“Estou convencido de quanto mais utopias menos drogas , quanto menos utopia , mais drogas .
E o mundo ho je carece de utopias libert árias ”, diz o dominicano Frei Betto
E o mundo ho je carece de utopias libert árias ”, diz o dominicano Frei Betto
A
Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco)
concedeu o Prêmio José Martí 2013 ao teólogo mineiro, Frei Betto. Este prêmio, José
Martí (um ilustre personagem cubano), criado em 1994, reconhece contribuições
extraordinárias de organizações e de indivíduos à unidade e a integração da
América Latina e do Caribe baseada no respeito
das tradições culturais e nos valores humanistas. “Frei Betto foi eleito por
seu trabalho como educador, escritor e teólogo, por sua oposição a todas as formas
de
discriminação,
injustiça e exclusão e por sua promoção da cultura de paz e os direitos
humanos”, detalhou a Unesco. Segundo Frei Betto, o caminho da paz é o mesmo que
foi pregado pelo profeta Isaías, 700 anos antes de Jesus Cristo. Ele disse seguir
a receita bíblica em seu trabalho e em suas ações. “A paz tem que vir da
justiça. Para isso, eu tenho lutado
e
este também é o significado do prêmio, que é um reconhecimento de todos que
lutam nesta linha assinalada pelo profeta Isaías”, frisou o religioso.
O
premiado, autor de mais de 50 livros traduzidos para vários idiomas, ingressou
na ordem dos dominicanos aos 20 anos de idade, quando estudava jornalismo.
Frei
Betto que foi preso pela ditadura militar duas vezes no Brasil nos anos 60,
disse que muitos jovens hoje são engajados, mas segundo ele, as drogas ainda
são um problema preocupante. De acordo com o teólogo, a juventude atualmente
precisa de mais ideologias. “Na minha geração, aquela que tinha 20 anos nos anos
60 do século 20, havia drogas. Mas a incidência não era tão grande porque nós
éramos viciados em utopia. E estou convencido de quanto mais utopias menos
drogas, quanto menos utopia, mais drogas.
E
o mundo hoje carece de utopias libertárias. Hoje, as grandes ambições são de
bem-estar material. Não há uma preocupação altruísta. Hoje, os heróis da
juventude não são mais aquelas pessoas como Gandhi, Che Guevara, Mandela, Luther
King. Hoje, não. São as celebridades da moda, do mundo pop, do esporte” –
destacou.
O
dominicano indica o rumo para a juventude: “A educação é a solução, fora e
dentro das prisões. Como evitar a criminalidade se 5,3 milhões de jovens
brasileiros, com idade entre 18 e 25 anos, estão fora da escola e sem
trabalho?”
Frei
Betto é escritor e assessor de movimentos sociais. Autor de 53 livros, editados
no Brasil e no exterior, ganhou por duas vezes o prêmio Jabuti (1982, com
“Batismo de Sangue”, e 2005, com “Típicos Tipos – perfis literários”).
Carlos
Alberto Libânio Christo (Frei Betto), nasceu em Belo Horizonte, em 1944, e
professou na ordem dominicana em 1966. Adepto da Teologia da Libertação, é militante
de movimentos pastorais e sociais, tendo ocupado a função de assessor especial
do presidente
da
República Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2004. Foi coordenador de
Mobilização Social do programa Fome Zero. Frei Betto tem recebido outros
prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares.
O
Prêmio José Martí 2013 foi entregue a Frei Betto na Terceira Conferência
Internacional sobre o Equilíbrio Mundial, que se realizou nesse final de
janeiro, em Havana, Cuba.
Fonte: "Nosso Guia" (fev/2013)
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