+9 DE
SETEMBRO 2012
Nasceu a 25.03.1926, em Paraíba do Sul RJ. Eram seus
pais: Josino Rodrigues de Souza e Maria Geralda de Souza. Morou também em Serra
Azul SP.
Entrou para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, a
10.08.1938. Durante o ano de 1945, fez o Noviciado em Pindamonhangaba, onde fez
a Profissão Religiosa na CSSR, a 02.02.1946.
Estudou Filosofia e Teologia no Seminário Santa
Teresinha em Tietê. Aí fez a Profissão Perpétua a
02.02.1949.
Foi Ordenado Sacerdote, na Igreja Matriz de Tietê SP,
a 27.12.1950, por Dom José Carlos de Aguirre, Bispo de Sorocaba
SP.
Iniciou
sua Vida Apostólica como professor no Seminário Santo Afonso, em Aparecida. Foi
também Diretor Espiritual dos seminaristas.
De junho de 1967 a junho de 1968, no Instituto «Lumen
Vitae», em Bruxelas, na Bélgica, fez curso intensivo de Catequese e
Pastoral.
Voltando da Europa, em 1969, foi transferido para
Goiânia, dedicando-se à pregação das Missões.
Em 1970, foi eleito Vice-Provincial da Vice-Província
de Brasília.
Foi durante seu segundo triênio, como Vice-Provincial,
que, a 12.12.1974, o Papa Paulo VI o nomeou Bispo de Juazeiro BA. Foi Sagrado
Bispo, na Matriz de Campinas, em Goiânia GO, a
09.02.1975.
Tomou posse na Diocese de Juazeiro BA, a 16.02.1975.
A 04.06.2003, o Papa João Paulo II aceitou sua
renúncia ao governo da Diocese. A seguir, foi residir em Trindade GO,
dedicando-se à Pastoral no
Santuário do Divino Pai Eterno.
Faleceu na manhã do dia 09 de setembro depois de
vários dias de internação na UTI,
em Goiânia GO. Descanse em Paz
Pe. José Bertanha,
C.Ss.R.
Arquivista
Provincial
Morreu o profeta do
semiárido.
Roberto Malvezzi
(Gogó)
D. José José Rodrigues foi o homem certo,
no lugar certo, na hora certa. Quando chegou a Juazeiro para ser bispo, a
barragem de Sobradinho estava em construção. Então, ele assumiu a sorte dos
relocados, depois dos pobres em geral e nunca mudou. Chegou em
1975.
Aqui era área de segurança nacional,
regime militar, ACM governador, prefeitos nomeados pelo presidente da república.
Não havia partidos, nem organizações populares. Então, com poucos padres e
religiosas, chamou leigos para apoiar os 72 mi relocados. Assim, a diocese foi
durante muito tempo o abrigo para cristãos, comunistas, ateus, qualquer um que
movido pela justiça assumisse a causa do povo.
Depois enfrentou o período das longas
secas. Criou pastorais populares. Fez o opção radical pelos pobres e comunidades
eclesiais de base. Usava as rádios e seu poder de comunicação para defender os
oprimidos pelo peso dos coronéis e do regime
militar.
Quando um gerente do Banco do Brasil foi
seqüestrado, ele aceitou ser trocado. Ficou sob a mira dos revólveres por dias,
começando sobre a ponte que liga Juazeiro a Petrolina. Depois visitou seus
seqüestradores na cadeia e ainda fez o casamento de um
deles.
Abrigou na diocese toda convivência com o
semiárido, muito lembrado nesses tempos de estiagem. Por isso, quando a ASA fez
um de seus encontros nacionais, quis fazê-lo em Juazeiro para homenagear esse
profeta do semiárido.
Costumava contar que recebeu muitos
presentes quando chegou e foi reverenciado pela elite. No terceiro ano ganhou
três camisas. No quinto ano ganhou de presente uma única camisa dada por uma
prostituta que freqüentava a escola Senhor do Bonfim, trabalho feito junto às
prostitutas da cidade.
Quando foi embora saiu com toda a mudança
que trouxe: uma mala que cabia uma muda de roupas – que ele lavava todas as
noites para vestir no dia seguinte – e seu livro de
oração.
Na celebração de despedida afirmou na
catedral: “nunca trai os pobres, nem em época de
eleição”.
D. José faleceu nessa madrugada, dia 9 de
Setembro, em Goiânia, comunidade redentorista de Trindade, para onde foi depois
de 28 anos em Juazeiro.
Seu corpo será transladado para Juazeiro
na segunda-feira, onde será enterrado. Aqui, sua memória jamais será esquecida
por aqueles que com ele conviveram, sobretudo, pelos em situação de pobreza, nos
corações dos quais ele reside.
Obrigado, colega e
amigo Malvezzi, por esse retrato vivo dos anos de Dom José Rodrigues em
Juazeiro. Alguns fatos eu os conhecia pelas revistas da época: sequestro etc.
Como conhecia seu espírito de pobreza, seu desapego das coisas deste mundo.
Contaram-me que nem sua gramática de portuiguês, a conhecida e velha Gramática
Metódia da Língua Portuguesa, do inesquecével Napoleão Mendes de Almeida, para a
qual chegou a contribuir com sugestões que acabaram incorporadas a ela, nem essa
gramática carregava mais com ele. De fala e escrita sempre escorreitíssimas,
pois o português era a língua que amava e conhecia em profundidade – "Última
flor do Lácio, inculta e bela!" – já certamente não tinha mais tempo para a ela
se dedicar, tal a entrega total ao povo que lhe fora confiado pela Igreja, por
Deus. Ah, meu pequenino e grande professor de português! Hoje, além da língua
que sabias e ensinavas com maestria, falas todas as línguas, e, com elas, a
língua dos anjos, no louvor eterno ao Criador. Salve Dom José Rodrigues de
Souza, pequeno em estatura, gigante em espírito, acolhem-te alegres no céu os
desvalidos da sorte que assististe nesta vida. Acolhe-te Afonso, cujo ardor
missionário procuraste imitar, na busca dos "cabreiros" mais distantes, mais
abandonados. Acolhem-te os irmãos redentoristas com quem conviveste e te
precederam na glória. Não te esqueças dos que ficamos, que o admiramos pela
garra, força, constância e perseverança no bem que sempre procuraste fazer, como
o Jesus do evangelho de hoje: "Tudo ele tem feito bem!" (Mc 7,37).
09/09/2012
A.
Bicarato.




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