet, ver televisão ou utilizar o celular. “Desaprendemos da conversa em família e muito mais ainda do silêncio”, lamenta.
“Interessante observar como nos tornamos escravos dos sons e como as pessoas parecem ter necessidade do barulho. Quantos ficam como que anestesiados pelo barulho de baterias, guitarras, gritos e agitações que lhes envolve o corpo e a alma?”
Apesar desse contexto adverso, o arcebispo destaca que o silêncio é necessário para o equilíbrio pessoal “e principalmente para nos encontrarmos com Deus e conosco mesmos”.
Dom Orani recorda a passagem de Deus na vida do Profeta Elias: “passou um vento impetuoso e Deus não estava; depois houve terremotos e Deus não estava; veio o fogo e Deus não estava, e depois ‘ouviu-se’ o murmúrio de uma brisa leve e suave e Deus se manifestou ao Profeta, o qual, ante a presença do Senhor, cobriu o rosto”.
O arcebispo assinala que também Jesus “é muito claro”, ao falar da necessidade da oração interior, quando ressalta “a importância do silêncio para que a figura do Pai possa resplandecer em nós, e, por esse fato, Jesus aconselha: fechar as portas do quarto, dizer poucas palavras, ou seja, ficar em silêncio em Sua presença”.
“Esse estar com o Pai nada mais é do que a oração de quietude, na qual há plena alegria tão somente de estarmos diante do nosso Deus e Pai”, afirma o arcebispo.
Dom Orani recorda ainda que os grandes místicos, como São João da Cruz, Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa de Ávila, sempre diziam que o silêncio é essencial para que Deus resplandeça.
“Nossas vidas necessitam desse equilíbrio de silêncio, que grita a paz e a fraternidade e nos faz ainda mais animados na missão de discípulos missionários”; “o silêncio cristão é pleno da Palavra de Deus e ilumina as nossas vidas”.
“É tão importante que, mesmo na liturgia, quando nos tornamos mais adultos nas celebrações, entendemos que os momentos de silêncio serão importantes para acolher as presenças de Cristo nos vários momentos da celebração”, afirma o arcebispo.
Dom Orani convida os fiéis a se conscientizarem sobre a importância do silêncio para a oração e a vida, uma atitude que promove a “contemplação das verdades eternas” e favorece a “busca do rosto de Deus”.
(Alexandre Ribeiro)
“Vivemos hoje no mundo cercado por sons e ruídos e por esse fato é muito difícil experimentar o silêncio”, afirma Dom Orani, em artigo difundido hoje pela CNBB.
Há uma “prática de estar sempre ouvindo um ou mais aparelhos eletrônicos ao mesmo tempo para não pensar muito na vida e ficarmos distraídos das agruras da vida diária”.
“Somos impulsionados pela busca incessante de dinheiro; corremos sem cessar para acumular bens, e nesta busca somos envolvidos pelo barulho dos carros, máquinas, fax, campainhas, buzinas, rádio, TV, telefone celular, músicas estridentes, agitações e gritos.”
Dom Orani recorda que nessa terça-feira, com o “apagão” em grande parte do Brasil, muitos ficaram sem saber o que fazer, sem poder acessar a internet, ver televisão ou utilizar o celular. “Desaprendemos da conversa em família e muito mais ainda do silêncio”, lamenta.
“Interessante observar como nos tornamos escravos dos sons e como as pessoas parecem ter necessidade do barulho. Quantos ficam como que anestesiados pelo barulho de baterias, guitarras, gritos e agitações que lhes envolve o corpo e a alma?”
Apesar desse contexto adverso, o arcebispo destaca que o silêncio é necessário para o equilíbrio pessoal “e principalmente para nos encontrarmos com Deus e conosco mesmos”.
Dom Orani recorda a passagem de Deus na vida do Profeta Elias: “passou um vento impetuoso e Deus não estava; depois houve terremotos e Deus não estava; veio o fogo e Deus não estava, e depois ‘ouviu-se’ o murmúrio de uma brisa leve e suave e Deus se manifestou ao Profeta, o qual, ante a presença do Senhor, cobriu o rosto”.
O arcebispo assinala que também Jesus “é muito claro”, ao falar da necessidade da oração interior, quando ressalta “a importância do silêncio para que a figura do Pai possa resplandecer em nós, e, por esse fato, Jesus aconselha: fechar as portas do quarto, dizer poucas palavras, ou seja, ficar em silêncio em Sua presença”.
“Esse estar com o Pai nada mais é do que a oração de quietude, na qual há plena alegria tão somente de estarmos diante do nosso Deus e Pai”, afirma o arcebispo.
Dom Orani recorda ainda que os grandes místicos, como São João da Cruz, Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa de Ávila, sempre diziam que o silêncio é essencial para que Deus resplandeça.
“Nossas vidas necessitam desse equilíbrio de silêncio, que grita a paz e a fraternidade e nos faz ainda mais animados na missão de discípulos missionários”; “o silêncio cristão é pleno da Palavra de Deus e ilumina as nossas vidas”.
“É tão importante que, mesmo na liturgia, quando nos tornamos mais adultos nas celebrações, entendemos que os momentos de silêncio serão importantes para acolher as presenças de Cristo nos vários momentos da celebração”, afirma o arcebispo.
Dom Orani convida os fiéis a se conscientizarem sobre a importância do silêncio para a oração e a vida, uma atitude que promove a “contemplação das verdades eternas” e favorece a “busca do rosto de Deus”.
(Alexandre Ribeiro)
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