CONSAGRAÇÃO À NOSSA SENHORA APARECIDA NA VOZ DO PADRE VITOR COELHO CSsR

Ó MARIA SANTÍSSIMA, PELOS MÉRITOS DO SENHOR JESUS CRISTO QUE EM VOSSA IMAGEM MILAGROSA DE APARECIDA ESPALHAIS INÚMEROS BENEFÍCIOS SOBRE O BRASIL, EU, EMBORA INDIGNO DE PERTENCER AO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS, MAS DESEJANDO PARTICIPAR DOS BENEFÍCIOS DA VOSSA MISERICÓRDIA, PROSTRADO A VOSSOS PÉS, CONSAGRO-VOS O ENTENDIMENTO, PARA QUE SEMPRE PENSE NO AMOR QUE MERECEIS. CONSAGRO-VOS A LÍNGUA, PARA QUE SEMPRE VOS LOUVE E PROPAGUE A VOSSA DEVOÇÃO.CONSAGRO-VOS O CORAÇÃO, PARA QUE, DEPOIS DE DEUS, VOS AME SOBRE TODAS AS COUSAS.RECEBEI-NOS, Ó RAINHA INCOMPARÁVEL, QUE NOSSO CRISTO CRUCIFICADO DEU-NOS POR MÃE, NO DITOSO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS. ACOLHEI-NOS DEBAIXO DA VOSSA PROTEÇÃO. SOCORREI-NOS EM NOSSAS NECESSIDADES ESPIRITUAIS E TEMPORAIS E, SOBRETUDO, NA HORA DA NOSSA MORTE. ABENÇOAI-NOS Ó MÃE CELESTIAL, E COM VOSSA PODEROSA INTERCESSÃO FORTALECEI-NOS EM NOSSA FRAQUEZA, A FIM DE QUE, SERVINDO-VOS FIELMENTE NESTA VIDA, POSSAMOS LOUVAR-VOS, AMAR-VOS E RENDER-VOS GRAÇAS NO CÉU, POR TODA A ETERNIDADE. ASSIM SEJA! ...PELA INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA, RAINHA E PADROEIRA DO BRASIL, A BÊNÇÃO DE DEUS ONIPOTENTE, PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO, DESÇA SOBRE VÓS E PERMANEÇA SEMPRE.AMÉM!
PRÓXIMOS EVENTOS (Todos estão convidados)





ÁGAPE MENSAL
11 - fevereiro - 2017


SETEMBRO - 2017
De 01 a 03 - 5º ERESER VICE PROVÍNCIA MANAUS
De 29 a 01/10 - ERESER CURITIBA

OUTUBRO - 2017

Dia 07 - ERESER NA NOVENA DE APARECIDA
Dia 21 - 11º ERESER MAIRINQUE

NOVEMBRO - 2017
De 12 a 15 - 7º ERESER PROVÍNCIA DE CAMPO GRANDE


XIII RETIRO
De 26 A 28 de janeiro de 2018
Local: Vila Santo Afonso - Pedrinha
Tema: A Espiritualidade Redentorista na Prática
Orientador: Padre Alfredo Viana Avelar, CSsR - Rio




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1 de agosto de 2015

Santo Afonso Maria de Ligório





Um Nobre Discípulo de Jesus
A 27 de Setembro de 1696: nasce em Nápoles, no sul de Itália, Afonso Maria de Ligório, filho mais velho de uma família nobre da cidade. O pai, José, é um alto oficial da marinha napolitana. A mãe, Ana, vem de uma família de importantes advogados e juízes. Afonso viverá em pleno séc. XVIII. Comecemos por compreender um pouco o ambiente europeu nesta altura.
A segunda metade do séc. XVIII é marcada por grandes mudanças: a independência americana em 1783 e a revolução francesa em 1789, são a sentença de morte das monarquias absolutistas da Europa. É chamado o “século das luzes”: surgem nomes na filosofia e na literatura como Kant ou Voltaire, particularmente críticos da Igreja. Os monarcas europeus tentarão assegurar o seu poder absoluto, mas enfrentam uma resistência forte nas classes burguesas, ligadas ao comércio, defensoras de regimes liberais e parlamentares.
Ao nível econômico e social assistimos a grandes desigualdades: por um lado, uma classe nobre, geralmente desocupada e detentora do poder; e outra grande parte da população na miséria, engrossando fileiras de desempregados, tanto nas grandes cidades como nos campos. Um marco simbólico destas mudanças é a invenção, em 1769, da 1ª máquina a vapor. Marca, na Inglaterra, o arranque da Revolução Industrial, que irá transformar o rosto da Europa e do mundo.
Como vemos, falar do séc. XVIII é falar de revoluções. Mas estas parecem, no pequeno estado de Nápoles, passar ao lado. A Itália só seria um país unificado no séc. XIX. Antes, é uma multiplicidade de cidades-estado autônomas. Em Roma, o Papa controla diretamente um estado de razoáveis dimensões. Falamos ainda de um contexto em que o seu poder político na Europa era importante, embora estivesse em declínio. Nápoles variava entre o domínio do rei de Espanha e do rei da Áustria.
