Em São Paulo a irmã de uma amiga, com doze para treze anos, engravidou-se – o pai com apenas quatorze. Como o pai do pequeno rapaz possuía um sítio pouco afastado de um lugarejo perto da cidade de São Paulo, após o casório consentido pelos pais, o novo casal foi morar na roça.
O casal novo teve logo uma segunda filha. Os dois, esposo e esposa, acabaram tendo bastante amizade com os visinhos, sendo convidados para quaisquer eventos na redondeza. Numa das festinhas, comuns na comunidade, um rapaz tirou a mulher do tal casal para dançar e o marido descontente e bravo começa uma briga com esposa e que se prolongou até em casa e durante toda a noite.
A filha mais velha, agora com uns três anos,acordou com o choro da caçula com menos de um ano. Várias vezes chamou pelos pais, ainda na cama, e não foi atendida. Atordoada com o choro da pequena irmã e o não atendimento dos pais, a pequena menina conseguiu abrir a porta da sala e, apesar da idade e do lugar, pois estava acostumada a ir à casa da vizinha, um pouco longe para uma criança de três anos, para onde de vez em quando ela fugia, saiu e foi procurá-la. Chorando, encontrou logo o vizinho que, de longe, já ouvira seu choramingar e que a socorreu. Ele e a esposa levaram-na para casa, onde encontraram uma cena dantesca: os pais das crianças jaziam ensanguentados e mortos em cima da cama.
Conforme a polícia, o pai das crianças atirou na esposa e depois deu um tiro na cabeça...
* * * *
As meninas II
Ela morava na roça, mas aparecia sempre, acompanhada de suas duas pequenas filhas – uma com uns três anos e a mais velha com pouco menos de cinco.
Numa tarde encontrei-a no ponto de ônibus, pois iria para a roça com as duas crianças. O marido viajara e, como sempre, sem dizer para onde iria ou quando voltaria, importando pouco em deixar a esposa e as duas filhinhas sozinhas, apesar de sua morada ser bem longe de quaisquer vizinhos.
Na manhã seguinte, quando a mais velha acorda, como de costume, chama a mãe para preparar as mamadeiras para ela e a irmã, mas a mãe permanece imóvel.
Nesse ínterim, a irmãzinha acorda e começa a chorar. Diante da inércia da mãe e o choro da pequena, paulatinamente aumentando, também a de cinco anos começa a chorar. Como a mais nova também se levantou, foram para a cozinha onde conseguiram abrir a porta e saíram e foram andando por uma trilha e por onde poderiam achar algum socorro, o que ocorreu por acaso, pois vinha um senhor conhecido e que tinha ido à missa no lugarejo mais próximo.
Diante do choro das crianças, o homem levou-as de volta para casa e lá encontrou na cama a mãe fria e morta. Mais tarde constatou-se que teria sido um enfarto fulminante.
Posteriormente tive muitos contatos com as meninas, pois vieram morar com parentes. A mais nova, com uns quatro anos, quando estava perto de mim, um mosquito posou em um de seus bracinhos e ela me perguntou:
- Sô Bené, musquito tem mãe?
Vendo a tartaruga em meu quintal também indagou:
- Sô Bené, tartaruga tem mãe?...
Ave Maria!
Benedito Franco
06/01/12
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