Por Frei Almir R. Guimarães, OFM
A
chave do sucesso dos primeiros irmãos que eles estavam juntos,
profundamente juntos, solidamente juntos. O que acontecia a um deles,
afetava a todo o grupo e todo o grupo reagia, agindo, tomando posição.
Não sobreviveremos, não provocaremos nenhum impacto, se não seguirmos o
mesmo caminho. Sozinhos, estaremos perdidos. Sozinhos nada podemos
fazer. O sistema é‚ poderoso demais. Juntos, porém, podemos mudar as coisas. Seremos uma grande massa? Certamente que não. Bem no começo eles eram um punhadinho de frades. Toda a revolução começa com muito pouca gente. O importante ‚ é lutar juntos. Não abandonar ninguém. Isso
cria uma sociedade, isto é, um espírito de companheiros. As pessoas
vivem juntas: um por todos e todos por um. A partir de então, tudo se
torna possível. Um mundo melhor ganha visibilidade. (Jean-François
Godet-Calogeras, Evangile Aujourd…hui, n.220,p 28).
No
jubileu dos 800 anos do carisma franciscano nos perguntamos qual‚,
efetivamente, nosso lugar no mundo presente e nos dias do amanhã. Não se
trata apenas de sobreviver, mas fazer de sorte que o carisma
franciscano continue vivo e possa, por nosso intermédio, ser fermento de
transformação da sociedade. Precisamos estar convencidos de que uma
missão nos é confiada a partir do fascínio que Cristo exerceu sobre nós
para que seguíssemos o itinenário franciscano. E o tema
da fraternidade parece fundamental nesse contexto. Tememos adotar uma
postura moralista ou moralizante. Temos sempre receio, talvez um certo
pudor, de falar ou escrever sobre o assunto. Parece que tudo já dito e
escrito. Para que abordar o tema mais uma vez? E, no entanto, estamos
diante de elemento essencial para que o carisma franciscano possa ter
sentido nesses nossos tempos. O título dessa nossa comunicação tomamos
emprestado de Éloi Leclerc de seu antigo e sempre novo livro Francisco
de Assis. O retorno ao Evangelho (Vozes/CEFEPAL 1983, P. 56). “Ao lado da mobilidade apostólica e da pobreza pascal, o que caracteriza essencialmente esta nova forma de vida evangélica são os novos laços humanos que existem no interior do próprio grupo, que liberta de qualquer feudo e senhorio; a comunidade franciscana rejeita qualquer tipo de dominação e de toda precedência nas relações dos frades entre si. Todos são igualmente irmãos. Encontramos aqui uma aspiração fundamental daquela‚ época. A jovem comunidade, no pleno sentido da palavra, uma fraternidade” E. Leclerc evoca um texto fundamental da Regra de 1221: “Nenhum irmão exerça uma posição ou cargo de mando, e muito menos entre os irmãos” (p.60).
Ninguém
duvida que o Testamento que o Senhor Jesus nos deixou foi o de
nos amarmos uns aos outros. Desde a nossa mais tenra juventude andamos
buscando viver esse bem querer mútuo e acreditamos na fraternidade como um fermento de transformação da sociedade.
Fala-se muito em nossos dias da utopia da fraternidade. “Como todos os
sonhos de Deus, a fraternidade como‚ dom e, ao mesmo tempo, uma
responsabilidade que interpela nossa responsabilidade.
Construir
constantemente a fraternidade não é,‚ em primeiro lugar, uma questão de
horários e estruturas; supõe o acolhimento sincero do chamado do Senhor
que nos arranca de nossas seguranças e nos impele a ousar, com lucidez e
destemor, a viver aqui e agora, a utopia de fraternidade universal em
nossa realidade concreta com os irmãos com os quais nos é dado viver
justamente este hoje (Chamados à Liberdade, Documento do Secretariado Geral para a Formação dos Estudos da OFM, 2008, n. 10). A fraternidade está sempre em construção.
Precisa sempre ser revista e refeita. Nunca somos capazes de amar como
o Senhor nos amou. A fraternidade ‚ também é mistério porque só saberão e
poderão amar de verdade aqueles que permanecerem unidos ao Cristo
ressuscitado.
Os evangelhos do final do Tempo Pascal insistem no fato. O verdadeiro amor entre os homens não é um mero companheirismo, mas efeito da força do amor de Cristo em nós.
Nunca poderemos reduzir o mistério do amor fraterno a esquemas de mero
companheirismo. Os que se reúnem em torno de Francisco, os irmãos, são,
antes de tudo, gente que foi invadida pelo amor d'Aquele que deu a vida
pelos seus. T
Continua...
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