No sul de Itália, banhado pelo Mediterrâneo, o estado de Nápoles é um estado luxuoso. Como no resto da Itália, o poder político e o poder religioso não estão separados. Os filhos dos nobres são educados em colégios de congregações religiosas, masculinas e femininas. Os bispos e cardeais detêm uma certa influência política. Até o próprio Afonso, para ser advogado, terá de estudar direito civil e direito canônico!
Um pormenor: o número de padres, clérigos e freiras é verdadeiramente excessivo. Tirando uns poucos “santos”, verdadeiramente empenhados num trabalho pastoral junto dos pobres e com uma vida que condizia, a grande maioria vive na ociosidade. Grandes congregações religiosas vivem no luxo, em mosteiros e conventos. Alimentam-se, por um lado, do fervor religioso popular e, por outro, de contribuições e heranças de famílias nobres. Mas, atenção! O todo não faz as partes: temos grupos de verdadeiros apóstolos, homens bem preparados e preocupados na missão da evangelização. Afonso, por cuidado da sua mãe, crescerá no meio destes.
Eis-nos, portanto, com um primogênito nobre, napolitano. Crescerá, por um lado, sob uma apertada disciplina da parte do pai. Por outro, a mãe introduzi-lo-á na fé e na vida devota. Sonham para ele uma brilhante carreira e, acima de tudo, desejam que se torne um nobre íntegro. Grande parte da nobreza napolitana era, de facto, ociosa. Os Ligório são uma excepção: o pai passa mais tempo no mar, nas galeras, do que em casa. A mãe, contrariamente ao costume, é que raramente sai e toma nas suas próprias mãos a educação dos filhos. Afonso teria 3 irmãos e 4 irmãs.
Empenhar-se-á nos estudos. Aos 16 anos, facto relativamente normal para a época entre os nobres, conclui o curso de direito civil e canônico. É advogado. Parece que, pela sua competência, trabalhará para as grandes famílias napolitanas e só perderá um caso em 1723, ao fim de 10 anos, no que terá sido o seu último caso em tribunal.
Como qualquer nobre, Afonso terá uma educação onde se inclui também a música e a pintura. Estas duas artes ser-lhe-ão muito úteis mais tarde quando, nas missões, as utilizará na evangelização do povo, na sua esmagadora maioria analfabeto. É um dom do Espírito Santo: quando encontra espaço, consagra as nossas capacidades para as colocar ao serviço do Evangelho, onde serão verdadeiramente fecundas; são os carismas.
Era normal, no tempo de Afonso, as famílias nobres conduzirem os seus filhos, desde pequenos, para conventos e mosteiros. Só um irmão e uma irmã de Afonso, os mais novos, “escaparão” a isso. Os restantes vestirão os hábitos respectivos. Afonso, naturalmente, também “escaparia” a isso, por ser o primogênito. É ele quem deve continuar o nome da família. Ora, é claro que os pais de Afonso tratarão de, para ele, lhe obter um bom casamento, que servisse o interesse de continuar o nome da família e juntasse outra família nobre, com possibilidades materiais. Vemos Afonso, acompanhado do pai, a frequentar bailes e serões. O que acontece?
Desde pequeno, iniciado pela mãe, Afonso faz parte de grupos de jovens nobres que participam em dias de retiro e atividades orientados por padres, os mais bem preparados da diocese. Não há uma verdadeira educação “civil” separada da religiosa. Enquanto cresce, Afonso vai-se tornando mais ativo. O seu maior trabalho de voluntário é no chamado “Hospital dos Incuráveis”, o hospital de último recurso de Nápoles, onde vêm morrer os mais miseráveis com as piores doenças da época.
O que temos é que Afonso, ao mesmo tempo que a sua imagem vai ascendendo na vida social napolitana pelos seus sucessos enquanto advogado e pelos esforços do pai, vai-se colocando questões quanto à sua vida. Por enquanto, os deveres de primogenitura vão-se impondo, mas escapa-se aos esforços casamenteiros do pai.
E eis que temos um acontecimento marcante: com 26 anos, Afonso perde um importante caso em tribunal. Ao que parece, é o seu primeiro caso perdido, e envolve corrupção pelo meio. Afonso terá descoberto, e abandona os tribunais. Considerá-lo-á a sua primeira conversão. Desiludido, Afonso passa mais tempo nas suas atividades no Hospital dos Incuráveis, e na capela, claro. Fará a experiência de ser chamado pelo Amor de Deus para ser mais. Nesse ano, decide ser padre.
Imaginemos qual terá sido a reação do pai, que tantos projetos grandiosos alimentava para o seu filho! Estala a crise em casa, mas Afonso não cede. Só permanece em casa do pai, por vontade deste, durante o estudo da teologia. Na altura era normal filhos de importantes famílias estudarem teologia e viverem em casa e, mesmo depois de ordenados, continuarem em casa da família, sem trabalho pastoral. Afonso seria padre diocesano e, já que não seria advogado, seria ao menos bispo ou até mesmo cardeal – sonhava o pai. O prestígio era o mesmo.
