
Nas
religiões, no entanto, encontramos a noção de santidade como expressão
de vida exemplar de quem é temente a Deus e procura estabelecer relação
de fidelidade a Ele, de modo a colocar em prática suas
inspirações e suas orientações. A santidade de uma pessoa é reconhecida
oficialmente pela Igreja como exemplo a ser seguido e por sua instância
junto a Deus em benefício da pessoa que o invoca.
Às vezes se julga a santidade como algo inatingível por muitos, devido aos próprios limites,
problemas e falhas. Deus nos fala para sermos santos como Ele o é.
Jesus nos desafia a sermos perfeitos como o Pai. Desse modo, a santidade
e a perfeição parecem utopias. Mas, em relação a nós, pecadores, a
santidade não é a conquista já ou imediata da perfeição. É sim a busca
sincera e comprometida com a realização do projeto de Deus a nosso
respeito. Progressivamente vamos nos depurando ou purificando de nossos
defeitos e erros: “Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como
também ele é puro” (1 Jo 3, 3). É evidente que a santidade não é o
simples esforço humano a conquistá-la. Para adquiri-la a pessoa deve ser
humilde em reconhecer a própria fragilidade e a bondade infinita de
Deus. Confia nele. Sua graça é que nos faz santos. No entanto, o esforço
humano em colaborar com a ação de Deus deve ser bem manifesta.
Tivemos
grandes pecadores que, tocados pela ação de Deus, mudaram completamente
suas vidas e se puseram em consonância com o projeto dele. Pedro,
Paulo, Agostinho, Inácio de Loyola e tantos outros são eminentes
convertidos. Não há tamanhos pecadores que não possam superar seus
limites. As bem-aventuranças são o caminho a ser buscado por quem
realmente quer se encontrar e realizar na vida (Cf. Mt 5, 1-12). É o
caminho da busca do ideal apresentado por Jesus.
Há santos e santas no mundo atual, com verdadeiras características do ser humano engajado na história.
Sua marca tem sido forte na família, na Igreja, nas profissões, no
trabalho, na política, na ciência, na economia, na mídia... Não se
deixam corromper. Defendem o direito e a justiça. São éticos. Fazem
família conforme sua razão de ser, seguindo os critérios e valores
humanos e transcendentes. Não seguem o caminho das facilitações imorais.
Responsabilizam-se pelo bem da comunidade. Levam a sério sua condição
humana e religiosa. Depois de sua caminhada terrestre vão se encontrar
no meio dos bem-aventurados: “Depois disso, vi uma multidão imensa de
gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia
contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro...” (Ap 7, 9).
Ninguém já é santo completo desde o nascimento, a não ser o Filho de Deus e Maria.
É preciso que seja marcado com o sinal de redenção e corresponda ao dom
da mesma levada a efeito no decorrer da vida. Por isso, vale a pena
cada um fazer a própria história na correspondência à graça da salvação
recebida. A fidelidade a Deus nos coloca atentos ao sentido da vida
apresentada por Ele.
Dom José Alberto Moura
Fonte: Site N.Sra.P.Socorro - Prov. Rio

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