
A VOCAÇÃO DE SER CATEQUISTA
“Ser
catequista é viver uma vocação característica dentro da Igreja. Ela é
uma realização da vocação batismal. Pelo Batismo, todo cristão é
mergulhado em Jesus Cristo, participante de sua missão profética:
proclamar o Reino de Deus. Pela Crisma, o catequista é enviado para
assumir sua missão de dar testemunho da Palavra com força e coragem”.
Doc. 59 (Estudos da CNBB), n. 44
Ser catequista é
um chamado de Deus. Deus chama por meio de acontecimentos e pessoas.
Seu chamado geralmente se faz através de uma mediação. Não ouvimos a voz
de Deus diretamente, nem O vemos. Deus se comunica conosco através de
”sinais” ou mediações. Pode ser uma pessoa, uma leitura, o contato com a
realidade humana ou um acontecimento. Seu chamado faz um forte apelo ao
engajamento, à ação e ao compromisso com a Igreja. A palavra vocação
significa ação de chamar. Supõe o encontro de duas liberdades: a
absoluta de Deus, que chama, e a liberdade humana, que responde a esse
chamado.
Qualquer pessoa pode chamar
outra para dizer algo. Mas, quando usamos a palavra “vocação”, estamos
falando de um chamado especial de Deus e, de outro lado, uma resposta
livre, pessoal e consciente do vocacionado. Vocação é algo que atinge
decisivamente a existência de uma pessoa. Perceber através dos
acontecimentos da história, assumir e viver fielmente a vocação é o
caminho para os que desejam realizar a vontade de Deus, antes mesmo que a
sua própria vontade.
A vocação é iniciativa de Deus
que nos convoca para uma missão e é também resposta convicta que damos a
Ele, colocando-nos à sua disposição. O catequista alguém que, com
raízes na fé, na oração e na vida do povo, percebe a urgência de
emprestar seu coração, sua voz, todo o seu ser a Deus e torna-se
instrumento do seu amor e da sua bondade para uma comunidade. É a pessoa
que continua o caminho aberto por tantos profetas, apóstolos,
discípulos e discípulas de Jesus que deram a vida pela causa do
Evangelho.
A vocação do catequista é,
antes de tudo, profética. Como um verdadeiro proclamador da Palavra, o
catequista é chamado a ser a antena de Deus no meio do seu povo,
captando os sinais de vida e de morte e apresentando sempre a pessoa de
Cristo como referência e caminho seguro. Ser catequista-profeta exige
firmeza, coragem para apontar tudo aquilo que contraria a vontade de
Deus; requer testemunho que fala mais do que as próprias palavras. É
sondando a vida de seu povo que o catequista descobre os apelos que Deus
lhe faz e se sente verdadeiramente chamado por Ele e pelas pessoas que
dele precisam.
Uma vocação só se mantém numa autêntica espiritualidade.
Sem intimidade com Deus e capacidade de acolher a sua vontade, tantas
vezes misturada à dura realidade da vida, nenhuma vocação amadurece,
nenhum catequista dá conta de sua missão. Por isso mesmo, a vida de
oração é fundamental para sustentar o ministério do catequista. E não
somente a oração particular, mas a participação na comunidade que reza e
celebra sua fé, a meditação constante da Bíblia e a experiência de Deus
que se faz, de modo especial, no amor aos mais pobres e necessitados. A
descoberta e vivência da vocação do catequista se dão na Igreja, na
vida em comunidade.
Toda missão catequética deverá
ter a consciência de que o catequista é Igreja e atua sempre em nome
dela. Sendo catequista do povo, exercerá sua missão com a sensibilidade
de quem conhece bem a realidade do mundo, ouve os clamores de sua gente e
é capaz de levar sempre uma proposta que encontre eco no coração das
pessoas. O documento Catequese Renovada (CR) já lembrava: “integrado na
comunidade, conhece sua história e suas aspirações e sabe animar e
coordenar a participação de todos” (CR 144); “é porta-voz da experiência
cristã de toda a comunidade” (CR 145). Assim, ele vence qualquer
isolamento ou individualismo. Sua vocação será tanto mais compreendida e
vivida com alegria, quanto mais o catequista fizer a experiência
fraterna no grupo de catequistas e na sua comunidade.
