CALIGRAFIA E GRAFOSCOPIA
Alexandre Dumas Pasin de Menezes
Já fiz
referência anteriormente ao nosso refeitório sito no segundo pavimento do Colegião, era um salão amplo, os janelões dando para o Morro do Arranca Papo e também para a frente do prédio onde podíamos enxergar a Santa Casa, o Asilo e a serra da Mantiqueira. As mesas, compridas e com bancos inteiriços dispostos de cada lado, abrigava cada uma até dezesseis seminaristas, éramos perto de 200 e,
consequentemente, teríamos umas doze mesas. Um grande e potente rádio-vitrola alemão ficava no centro do salão ao lado de um pedestal destinado às leituras durante as refeições. A mesa do padre diretor e ou prefeito ficava em uma das extremidades ao lado da copa que tinha um elevador de serviço que nos trazia a comida da cozinha situada no andar térreo. Nesse salão, destinado obviamente às refeições diárias, aconteciam outros eventos, tais como transmissão de filmes, audição de músicas clássicas, aulas de civilidade, “Figo” e outros eventos que demandassem espaço maior.
As nossas
aulas de caligrafia, matéria dada às primeiras séries, eram ali ministradas, isto porque abrangia às vezes duas ou três salas. Padre Matos era o professor, dispúnhamos de caderno apropriado, caneta, daquelas antigas, e tinteiro. A ordem era grafar as letras dentro daquelas duas linhas estreitas, lançando para cima ou para
baixo os sinais característicos de cada uma.
Padre Matos ensinava que a grafia
mais bonita e recomendada era aquela cujas laçadas inclinavam para a direita,
tolerava-se a grafia retilínea, mas nunca aquela com tendências para a esquerda. Eu, que herdara de meu pai uma péssima caligrafia, tinha verdadeiro pavor daquelas aulas, minha letra tendia para a esquerda, padre Matos era enérgico e não me poupava de seu instrumento corretor, uma régua comprida, batia-a em meu caderno, às vezes acertando até a minha mão, mostrando o descumprimento de suas orientações, certa ocasião, acertou-a em meu tinteiro, entornando todo o líquido em meu caderno. Eu
gostava do padre Matos, ele era um bom educador, mas a minha caligrafia ele não conseguiu corrigir, eu tentava levar as letras para a direita, meus garranchos pioraram e assim foi pelo resto da
vida. Nas aulas de português, cujo professor era o padre Pereira, esmerava-me nas tarefas, procurava escrever corretamente, usava figuras de linguagem, metáforas, pensamentos poéticos e todos os artifícios que, no meu entender, podiam levá-lo a me atribuir boa nota. Padre Pereira era implacável, chegava, quando muito, na nota oito. Meus colegas, Getúlio Vaz, Tereso, João da Borda, Clayton, Rodolfo e outros colecionavam nota dez, todos tinham a caligrafia perfeita, leitura fácil e agradável. Cheguei à conclusão que padre Pereira ou não entendia as minhas idéias e a profundidade que eu queria dar aos meus textos ou não conseguia decifrar meus garranchos.
Egresso do seminário, a primeira coisa que procurei aprender foi datilografia, necessária a qualquer concurso que pretendesse fazer. Inicialmente, trabalhei no Banco Popular do Brasil, de Carmelo D'Agostini, onde fazia todo o meu serviço datilografado. Fui logo promovido e considerado um ótimo funcionário. Posteriormente, passei no concurso da Secretaria da Fazenda, fui indicado para o setor da diretoria de pessoal. Redigia portarias de nomeações, que seriam assinadas pelo Dr. Carvalho Pinto, todas perfeitas, sem rebatidas, enquadradas dentro de um espaço, milimetricamente alinhadas. Era o bom da bola. Vejam só, fui me esquecendo de escrever com caneta, rascunhava textos, mas depois os transferia para a máquina.
Meu destino final foi o Banco do Brasil, do qual me aposentei após 32 anos num cargo administrativo e, no passar desses anos todos, acompanharam-me máquinas de modelos mais antigos até as elétricas, mecanógrafas, digitais, etc. Fui tido, desde os primórdios, como excelente redator, escalado para redigir relatórios, dar pareceres e preparar palestras, tudo em função da facilidade que tinha em me expressar, tudo datilografado, é claro.