Mas Afonso não parece muito para aí virado. Aceita a ordem do pai de viver em casa, mas escolhe o seu campo de ação: as periferias pobres de Nápoles. Lá acompanha padres em missões de catequização. Continua o seu trabalho no Hospital dos Incuráveis. E, a partir da sua herança como aluno brilhante de direito, empenhar-se-á no estudo da teologia. Já como diácono, ganhará fama em Nápoles pelas suas homilias, pregações e catequeses. E, em 1726, é ordenado padre. Tinha 30 anos.
Um Presbítero em Nápoles
Como padre, Afonso continua o seu trabalho em Nápoles. Será bastante requisitado como pregador, orientador de retiros, formação de padres e religiosas e sobretudo nas missões populares, onde começará a assumir papéis de liderança. Mas se Nápoles tem padres em excesso, qual o motivo pelo qual Afonso foi tão requisitado? Aqui fazemos o nosso primeiro parêntesis, para conhecermos uma característica sua e de todos os missionários redentoristas: ter a Cristo como centro do seu anúncio e a sua linguagem simples e familiar.
No tempo de Afonso, as homilias e pregações eram mais um exercício de retórica, de saber discursar, do que propriamente anúncio do Evangelho. Os pregadores preocupavam-se mais por “adoçar” a sua linguagem, utilizar grandes recursos estilísticos, frases e conceitos complicados, do que transmitir a verdade de Deus. As pessoas saíam admiradas com a linguagem mas sem poderem saborear nenhuma novidade do Evangelho de Jesus Cristo.
Afonso optará por colocar Cristo, a Sua Boa-Nova no centro do seu anúncio. Num tempo em que o apelo à conversão se dava incutindo nas pessoas o medo do juízo final e da condenação, Afonso procura a conversão pelo amor a Jesus Cristo, prova plena do amor primeiro do Pai. Só esta é a verdadeira conversão, a que resiste a todos os “ventos contrários”, na sua linguagem. Ao anunciar a Boa-Nova, Afonso utiliza uma linguagem muito simples e familiar, reduzindo o uso do latim nas homilias ao máximo (contrariamente ao costume); não procura o brilho pessoal, mas a compreensão da Fé e, a partir daí, o amor a Jesus Cristo, que morreu na Fidelidade e ressuscitou no Amor.
O muito interessante é que as igrejas onde pregava se enchiam, e não era só de pessoas simples e analfabetas, mas também de muitos nobres. O seu pai procuraria ouvi-lo. Antigos colegas seus dos tribunais também. O Evangelho é anunciado a todos.
Vimos como o pai de Afonso lhe sonhava uma “carreira” na Igreja. Mas é evidente que os verdadeiros apóstolos não são de “carreira”, mas Enviados (é isso que significa literalmente Apóstolos). Afonso nunca procurará os benefícios das classes favorecidas, dirigir-se-á às periferias de Nápoles. Continua o seu trabalho no Hospital dos Incuráveis. Acompanhará os presos e os condenados à morte, mesmo até à hora da execução. Numa palavra, que será outra característica sua e de todos os redentoristas: o envio aos pobres.
“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Lc 4, 18). Este será um verdadeiro sentido de vida para Afonso, e a própria razão de ser, mais tarde, da Congregação do Santíssimo Redentor. Afonso dirige-se aos abandonados, àqueles que, em Nápoles, não são acompanhados nem lhes é anunciado o Evangelho, apesar do excessivo número de padres. Participa e lidera missões de intensa evangelização. Será neste espírito e neste zelo que mais tarde será levado a sair de Nápoles.
Mas atenção! Afonso acolhe todos os que, nele, procuram a Deus. No seu confessionário e nas suas igrejas veremos muita gente de classes nobres e importantes – também estes têm as suas questões essenciais. A diferença é que, enquanto acolhe estes, procura e dirige-se aos mais abandonados, economicamente e, sobretudo, espiritualmente.
Afonso é um evangelizador, quando fala e quando escuta. Ficará célebre como confessor e, mais tarde, como teólogo moral. Vivemos numa época de grande rigorismo moral. Os medos são incutidos às pessoas desde muito novas. O mínimo motivo serve para padres recusarem a absolvição no sacramento da reconciliação e a comunhão na eucaristia. Como já referimos, falava-se mais do temor do que do Amor de e a Deus. A grande preocupação era a preparação para o dia da morte, entendido como dia de juízo.
Afonso era atento, e embora tivesse crescido e estudado neste clima, começou a compreender, na prática do trabalho pastoral, que a conversão não se dava pelo medo. Nápoles caracterizava-se por ter, lado a lado, o maior fervor religioso e critérios nada originados no Evangelho. Este não era anunciado. Seguindo o exemplo de Cristo, que revela em pleno o perdão misericordioso do Pai, Afonso acolhe no seu confessionário os pecadores em vez de os afastar, pois “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores” (Lc 5, 31-32).
Enquanto em Nápoles, a obra missionária mais importante de Afonso serão as chamadas “Capelas do Entardecer”. Na sua preocupação evangelizadora, Afonso começa a reunir, à noite depois do trabalho, muitas pessoas para lhes anunciar o Evangelho. Esses encontros começam por dar-se numa praça de Nápoles, numa das zonas mais pobres. Todas as noites, são momentos de oração e compreensão de temas da fé. O sucesso é tão grande que depressa outros padres virão auxiliar Afonso e depressa não serão suficientes. As pessoas são muitas, e começam a dar que falar em Nápoles. Então Afonso toma uma decisão, levado pela necessidade, única no seu tempo: coloca leigos em papéis de liderança.