O medo é um grande
obstáculo à vivência de uma vocação madura. Muitas pessoas deixam de
servir a Deus e aos irmãos, renunciando à própria felicidade, porque têm
medo de fracassar, de não serem compreendidos. É preciso crescer na
certeza de que a obra é de Deus e, se Ele nos convida para o seu
serviço, também nos dá as graças necessárias para bem realizá-lo. O medo
e a insegurança não podem ser obstáculos a uma resposta positiva ao
chamado de Deus. O catequista consciente de sua vocação e da beleza de
sua missão, é alguém que serve a sua comunidade com alegria. Ele sabe
que não é um funcionário da Igreja, mas voluntário e alegre servidor do
Reino que procura fazer tudo com muito amor.
É
aquele que contagia os outros com seu entusiasmo. Vibra diante dos
desafios que encontra, pois sabe que Deus o colocou ali para abrir
caminhos, para semear a esperança, para construir a vida. Vamos recordar
algumas pessoas que são estímulo para a nossa vocação. São testemunhos
de pessoas que, tocadas pelos apelos da vida, pelos acontecimentos da
história, da sua comunidade e do seu povo responderam corajosamente ao
chamado de Deus:
Abraão
(Gn 12, 1-9; 15,1-20): A vocação de Abraão está ligada à história de
cada vocação: sair de si mesmo para construir um mundo melhor. Deus o
chamou para liderar o projeto da formação do povo de Deus. Moisés (Ex
3,1-12; 6,2-13): Foi chamado para ser animador do povo. Foi chamado
especificamente para ser instrumento da libertação de Deus para o povo. Jeremias
(Jr 1, 4-10; 15,10-21): Jeremias, como os demais profetas são chamados
para o anúncio da Palavra e para a denúncia das injustiças, dando a
própria vida.
Um apoio para a reflexão:
“O fruto da evangelização e da catequese é fazer discípulos, acolher
a Palavra, aceitar Deus na própria vida, como dom da fé. O seguimento
de Jesus Cristo realize-se na comunidade fraterna. O discipulado, como
aprofundamento do seguimento,implica renúncia a tudo o que se opõe ao
projeto de Deus” (DNC 34).
"A
Catequese é um ato essencialmente eclesial. Não é uma ação particular. A
Igreja se edifica a partir da pregação do evangelho, da catequese, da
liturgia, tendo como centro a celebração da Eucaristia. A catequese é um
processo formativo,
sistemático, progressivo e permanente de educação da fé. Promove a
iniciação à vida comunitária, à liturgia e ao compromisso pessoal com o
Evangelho. Mas prossegue pela vida inteira, aprofundando essa opção e
fazendo crescer no conhecimento, na participação e na ação” (DNC 233).
“Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este
tesouro aos demais é uma tarefa eu o Senhor nos confiou ao nos chamar e
nos escolher” (DA 18). “Aos catequistas, delegados da Palavra e
animadores de comunidades que cumprem uma magnífica tarefa dentro da
Igreja, reconhecemos e animamos a continuarem o compromisso que adquiriram no batismo e na confirmação” (DA 211).
“Quanto
à situação atual da catequese, é evidente que tem havido um progresso.
Tem crescido o tempo que se dedica à preparação para os sacramentos.
Tem-se tomado maior consciência de sua necessidade tanto nas famílias
como entre os pastores. Compreende-se que ela é imprescindível em
toda formação cristã. Tem-se constituído ordinariamente comissões
diocesanas e paroquiais de catequese. É admirável o grande número de
pessoas que se sentem chamadas a se fazer catequistas, com grande
entrega. A elas, esta Assembléia manifesta um sincero reconhecimento” (DA 295).
“A catequese não deve ser só ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à iniciação cristã, mas sim “um itinerário catequético permanente” (DA 298). “O encontro com
o Ressuscitado transforma o medo em coragem; a fuga em empolgação; o
retorno em nova iniciativa; o egoísmo em partilha e compromisso até a
entrega da vida” (Texto Base do Ano Catequético, n. 3). “A catequese,
começando pela iniciação cristã e chegando a constituir-se em um
processo de formação permanente, é caminho de encontro pessoal
e comunitário com Jesus Cristo, que é capaz de mudar nossa vida, levar
ao engajamento na comunidade eclesial e ao compromisso missionário. Quem
se encontra com ele, põe-se a caminho em direção aos irmãos, à
comunidade e à missão. (Texto Base do Ano Catequético, n. 6)
Fonte: Santuário de N.Sra.P.Socorro - Campos de Goitacazes - RJ
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