CONSAGRAÇÃO À NOSSA SENHORA APARECIDA NA VOZ DO PADRE VITOR COELHO CSsR

Ó MARIA SANTÍSSIMA, PELOS MÉRITOS DO SENHOR JESUS CRISTO QUE EM VOSSA IMAGEM MILAGROSA DE APARECIDA ESPALHAIS INÚMEROS BENEFÍCIOS SOBRE O BRASIL, EU, EMBORA INDIGNO DE PERTENCER AO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS, MAS DESEJANDO PARTICIPAR DOS BENEFÍCIOS DA VOSSA MISERICÓRDIA, PROSTRADO A VOSSOS PÉS, CONSAGRO-VOS O ENTENDIMENTO, PARA QUE SEMPRE PENSE NO AMOR QUE MERECEIS. CONSAGRO-VOS A LÍNGUA, PARA QUE SEMPRE VOS LOUVE E PROPAGUE A VOSSA DEVOÇÃO.CONSAGRO-VOS O CORAÇÃO, PARA QUE, DEPOIS DE DEUS, VOS AME SOBRE TODAS AS COUSAS.RECEBEI-NOS, Ó RAINHA INCOMPARÁVEL, QUE NOSSO CRISTO CRUCIFICADO DEU-NOS POR MÃE, NO DITOSO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS. ACOLHEI-NOS DEBAIXO DA VOSSA PROTEÇÃO. SOCORREI-NOS EM NOSSAS NECESSIDADES ESPIRITUAIS E TEMPORAIS E, SOBRETUDO, NA HORA DA NOSSA MORTE. ABENÇOAI-NOS Ó MÃE CELESTIAL, E COM VOSSA PODEROSA INTERCESSÃO FORTALECEI-NOS EM NOSSA FRAQUEZA, A FIM DE QUE, SERVINDO-VOS FIELMENTE NESTA VIDA, POSSAMOS LOUVAR-VOS, AMAR-VOS E RENDER-VOS GRAÇAS NO CÉU, POR TODA A ETERNIDADE. ASSIM SEJA! ...PELA INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA, RAINHA E PADROEIRA DO BRASIL, A BÊNÇÃO DE DEUS ONIPOTENTE, PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO, DESÇA SOBRE VÓS E PERMANEÇA SEMPRE.AMÉM!

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20 de julho de 2012

Contos e Causos do Benedito Franco

019 - A loja do papai – II


Falava-se muito em mil reis, mas na realidade tudo era vendido em cruzeiros originais. Um centavo era igual a hum tostão. Um cruzeiro, igual hum mil reis e mil cruzeiros eram hum conto de reis. Acho que não havia salário mínimo e nem inflação.
Os tamanhos das moedas e notas variavam muito, mesmo algumas de mesmo valor. As moedas eram de cobre, ou coisa parecida, e algumas continham ouro ou prata – as mais reluzentes; encontravam-se inúmeras do século XIX – algumas com o esbelto Dom Pedro I e outras com o barbudo Dom Pedro II ou a Princesa Isabel. Notas de hum mil reis, dois, cinco, dez, vinte, cinqüenta, cem, duzentos e quinhentos – em reis ou cruzeiros, e seus tamanhos variavam, sendo que as de quinhentos eram enormes; moedas de um tostão, dois, cinco, dez, vinte, cinquenta, cem, duzentos, trezentos, quatrocentos, quinhentos e hum mil reis.
Quando a pessoa era muito rica chamavam-na de milionário que, na igreja, ajoelha em cima de notas de quinhentos mil reis!
O patacão, ou moeda de quatrocentos reis, era uma grande moeda de cobre e ficou tão famosa que cobre virou sinônimo de dinheiro: Ele tá cheio do cobre = Ele tá cheio do dinheiro, ou ele tá rico! Patacão foi designação de antigas moedas portuguesas de ouro, e uma delas, de cobre, valia quarenta reis. Pataca era também uma moeda de prata, portuguesa, no valor de trezentos e vinte reis. E por falar em pataca, a pataca era a unidade monetária, e moeda, de Macau e Timor, colônias portuguesas. Fulano não vale uma pataca!- Dito quando alguém nada valia.

Além das mercadorias citadas, meu irmão José Maurício e eu ficávamos na frente da loja com um caixote apropriado para engraxar sapatos, e uma prateleira onde colocávamos laranja e mexerica ou outra fruta qualquer; descascávamos as laranjas com uma pequena máquina apropriada. Muitas vezes saíamos à rua para vender pedaços de bolo ou de doces que mamãe fabricava. Nos domingos ou feriados, quando havia jogo de futebol – no “Campo do Social” , cercado de esteira de taquara – perto da entrada, vendíamos laranjas, mexericas e os refrigerantes guaraná, guará, guarapan e mate-couro – tudo sem gelo, apesar do calorão de Fabriciano.
  