Começa por formar uns quantos leigos, os melhor preparados e disponíveis e, muito importante na época, os que sabiam ler. Deixa-lhes pequenos textos muito simples e canções da sua autoria e encarrega esses leigos de reunir, nas suas casas, pequenos grupos, ler-lhes algum texto sobre a fé, cantarem e rezarem juntos. Afonso e os seus colegas comprometem-se a acompanhar essas assembleias. O problemas é que muitas, ficando à espera do fundador, tinham de começar sozinhas, tanto era o trabalho.
Dá-se o milagre: numa cidade com padres a mais, barbeiros, comerciantes, ex-soldados reformados começam a orientar esses grupos e eles não param de crescer. Afonso, todos os dias, vai passando em alguma “Capela do Entardecer”. Será muito acompanhado por um futuro santo redentorista, também ele ex-advogado, de nome Gennaro Sarnelli. Mais tarde, já Afonso terá saído de Nápoles e terá passado meio século, visitará as suas capelas esporadicamente, aproveitando algum trabalho na cidade. No final do séc. XIX contam-se cerca de 30 mil pessoas a frequentar as “Capelas do Entardecer”.
Assim, dois séculos antes de se tornar assunto “oficial”, numa altura em que ainda não se levantavam as questões quanto à falta de padres, Afonso lança o apostolado dos leigos. Nas suas missões, nas zonas rurais, preocupar-se-á por deixar nas pessoas os hábitos de encontro em grupos para meditação e oração, sem a absoluta necessidade da presença de padres. Será outro ponto que o caracterizará. Cada pessoa deveria criar o seu próprio ritmo de oração, preparando Afonso pequeninos livrinhos para o apoiar. Um dos carismas dos missionários redentoristas é a fundação de comunidades.
Uma grande preocupação de Afonso, quando anunciava o Evangelho, era levar as pessoas à conversão: levá-las ao amor a Deus e à procura da Sua vontade; aquele era possibilitado quando as pessoas conheciam a vida de Jesus Cristo como a Revelação por excelência do Amor do Pai. A procura da vontade de Deus dava-se pela oração. Mas as pessoas nunca poderiam ser obrigadas a isto, pelo medo; tinha de ser por opção pessoal, por resposta de amor. E por isso encontramos estes milagres do Espírito Santo pela mediação de Afonso.
Mas o que principalmente caracterizava Afonso enquanto missionário era o seu zelo apostólico: a necessidade que sentia de levar a Boa-Nova de Cristo a todos os que O não conhecessem ou não O conhecessem como Boa-Notícia. Isso fazia-o sonhar com territórios longínquos como a China, terra de numerosos mártires, ou o Cabo da Boa-Esperança, onde a Igreja ainda não chegara. Enquanto permanece em Nápoles, prepara-se para este projeto, e toda a vida alimentá-lo-á. O seu zelo apostólico levá-lo-á, de facto para um mundo completamente diferente, mas dentro do Reino de Nápoles.
Um Novo Caminho de Seguimento
No ano de 1730, com 4 anos de missão como padre em Nápoles a um ritmo ininterrupto, Afonso fica gravemente doente. Um problema nos pulmões, que quase o leva à morte. Para se restabelecer, os médicos recomendam-lhe que “mude de ares”, passando uma temporada numa aldeia a sul de Nápoles, de nome Scala.
Aí, Afonso contacta com uma nova realidade: a de pastores e camponeses, perdidos nos montes, sem qualquer acompanhamento espiritual. Ali, a poucas dezenas de quilômetros de Nápoles, onde não faltavam padres! Terá experimentado Afonso o que um dia experimentara Jesus: “contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor” (Mt 9, 36). Apesar de lá ter ido para descansar, Afonso vê-se “obrigado” a catequizar, escutar e confessar aqueles pastores, e celebrar eucaristia, o que era uma novidade naquelas paragens! Sente-se revoltado por, com tantos padres em Nápoles ociosos em casa de suas famílias, nenhum se dirigir para aqueles pastores. Pois, para se viver no meio deles, ter-se-ia que ser pobre como eles…
Afonso regressa a Nápoles pouco depois, mas o seu pensamento e o seu coração ficaram em Scala. O seu zelo apostólico, a sua necessidade absoluta de anunciar o Evangelho onde mais ninguém o fazia, era muito forte. Tal como dizia S. Paulo, “se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!” (1Cor 9, 16)
Não que Afonso não fosse útil em Nápoles! Quando lá regressa, regressa para continuar a não perder um minuto que seja (quando jovem, fizera o voto de não perder um único minuto da sua vida; de facto, tudo o que fazia, mesmo o descanso, estava em função do anúncio do Evangelho). Mas, em Nápoles, havia outros padres zelosos, ainda que poucos, que o podiam substituir; em Scala não.