GRASFOCOPIA
Egresso do seminário, a primeira coisa que procurei aprender foi datilografia, necessária a qualquer concurso que pretendesse fazer. Inicialmente, trabalhei no Banco Popular do Brasil, de Carmelo D'Agostini, onde fazia todo o meu serviço datilografado. Fui logo promovido e considerado um ótimo funcionário. Posteriormente, passei no concurso da Secretaria da Fazenda, fui indicado para o setor da diretoria de pessoal. Redigia portarias de nomeações, que seriam assinadas pelo Dr. Carvalho Pinto, todas perfeitas, sem rebatidas, enquadradas dentro de um espaço, milimetricamente alinhadas. Era o bom da bola. Vejam só, fui me esquecendo de escrever com caneta, rascunhava textos, mas depois os transferia para a máquina.
Meu destino final foi o Banco do Brasil, do qual me aposentei após 32 anos num cargo administrativo e, no passar desses anos todos, acompanharam-me máquinas de modelos mais antigos até as elétricas, mecanógrafas, digitais, etc. Fui tido, desde os primórdios, como excelente redator, escalado para redigir relatórios, dar pareceres e preparar palestras, tudo em função da facilidade que tinha em me expressar, tudo datilografado, é claro.
GRASFOCOPIA
Nos anos setenta, no Banco do Brasil, fui convocado a fazer um Curso de Coordenador no Centro de Treinamento nas dependências de um mosteiro, parte alugada pelo Banco, em Ribeirão Preto (SP). Entre as matérias, havia uma que se chamava GRAFOSCOPIA, onde estudávamos a grafia na sua forma de ser, isto no intuito de analisarmos, no dia a dia de nossas tarefas bancárias, documentos e assinaturas de nossa clientela, reconhecendo a sua autenticidade ou detectando eventuais falsificações. Era uma matéria muito interessante e de alto nível. Em uma das aulas, o instrutor abordou a grafia dentro do aspecto de suas tendências, destrógiras, sinistrógiras ou retilíneas, as destrógiras levavam a grafia toda para a direita, as sinistrógiras para a esquerda e as retilíneas eram as grafias como se aprendia nas escolas. Ensinou-nos o professor que essa tendência era inata, cada um vai desenhando as letras e inclinando-as para direita ou esquerda dentro de um comando do cérebro, não havendo possibilidade de se estabelecer um padrão de escrita ideal e uniforme.
Naquele dia, como em todos anteriores ou subsequentes, terminadas as aulas, por volta das dezessete horas, dirigimo-nos ao “Pingüim” para beber o nosso Chopp e divagar sobre os ensinamentos aprendidos ou temas diversos abrangendo nossas vidas e nosso trabalho . Rômulo era meu parceiro de sala e também de mesa do “Pingüim”. Olhava eu absorto para a praça, os pássaros em algazarra faziam um barulho ensurdecedor, as árvores ainda recebiam em suas copas a luz solar, a tarde era bela.
Voltei ao meu passado e conjecturei em voz alta: "Padre Matos, destrógiras, sinistrógiras ou
retilíneas são tendências de grafia inatas, o valor das palavras não está contido na inclinação que se dá às
letras e sim naquilo que se quer
expressar!!!!”
Meu colega percebeu que eu balbuciava alguma coisa, perguntou-me o que estava tentando dizer. Disfarcei e respondi-lhe que observava a revoada dos pássaros, eles faziam movimentos para a direita e para a esquerda, para cima ou para baixo em perfeita sintonia. Eles nasceram com esse dom, Deus os fez assim. Vamos tomar mais um chopp e deixar voarem os pássaros, existem coisas que se ligam e nos levam a reminiscências do passado , a verdade é que gostei da aula de grafoscopia hoje!!!.
Meu colega percebeu que eu balbuciava alguma coisa, perguntou-me o que estava tentando dizer. Disfarcei e respondi-lhe que observava a revoada dos pássaros, eles faziam movimentos para a direita e para a esquerda, para cima ou para baixo em perfeita sintonia. Eles nasceram com esse dom, Deus os fez assim. Vamos tomar mais um chopp e deixar voarem os pássaros, existem coisas que se ligam e nos levam a reminiscências do passado , a verdade é que gostei da aula de grafoscopia hoje!!!.
Vivendo se
aprende!!!

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