P A R A B O L A
Alexandre Dumas Pasin de Menezes
Guaratinguetá -1949
Escrevi o título acima sem acentuação tônica, isto foi
deliberado. Relato um fato acontecido ainda no Colegião, em breve,
mudar-me-ei para o Santo Afonso.
Tomávamos as refeições geralmente
em silêncio. Aos sábados, domingos e quintas-feiras era liberado o
bate-papo e a algazarra era imensa. Nos dias de silêncio, eram feitas
leituras, ora do Regulamento dos Juvenistas, ora da História Sagrada,
ora de livros religiosos ou profanos e também de artigos escritos
pelos seminaristas nas revistas editadas em plano interno, Studium e
Maris Stella. Quem comandava as orações, leituras, início e fim das
refeições era o diretor, revezando semanalmente com o prefeito. Estes
eram servidos em uma enorme mesa que ficava logo ali na entrada da
copa, havia uma sineta, que tocada em um, dois ou mais sinais,
significavam algum comando que todos entendiam. A comida subia por
um pequeno elevador acionado da cozinha pelo irmão Wolfgang. No café
da manhã, junto com o pão sem manteiga e café com leite, ele mandava
imensas panelas cheias de batatas cozidas para que nós as
descascássemos, fazíamos isto com muito prazer, pois, as
panelas voltavam com muito menos batatas. A cozinha ficava no andar
térreo, o refeitório no segundo pavimento e a engenhoca que chamávamos
de elevador fazia o transporte entre um e outro, devia ter sido
criada pelo padre Paulo, um alemão, professor de física, que montava e
desmontava aparelhos incríveis, foi o precursor do padre Pacheco, mas
teve um mérito, nunca se meteu na área de foguetes e explosivos . A
leitura da História Sagrada era feita pelos seminaristas da segunda e
terceira séries, a outra, mais extensa, pelos alunos da quarta à
sétima série.
bate-papo e a algazarra era imensa. Nos dias de silêncio, eram feitas
leituras, ora do Regulamento dos Juvenistas, ora da História Sagrada,
ora de livros religiosos ou profanos e também de artigos escritos
pelos seminaristas nas revistas editadas em plano interno, Studium e
Maris Stella. Quem comandava as orações, leituras, início e fim das
refeições era o diretor, revezando semanalmente com o prefeito. Estes
eram servidos em uma enorme mesa que ficava logo ali na entrada da
copa, havia uma sineta, que tocada em um, dois ou mais sinais,
significavam algum comando que todos entendiam. A comida subia por
um pequeno elevador acionado da cozinha pelo irmão Wolfgang. No café
da manhã, junto com o pão sem manteiga e café com leite, ele mandava
imensas panelas cheias de batatas cozidas para que nós as
descascássemos, fazíamos isto com muito prazer, pois, as
panelas voltavam com muito menos batatas. A cozinha ficava no andar
térreo, o refeitório no segundo pavimento e a engenhoca que chamávamos
de elevador fazia o transporte entre um e outro, devia ter sido
criada pelo padre Paulo, um alemão, professor de física, que montava e
desmontava aparelhos incríveis, foi o precursor do padre Pacheco, mas
teve um mérito, nunca se meteu na área de foguetes e explosivos . A
leitura da História Sagrada era feita pelos seminaristas da segunda e
terceira séries, a outra, mais extensa, pelos alunos da quarta à
sétima série.
Naquele fatídico dia, eu fora escalado para ler um
trecho da História Sagrada, cursava a segunda série e já recebera a
fita verde de juvenista, esta me foi concedida sob a condição de que
fosse menos distraído e me concentrasse mais nos estudos, melhorei
bastante, mas a distração me era peculiar. Dirigi-me à tribuna
colocada no centro do salão, abri o livro num lugar já previamente
marcado, nervoso, deparei-me com uma palavra onde o acento mal
aparecia, empostei a voz para que todos ouvissem e soltei "PARABÓÓÓLA
DAS DEZ VIRGENS".
trecho da História Sagrada, cursava a segunda série e já recebera a
fita verde de juvenista, esta me foi concedida sob a condição de que
fosse menos distraído e me concentrasse mais nos estudos, melhorei
bastante, mas a distração me era peculiar. Dirigi-me à tribuna
colocada no centro do salão, abri o livro num lugar já previamente
marcado, nervoso, deparei-me com uma palavra onde o acento mal
aparecia, empostei a voz para que todos ouvissem e soltei "PARABÓÓÓLA
DAS DEZ VIRGENS".
A platéia gargalhou, foi mais engraçado do que
qualquer representação cômica de nosso seminarista hoje Dom Carlinhos,
ali presente, acredito que também ele riu bastante. Padre Matos, que
presidia o evento, não se conformou, acionou a sineta colocada a sua
frente por um tempo suficiente para que os risos cessassem. Feito
silêncio, ele vociferou indignado: "PARÁÁÁBOLA", ignorante,
"PARÁÁÁBOLA ! ! ! !" , esta palavra é proparoxí í í í í tona ! ! ! .
Nunca mais em minha vida, me esqueci de prestar atenção no acento
tônico, principalmente das proparoxítonas.......
" Wolfgang, irmão, confrade e cozinheiro,
Se esmera todo em bávaros quitutes,
Padre Matos, prefeito, cuida do asseio,
Padre Borges ensina mandamentos
E o Ribolla, retidão, convicção......
Os anos passam, sentimos falta do padre Matos,
Do Ribolla, do Marino, do Pereira
E tantos outros que já morreram,
Dos cantos místicos, dos corredores, do refeitório,
Do pôr do sol, das manhãs frias no Colegião,
Tudo é saudade da CASA DE NOSSA SENHORA....."
qualquer representação cômica de nosso seminarista hoje Dom Carlinhos,
ali presente, acredito que também ele riu bastante. Padre Matos, que
presidia o evento, não se conformou, acionou a sineta colocada a sua
frente por um tempo suficiente para que os risos cessassem. Feito
silêncio, ele vociferou indignado: "PARÁÁÁBOLA", ignorante,
"PARÁÁÁBOLA ! ! ! !" , esta palavra é proparoxí í í í í tona ! ! ! .
Nunca mais em minha vida, me esqueci de prestar atenção no acento
tônico, principalmente das proparoxítonas.......
" Wolfgang, irmão, confrade e cozinheiro,
Se esmera todo em bávaros quitutes,
Padre Matos, prefeito, cuida do asseio,
Padre Borges ensina mandamentos
E o Ribolla, retidão, convicção......
Os anos passam, sentimos falta do padre Matos,
Do Ribolla, do Marino, do Pereira
E tantos outros que já morreram,
Dos cantos místicos, dos corredores, do refeitório,
Do pôr do sol, das manhãs frias no Colegião,
Tudo é saudade da CASA DE NOSSA SENHORA....."

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