Ao longo de toda a história da Igreja, sempre houve homens que, pela sua entrega ao Evangelho, se viam na necessidade de abrir novos caminhos, de dar, em nome da Igreja, respostas novas ao mundo. Desde S. Bento, S. Francisco de Assis, S.ª Teresa, etc. Também Afonso experimentou que a Igreja que ele amava não estava, no seu tempo, a dar respostas às populações pobres e rurais de Itália. Alguém tinha que, em nome de Cristo e da Igreja, dar essa resposta, ser Apóstolo, Enviado. Afonso sem dúvida era a pessoa mais indicada porque era a pessoa mais disponível para que o Espírito Santo o consagrasse para essa missão. Mas certezas nunca as temos nestas alturas importantes: Afonso passou por momentos difíceis, em que se sentia tremendamente dividido.
Duas figuras foram fundamentais para servirem como mediações junto de Afonso da vontade de Deus: uma freira, Maria Celeste Crostarosa, que em 1731 fundaria um instituto feminino de contemplação, precisamente em Scala. A outra figura era o bispo de uma diocese vizinha à de Scala, Dom Falcoia, que auxiliaria Crostarosa na sua fundação. Ambos irão incentivar Afonso para que avance neste projeto pelo Evangelho.
Afonso consulta os seus superiores nas missões, padres sábios que lhe são queridos… e reza, e muito. Quer ter a certeza de que é a vontade de Deus esse novo projeto. Hoje podemos ter a certeza absoluta de que era e é, quando olhamos para a longa e fecunda história da Congregação do Santíssimo Redentor. Mas, na altura… Não podiam haver certezas. Em 2 anos, Afonso reflete, ao mesmo tempo que não pára de trabalhar. Mas, finalmente decide-se, e arrisca. A 2 de Novembro de 1732, sai de Nápoles rumo a Scala, montado também num jumento… No seu dizer, seria a sua segunda conversão. E, a 9 do mesmo mês, Afonso, juntamente com o bispo Falcoia e outros seis padres, celebram eucaristia em Scala. Nasce o que por enquanto se chama Instituto do Santíssimo Salvador.
Mas o começo não poderia ser mais agitado. Os padres discutem entre si pequenos pormenores quanto à vida do Instituto. Todos têm espírito de fundadores. A 28 de Novembro, Afonso faz o voto, no seu diário, de que, aconteça o que acontecer, nunca abandonará o novo Instituto. Proíbe-se a si próprio de colocar dúvidas. Só se Deus lhe pedir para desistir… Mas bem sabemos que Deus nunca brinca connosco, nem é capaz de “voltar atrás”… Na Páscoa de 1733, Afonso será o único que permanece, apenas acompanhado de um irmão, de nome Vito Curzio, que entretanto entrara. Também Jesus fizera essa experiência de abandono, no Getsêmani. Mas isso não o impediria de ir até ao fim, sabendo que sairia vitorioso…
Como é que se desenvolve a vida deste incipiente Instituto, com apenas um padre e um irmão?
Em Scala, estabelece-se o que Afonso chama a “missão permanente”: quando não está fora, Afonso evangeliza os habitantes, cria ritmos de oração, meditação, celebração… Conduz as pessoas a criarem o seu próprio ritmo, e a aldeia depressa se centra na igreja do novo missionário. No jeito próprio de ser da Congregação, os missionários devem estabelecer-se fora das cidades, desenvolvendo um trabalho contínuo de evangelização nos locais. Uma dinâmica extra-ordinária… todos os dias!
Afonso inicia uma família dentro da Igreja de missionários que, vivendo em comunidade, ao jeito dos Apóstolos (cf. Act 2, 42-47), anunciem o Evangelho em aldeias e vilas, aos mais abandonados da Igreja. São as chamadas “missões populares”. Estas desenrolam-se num local, e duram desde 15 dias a um mês, a um ritmo intenso de catequização, oração e celebração. Mas a preocupação de Afonso não é “levantar o pó”, para que depois nada mude; os missionários deverão ficar num local o tempo que for preciso para uma verdadeira conversão. E para que, como no caso das “Capelas do Entardecer”, fique um verdadeiro ritmo comunitário, após a saída dos missionários.
Além disso, era prática comum as missões desenvolverem-se em grandes centros, vilas e cidades, esperando os missionários que as pessoas das aldeias vizinhas se dirigissem a eles. Mas as distâncias eram insuperáveis. Afonso muda a lógica: as missões têm que se desenvolver nas mais pequenas aldeias, muitas vezes sem pároco. São estes os abandonados a quem Afonso se dirige.
Mas Afonso continua sozinho. Não importa! Trabalha sozinho nas missões nas redondezas, por vezes auxiliado por padres externos. Vito Curzio, quando está sozinho em casa, em Scala, não deixa de tocar o sino para reunir a comunidade (que não existe) para a capela ou o refeitório. Sinal da esperança no Deus que é Fiel. E, ao longo do ano de 1733, outros se vão juntando. No final do ano serão 5 a formar comunidade, entre os quais Sarnelli, que dividirá a sua vida entre as missões na Congregação e o seu trabalho em Nápoles.
Afonso e os seus companheiros levam uma vida com dois ritmos, tal como a nossa respiração: a inspiração, 6 meses por ano, na altura do Verão, em que levam uma vida comunitária de oração, meditação e estudo; e a expiração, nos outros 6 meses: um ritmo sem parar de missões e trabalhos apostólicos. E a Congregação expande-se, com a fundação de novas casas… Para além das missões, as casas da Congregação recebem padres e religiosos, ou apenas leigos, para retiros espirituais. É a missão permanente.
