Paróquia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida
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Laura – Catequese do São Francisco, pergunta:
Por quê no Evangelho está escrito:
“O grão de trigo tem que morrer
para dar bons frutos”?
Pe. Célio Lopes dos Santos, C.Ss.R. responde
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Oi Laura. Tudo bem? Saudações a você e a todos que são Boa Notícia
para as pessoas. As coisas de Deus são lindas e simples, formam poesia,
música e parábolas. Deus é simples e isso facilita nossa aproximação com
Ele. Não é mesmo? Sua pergunta é uma passagem bíblica, e quer saber? É
uma das passagens bíblicas que eu mais gosto, porque se parece muito com
Jesus. Veja que bonito: está em João, capítulo 12, versículo 24. “Se o
grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre,
produz muito fruto.” Estas palavras de Jesus revelam o segredo da vida.
Não existe alegria de Jesus que não seja fruto de uma dor abraçada. Não
há ressurreição sem morte. Aqui Jesus fala de si mesmo e explica o
significado da sua existência. Faltam poucos dias para a sua morte. Será
dolorosa, humilhante. Por que morrer, justamente Ele que se definiu “Eu
sou a Vida”? Porque sofrer, Ele que é inocente? E, sobretudo, por que
Ele, que viveu na união constante com Deus, haveria de sentir-se
abandonado pelo seu Pai? Também Ele sente medo da morte. No
entanto, ela terá um sentido: a Ressurreição. Jesus tinha vindo para
reunir os filhos de Deus dispersos, para derrubar toda e qualquer
barreira que separa povos e pessoas, para irmanar os homens divididos
entre si, para trazer a paz e construir a unidade. Mas havia um preço a
ser pago: para atrair todos a si, Ele deveria ser levantado da terra, na
cruz. Daí a parábola, a mais bonita de todo o Evangelho: “Se o grão de
trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz
muito fruto.” Aquele grão de trigo é Ele. Ali Ele doou tudo: aos
carrascos, o perdão; ao ladrão, o Paraíso; a nós, sua Mãe e o próprio
Corpo e Sangue. Deu a sua vida até o ponto de gritar: “Deus meu, Deus
meu, por que me abandonaste?”. E deu nos a possibilidade de nos
tornarmos filhos de Deus: gerou um povo novo, uma nova criação. No dia
de Pentecostes, o grão de trigo caído na terra e morto já florescia qual
espiga fecunda: três mil pessoas de todos os povos e nações são
transformadas “num só coração e numa só alma”. Depois são cinco mil, e
depois… você, eu, a nossa Igreja – todo o povo de Deus, todo o povo
Dele. Isso nos
inspira muito, não? “Se o grão de trigo que cai na terra não morre,
ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto.” O que nosso Mestre fez
para “produzir muito fruto”? Compartilhou todo o nosso modo de ser.
Assumiu sobre si os nossos sofrimentos. Conosco, Ele se fez trevas,
melancolia, cansaço, contraste… Experimentou a traição, a solidão, a
orfandade… Numa palavra: Ele “se fez um” conosco, carregando tudo aquilo
que para nós era um peso. Tornemo-nos com Ele um grão de trigo.
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