Pe. Edelzino de Araújo Pitiá, CSsR
Falecido no Recife - 09-04-1993 (67 anos)
No dia 9 de abril de 1993, faleceu no Recife o nosso Confrade brasileiro, Pe. Pitiá. Ele nasceu em Curaça-BA em 18 de maio de 1926 e foi ordenado sacerdote em Juiz de Fora-MG, no dia 2 de fevereiro de 1955.
No ano de 1952 o Pe. Pitiá foi transferido e tornou-se membro da Vice-Província do Recife (Missão Garanhuns). Junto com o Pe. Victor Rodrigues na função de Diretor, ele foi o co-fundador do nosso Seminário Menor. O Pe., Pitiá foi uma personalidade distinta, muito inteligente e dotado de uma cultura universal extraordinária. Também os seus dons musicais, principalmente em relação à música clássica eram notáveis. Além disso, dispunha de uma cultura literária de alto grau, que era promovida pela sua leitura assídua dos grandes escritores clássicos do Brasil.
O Pe. Pitiá falava fluentemente a língua francesa e aprendeu também a língua holandesa. Evidentemente era um ótimo professor e sabia cativar os seus alunos. Em nossa Paróquia do Arraial, em Garanhuns, fundou o “Clube Juvenil de Cultura” (rapazes e moças) que teve grande florescência durante vários anos.
Além dos seus encargos como professor e sócio do Juvenato estava à disposição para ajudar na paróquia. Não era o tipo de um missionário popular; sentia-se mais à vontade no ambiente da classe média. Mas os seus sermões não eram pomposos como os de certos oradores sacros, mas lhe era próprio o uso extremamente correto da linguagem.
Em 1959 o Diretor Pe., Victor Rodrigues foi transferido para Bom Jesus da Lapa-BA. O Pe. Pitiá então foi nomeado Diretor do nosso Seminário Menor. As condições do Seminário eram ainda bastantes precárias. As salas de aula eram situadas na parte subterrânea do Convento. Por ser pequeno o dormitório alguns seminaristas tinham que dormir no sótão.
A comida não tinha nem a qualidade e nem quantidade de que os meninos precisavam na fase do crescimento. Felizmente, o Irmão Leopoldo construíra para eles um pequeno refeitório e uma sala de recreio. Assim, pouco a pouco, iam melhorando as condições.
Em 1959 raiou no horizonte a tão desejada libertação; mas a hora de realizar a mudança definitiva só chegaria em 1962.
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No mês de março de 1962 chegou finalmente, a hora da “redenção”. Foi um “êxodo” triunfal em procura da “terra prometida” de Campina Grande. Inicialmente nem tudo foi como se esperava.
A construção do Seminário encontrava-se numa tal condição que, de vez em quando, as aulas eram dadas ao ar livre, à sombra de uma árvore. Eu mesmo posso testemunhar que, durante o dia havia um barulho infernal dos operários e dos seus aparelhos ruidosos! Mas o Pe. Pitiá tinha bastante calma e era tão equilibrado que, mesmo nessas circunstâncias, conseguiu dirigir bem o nosso Seminário, que aos poucos, foi ficando afamado na cidade de Campina Grande.
No dia 18 de junho de 1966 houve a inauguração oficial do nosso Seminário Menor, dedicado aos Santos Anjos. Evidentemente, foi um dia glorioso para Pe. Pitiá. Foi uma solenidade impressionante, que contou com a presença de várias autoridades da Igreja e da Congregação: Dom Manuel Pereira, Bispo de Campina Grande; Dom José Brandão de Castro, CSsR, Bispo de Propriá-SE; Dom Estevão Kuijpers, CSsR, de Suriname; e todos os (V) Provinciais do Brasil.
No entanto, pouco tempo após essa inauguração tão festiva, o Pe. Pitiá teve que enfrentar inúmeros problemas sérios.
O Seminário entrou numa fase muito crítica e em 1967, já tinha um aspecto muito diferente: abre-se para receber alunos externos.
Deste modo, entrou no Seminário uma mentalidade diversa, pois passou-se de um ambiente bem fechado para mais aberto. Evidentemente isso causou tensões internas, pois foram aceitos alunos de outros ambientes que estavam habituados a uma liberdade bem maior dos que não tinham optado pela vida religiosa.
Esta crise que culminou com o fechamento do nosso seminário, deve ser vista no contexto da crise geral que toda Igreja sofreu após o Concílio Vaticano II, principalmente a crise das vocações sacerdotais. Como o nosso, foram muitos seminários que fecharam.
O dia 3 de dezembro de 1968 ficou registrado como o triste momento do fechamento do nosso Seminário Menor. Para o nosso Pe. Pitiá foram anos muito pesados e de muita preocupação. Mas, graças à sua abençoada persistência conseguiu fazer funcionar o Colégio Redentorista com uma finalidade muito significativa, em benefício do desenvolvimento do Nordeste. Isto haveria de se realizar pela formação de técnicos de nível médio.
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Para aumentar mais os seus conhecimentos científicos, o Pe. Pitiá esteve duas vezes na Europa, seguindo cursos catequéticos em Paris e Louvaina. E não obstante os seus cuidados diários com o bom andamento do Colégio, conseguia reservar tempo para atividades pastorais, por exemplo: a sua participação ativa nos “Cursilhos de Cristandade” e anualmente, a Páscoa tradicional na Usina de Frei Caneca-PE.
Mas a realização mais importante de sua vida foi a dedicação, com todas as suas forças, à educação da juventude. A sua tenacidade na busca de meios, para que a Escola Eletrônica se tornasse um Instituto prestigiado era incrível. Pessoalmente posso testemunhar que ele, nas reuniões do Conselho da Vice-Província, lutou com uma vontade férrea para salvaguardar o trabalho da sua vida. Por causa de todos aqueles seus esforços o Colégio alcançou um nível muito alto de ensino técnico, ficando afamado no Nordeste e em outras partes do Brasil.
Para dar apenas um exemplo: no ano de 1986 foram matriculados 367 alunos nos Cursos Técnicos de Eletrônica e Telecomunicações, a nível de 2º grau. No fim daquele ano letivo foi realizada a formatura de 43 técnicos em Eletrônica e 35 em Telecomunicações, dos quais 50% já tinham colocações imediatas. Muitas empresas vieram à procura de nossos alunos, que perfaziam naquele tempo um total de 740 técnicos de nível médio, trabalhando em diversos Estados do Brasil.
A Vice-Província do Recife deve muito ao Pe.Pitiá, não somente por causa da sua obra, mas também por causa da sua vivência de Religioso exemplar, sendo um homem de uma fé profunda e de uma conduta edificante. Infelizmente, teve uns problemas cardíacos muito sérios e foi chamado por seu Senhor, que ele tanto amava, no dia 9 de abril de 1993, em plena Semana Santa.
Nós todos e todo o povo de Campina Grande ficamos consternados.
Uma multidão imensa de admiradores e amigos, parentes e confrades acompanharam o seu corpo até o cemitério de Campina Grande onde foi sepultado na tarde do “Sábado Santo”, véspera da Ressurreição. Seus restos mortais encontram-se hoje no mausoléu Redentorista em Campina Grande, PB.
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“A sabedoria deu-lhe sucesso em suas fadigas e multiplicou os frutos do seu trabalho. Deu-lhe a vitória numa dura luta, para lhe mostrar que a piedade é mais forte do que tudo”
(Sb 10, 9s).

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