Mas vivemos num contexto difícil. O Estado está extenuado de tantos religiosos, e é céptico a novas fundações. Porque é que esta Congregação sobrevive? As suas características são especiais, como as várias que já apontamos sobre Afonso.
Estamos num tempo e num contexto em que a religiosidade vive muito de experiências sensíveis e emotivas. Afonso contraria-o. Privilegia a evangelização e a catequese, como base sólida para uma verdadeira conversão. Não tenta a conversão pelo medo, comum na época, mas, respeitador da liberdade humana (estamos no século XVIII, o “século das luzes”, o século da consagração das liberdades e direitos do Homem; Afonso é um dos seus filhos) procura converter “a inteligência e o coração”. A última palavra é sempre a da pessoa, que decide acolher o Espírito Santo, ou não. Quando o costume era provocar grandes manifestações após as pregações, Afonso propõe o silêncio orante… E, claro, sempre a linguagem simples e esclarecedora, e o anúncio central de Cristo crucificado e ressuscitado como prova plena do Amor de Deus.
Afonso chama a atenção para a necessidade da oração. Introduz as pessoas na sua prática, ajudando-as com músicas e pequenos textos da sua autoria. Dá instruções aos seus missionários para, quando só puderem falar acerca de um tema, escolham sempre a necessidade da oração. É um napolitano de gema: a sua afectividade vem sempre ao de cima. Ensina as pessoas a tratarem a Deus com simplicidade, familiaridade e muito, muito amor. Já que Ele é o Emanuel, o Deus-connosco. Quando os missionários se vão embora, as pessoas devem continuar a juntar-se na capela, todas as noites, e em casa, em família… É a chamada “vida devota”. Acolhe a todos no confessionário e na eucaristia, num tempo de grande rigorismo moral.
Nas missões, como na vida, impõe a pobreza evangélica aos missionários. As missões não podem constituir um peso para as pessoas, por isso a proibição de aceitar pagamentos ou doações. O contexto também o ajudava, dada a pobreza das terras de missão. Pobreza material, mas também liberdade de espírito: os missionários, no final das missões, saíam das aldeias de madrugada, para que as pessoas não dessem conta e não manifestassem a sua tristeza.
A graça principal, para Afonso, é a da perseverança. A missão deveria continuar após a saída dos missionários. Estes deveriam voltar passados poucos meses, para renovar a missão. Tudo pela verdadeira conversão de vida das pessoas. Por isso a importância que atribuía à oração. Também a apelará aos seus irmãos na Congregação: todos deveriam fazer o juramento de perseverança quando entrassem para, nos momentos difíceis, se firmarem na “rocha firme”.
Afonso será missionário em tudo o que faz. Como pregador, confessor, líder. E como escritor. Estima-se que escreveu 111 obras, entre pequenos textos de poucas páginas sobre algum tema de fé ou como apoio à oração, até à sua maior obra, a Teologia Moral, que o faria ser aclamado, no séc. XIX, como Doutor da Igreja. Afonso tem uma grande experiência como catequista, e como nobre versado nas letras. As suas excepcionais qualidades, porque permite que o Espírito Santo as consagre, tornam-se carismas, dons para toda a Igreja. Obras suas de espiritualidade seriam editadas e traduzidas centenas de vezes, e é sem exagero que dizemos que a sua espiritualidade foi uma das bases da vida cristã até meio do séc. XX.
O Redentorista
E, a 25 de Fevereiro de 1749, 16 anos após a fundação, a Congregação recebe finalmente a aprovação papal. Já não era sem tempo! A partir de agora, é reconhecida oficialmente como uma família dentro da Igreja, com o seu jeito próprio de abraçar a missão apostólica de continuar Cristo hoje, no mundo. Na altura, contava com 34 padres, no sul de Itália. Hoje, entre padres e irmãos, são cerca de 5500 espalhados por todo o mundo, sem contar com todos os leigos que, pela sua ligação no Espírito Santo, são verdadeiros redentoristas!
A Congregação é aprovada com o nome de Santíssimo Redentor, e não Salvador, por já haver um instituto com esse nome. Pensemos um pouco no sentido da palavra redentorista. O redentorista é, claro, como qualquer cristão, discípulo de Cristo. Mas o que significa falar de Cristo enquanto Redentor?
O Amor é fecundo. Desde o princípio, Deus, como Família de Amor em plenitude, sonha o Homem como fruto Seu. Desde o princípio, o Espírito Santo, o “sopro de vida”, torna o Homem “um ser vivente” (Gn 2, 7), moldando-o “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1, 27), ou seja, possibilitando-o a que se realize como pessoa.
Deus ama demais o Homem para o criar perfeito, e, por isso, ao sétimo dia, descansa, retira-se, afasta-se (Gn 2, 2,). O Homem está chamado a construir-se, a tomar parte na sua própria Criação, para passar do sexto dia para o dia de Deus, o sétimo. É esse o Projeto de Deus.