Mais mercadorias que poderiam se encontrar na loja – todas elas poderiam, uma vez que a loja e o depósito eram relativamente pequenos, sem eletricidade e sem água encanada, e a compra e os transportes eram difíceis – papai se esforçava para tê-las:

- Enxadas, enxadões, carrinho de mão, alavancas, ferraduras e cravos, pregos, taxinhas; martelos, marretas, machados, machadinhas, arame galvanizado e farpado, prumo e corda para prumo; cordas de bacalhau, fitas métricas, metros – o articulado e o de um metro de madeira maciça; correntes, picaretas, pás e garfos para carvão, chibancas, ferro à brasa para passar roupa, esquadros e colheres de pedreiro; talheres e facas de todos os tipos, facões, canivetes e punhais, garfos, colheres de metal nobre, de ferro comum ou de pau.
Garruchas, às vezes revólveres, balas para os dois, pólvora e chumbos, assim como as capas de cartuchos, espoletas e até dinamite. Assobios de madeira ou metal, para a caçada de animais e, principalmente, pássaros - na época a caça era permitida.
- Lâmpadas, tomadas e interruptores externos, boquilhas e fios elétricos, cobertos não com plástico, mas com pano embebido em borracha - pegavam fogo fácil, fácil, mas era o que existia.
- Sapatos para homem, mulher e crianças. Botinas e botas para homem, sandálias, galochas, tamancos – inexistiam sandálias de dedo – tudo de couro, ou couro e pano. Guarda pó e capas de chuva de um pano muito grosso, muito usadas por cavaleiros, pois protegia o arreio e grande parte do cavalo.
Lixas para madeira, d’água e para ferro.
- Sabonetes e sabões em pedaço ou barra – em pó, detergentes ou água sanitária não existiam – anil, Kaol, óleo de peroba, óleo de rícino, graxa, tinta e escovas para sapatos, vassoura e rodo.
- Talco, bicos de borracha para crianças, bico de mamadeira – muito usada a garrafa pequena em lugar da mamadeira típica - brilhantina ou óleo Glostora, vaselina, perfumes, batons, ruges, leite de rosas – xampu e condicionador inexistiam.
- Sabonetes, pasta de dente, em bisnagas de chumbo, Escovas de roupa e de dentes feitas de madeira e cerda de alguma planta ou pelo de animal.

- Álcool, querosene, creolina, formicida em pó ou líquida, assim como venenos para ratos e moscas.
- Bebidas alcoólicas e refrigerantes, como: guaraná, cachaça, vinhos, conhaque, cervejas comuns e pretas – vinham em sacos com 64 unidades, mais tarde, em engradados de madeira, tudo embalado em capas de capim, bebidas sem gelar, pois não havia geladeira – coca-cola era coisa rara na cidade.
- Carteira para dinheiro, bolsas, espelhos de diversos tamanhos, malas para viagem.
- Canela em casca ou em pó, pimenta do reino, em grão ou em pó, urucum, bicarbonato e amoníaco – vinham em vidros, ou latas, de um ou dois quilos, vendidos a gramas. Remédios, como o Melhoral, a Cibalena e o leite de magnésio e até o óleo de fígado de bacalhau.
- Cadernos, cadernetas, lápis de cor em caixinhas e de tipos diversos, apontadores de lápis, borracha, papel crepom e cartolina, compasso e réguas, tinteiros e tintas para tinteiros e tinta Nanquim, tintas e corantes para pano, além de todos os tipos de canetas de pena e penas de metal para canetas tinteiro.
- Cabresto, chicotes, arreio e tudo para arriar um cavalo, e até cangalha.
- Brinquedos de madeira, de lata, ou os dois juntos: caminhões, carros, jogo de damas, tambores, flautas, gaitas e piorras e até velocípedes; bonecas de louça ou de papel esmaltados, com ou sem vestidos de panos – as que choravam e tinham um bico de borracha eram as mais caras.  Muitas bonecas vinham sem vestidos e outras, as mais baratas, com vestidos de papel crepom! Não existiam nem nylon e nem plástico! No Natal, óbvio, os brinquedos aumentavam em qualidade e quantidade.
- Corantes para roupa, cadarço, barbante, cordas de bacalhau.
- Inhame, batatinha e bananas, laranjas e outras frutas que aparecessem.
- Vez ou outra havia cimento, gesso e alvaiade.
- Pães vindos de Nova Era. Padaria só de quando em vez aparecia uma no lugarejo – por pouco tempo.
 - Óculos de diversos graus ou escuros, que o pessoal experimentava; jóias e bijuterias, anéis para homens e mulheres, alianças para casamento.
- Para embrulhar usavam-se sacos de papel e papel de todos os tipos... e caprichavam-se nos embrulhos.

Acreditem: até dentaduras foram vendidas!... O cliente experimentava várias até achar uma que lhe servia...

Ave Maria!
         Benedito Franco

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