Mas o Homem, desde o princípio, consegue introduzir na marcha da Criação, ritmos contrários ao Amor. Torna-se a fonte de critérios para si próprio, representado pela posse do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal (Gn 3, 6). Isto fá-lo esconder-se de Deus, e romper as relações entre homem e mulher e com a Criação. Os filhos provocam o fratricídio, o contrário ao Projeto de Deus. É a lógica do pecado. O Homem afasta-se da Árvore da Vida.
Mas nem isso faz alterar o Projeto de Deus. O Seu Amor é perfeito, e não desiste. Por isso, o mesmo Espírito Santo que constantemente vai apelando no íntimo de cada um no sentido da construção pessoal, vai também revelando o Projeto de Deus para todos os homens. Surge um Povo com quem Deus faz uma Aliança, o povo de Abraão, que deveria anunciar a todos os povos esse Amor criador. Mas esse Povo vai tendo também as suas infidelidades… E nem por isso Deus desiste.
Até que, na “Plenitude dos Tempos”, Deus enviou o Seu Filho, portador do Espírito Santo sem medida, para realizar o Seu Projeto: a assunção do Homem na Sua Família, como filhos em relação a Deus-Pai, irmãos em relação a Deus-Filho. Jesus de Nazaré, na Sua Ressurreição, possibilita que o Espírito Santo se espalhe por toda a Humanidade não só como humanizador e revelador, mas já também como divinizador (Gal 4, 4-7). O Homem já pode comer do fruto da Árvore da Vida (Ap 22, 2)
Assim, Jesus de Nazaré é o Cristo, o Redentor do Homem: pelo Seu Espírito Santo somos resgatados do pecado para entrarmos na comunhão com Deus. Anunciar a Jesus como o Redentor é anunciar o Amor de Deus como iniciativa de reconciliação, esse Amor primeiro, que não tem em conta o nosso pecado. Porque o Amor de Deus é maior que todas as infidelidades do Homem. Por isso, de modo particular, Afonso e os redentoristas se dirigem aos mais abandonados: têm a Boa-Nova do Amor não desistente de Deus! À imagem de Jesus de Nazaré, que sempre se dirigiu aos “impuros” da lei judaica…
Esta é a nossa visão acerca do significado do nome “redentoristas”. E o nosso Afonso? Com a aprovação papal, continua a trabalhar nas missões. As dificuldades são grandes, e poucos são os que suportam a dura vida de missionários junto dos mais pobres. Uns morrem, outros desistem. Mas o lema de Afonso é simples: “basta poucos, desde que queiram ser santos”. Prefere-o a que sejam muitos, pois teme a infidelidade mais do que qualquer outra coisa.
Em todo o caso, não pensemos que aquela vida de canseiras e privações resultasse da vontade de Afonso! É a pobreza evangélica, a que conduz à liberdade, não deixando os missionários dependentes de interesses políticos e econômicos das classes nobres; assim, o seu anúncio podia ser verdadeiramente profético. Mas o facto de viverem entre os pobres e a desconfiança do poder real acerca das novas fundações colocavam constantemente a jovem Congregação em perigo de se dissolver. Muitas vezes Afonso é obrigado, contra sua vontade, a regressar a Nápoles para negociar licenças de construção de casas e novas missões com o governo; isso não o impede de ser muito requisitado na capital para retiros e pregações. E continua sem perder um minuto da sua vida.
Em Março de 1762, com 66 anos, numa altura em que Afonso começa já a afastar-se do intenso trabalho missionário por causa da sua saúde, o papa Clemente XIII nomeia-o bispo da diocese de S.ª Águeda dos Godos. A princípio recusa. Mas logo é, literalmente, obrigado a aceitar, sob voto de obediência.
S. Águeda é uma diocese no sul de Itália com 40 mil habitantes e, claro, um grande número de padres e religiosos. Isso não impedia que houvesse zonas abandonadas. Afonso é recebido como um santo, e têm que lhe colocar o chapéu episcopal do predecessor, entretanto falecido, por não ter dinheiro para comprar o seu. Mas manda para trás presentes dos nobres da região.
Naturalmente, não deixa de ser o religioso e o missionário. Continua com o mesmo ritmo pessoal de oração e trabalho, sem perder um minuto. Como bispo, passa o dia em atendimento, seja a nobres ou a mendigos. A porta de sua casa está sempre aberta, sem porteiro ou secretário algum. E, claro, inicia a “missão permanente” na catedral, com pregações, meditação e oração sob a sua liderança direta.
Afonso é exigente com os seus próximos. Após várias advertências, usa das indicações dadas pelo Concílio de Trento, dois séculos antes, e manda prender três clérigos da diocese, por manterem uma vida irregular face à missão que lhes foi atribuída. Intimou religiosos pouco fiéis a que abandonassem a diocese. Tal como Jesus, no Templo, também é preciso por vezes usar de chicote. E continua a missão permanente em S. Águeda.
A formação dos padres era uma questão delicada na altura. Poucos eram os padres com cursos de teologia, e só nas grandes cidades. Os seminários foram implantados apenas com o Concílio de Trento. Será uma preocupação fundamental de Afonso como bispo: proporcionar aos seus padres uma formação contínua, que os leve a serem também verdadeiros evangelizadores nas suas paróquias (na altura, só os missionários e pregadores é que faziam homilias e catequeses). Para isso chamará as congregações missionárias e ele próprio escreverá diversos manuais.
Outra das primeiras medidas seria a reforma do Seminário. Melhor seleção de candidatos, obras de melhoramentos, avaliação mais exigente. Procurou criar um ambiente familiar que proporcionasse aos jovens um bom ambiente de estudo e oração. E sobretudo, muita exigência de santidade aos formadores! Procurou – caso único na época – que jovens das aldeias se candidatassem, sem encargos para as suas famílias pobres, para mais tarde dispor de padres que aceitassem rumar a estes locais. Na altura, era normal os padres saírem de famílias com posses, e regressavam a elas depois dos estudos.
Abrirá os portões do palácio episcopal para as crianças que passam os dias abandonadas, enquanto os pais trabalham. Providenciará alimentos para os muitos miseráveis, principalmente no ano de 1763 em que houve grande fome. Chama missionários, entre os quais os seus redentoristas, para levarem a cabo inúmeras missões por toda a diocese. Ele próprio, apesar da idade, visitará toda a sua diocese de dois em dois anos, sempre com o seu jeito que já conhecemos.
É como bispo que mais tarde virá ao de cima a sua veia catequista. Escreve pequenos textos e tratados para os seus padres e fiéis. Continua o seu trabalho de teologia moral. E visita as crianças às suas casas para as crismar, muitas vezes nos bairros mais pobres da diocese.
O Santo
Finalmente, a 9 de Maio de 1775, à quinta tentativa, a renúncia de Afonso é aceite pelo Papa. Foram treze anos como bispo, em que levou o Evangelho de Jesus Cristo a S. Águeda dos Godos. Regressa à sua casa redentorista em Pagani. Está doente e cansado, mas continua a atender e a escrever, sempre a avisar o seu editor de que pode ser a sua última obra… durante doze anos. Já o seu pai José lhe dizia que era um grande teimoso e de cabeça dura!
Continua como o líder dos redentoristas, escrevendo Cartas Circulares onde apela aos novos que se mantenham fiéis ao Espírito Santo na Congregação, ao amor a Jesus Cristo. Dá instruções também sobre o bom funcionamento das missões.
Em 1772, a Congregação sai do estado de Nápoles, chegando aos chamados Estados Pontifícios, a norte, cuja capital é Roma e cujo governador é o próprio Papa. Também já havia chegado à ilha da Sicília, a sul.
Mas estes dois estados tinham diferentes sistemas e governadores, e neste caso eram opositores. O poder real de Nápoles pressionava uma separação entre o poder político e o poder religioso, e o Papa não gostava. Esse facto irá afetar a vida da Congregação na última fase da vida de Afonso.
Afonso, em Nápoles, tem de lidar com o seu rei – e os missionários que estão nos Estados Pontifícios não. Surge a divisão. Estes recusam a autoridade de Afonso em 1780, sob pressão do Papa, por acharem que Afonso está controlado pelo rei de Nápoles. A própria aceitação da Congregação em Roma fica em causa. Surgem dois governos.
Isto não impede que a Congregação se expanda no estado romano, e que Afonso lhes escreva a louvá-los e a pedir que continuem o seu trabalho! O que aconteceu foi que, enquanto Afonso esteve distante como bispo, o governo da Congregação não se renovou, permanecendo desde o tempo da fundação. Os novos membros que entretanto entravam não terão sido bem acompanhados.
A partir daí, Afonso cai gravemente doente. Já não consegue escrever ou rezar a não ser no seu quarto. Os escrúpulos, que toda a vida o acompanharam, assaltam-no em força. Terá sido fiel na sua vida? Terá alguma vez desrespeitado a vontade de Deus? Qual será sua sorte no dia do Juízo? Eram as questões que Afonso constantemente se colocava. Não nos podemos esquecer do tempo de grande rigorismo moral e temor que predominava; se Afonso procurava libertar as pessoas desses medos, mais se sobrecarregava a si próprio.
Finalmente, morrerá a 1 de Agosto de 1787, com 90 anos. A sua Congregação, no Estado de Nápoles e nos Estados Pontifícios, conta com 183 membros. Morrerá acompanhado de inúmeros irmãos, especialmente dos mais novos.
Em 1790, temos a reunificação da Congregação, e não mais se separará. Entretanto, em 1785, um alemão, de nome Clemente Hofbauer, é ordenado padre como redentorista, em Roma, com 34 anos. Parte de Itália, e irá fundar a Congregação para lá dos Alpes, na Áustria, Polônia e Suíça. Será o “S. Paulo” da Congregação. No séc. XIX, os redentoristas chegarão aos EUA, a acompanhar os emigrantes alemães, os abandonados dessa época. Chegarão a Portugal em 1826 pela primeira vez, estabelecendo-se definitivamente em 1935, após diversas expulsões.
Falar de Afonso é falar de uma história de fidelidade. Por fidelidade, no meio das suas muitas imperfeições próprias de alguém em construção, procurou regressar às origens da Igreja, ao zelo apostólico e ao amor a Jesus Cristo. Permanecer fiel ao espírito de Afonso é permanecer fiel a estas dimensões. Na minha experiência pessoal, ser redentorista é sobretudo crescer como cristão maduro e apaixonado. Como Afonso o foi.

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