Irmão Adriano Scheffer, CSsR
Falecido no Recife - 22-03-1994 (69 anos)
O Irmão Adriano chegou ao Brasil (Nordeste) em 1952.
Na nossa Vice-Província do Recife desempenhou um papel de muito valor para o desenvolvimento da mesma no nível técnico. Quando rapazinho sentia a vocação para tornar-se sacerdote e missionário na nossa Congregação. Para este fim entrou no nosso Seminário Menor já com uns 20 anos de idade. Foi aceito no 1ºgrau, pois o sistema daquele tempo não permitia um tratamento especial para as vocações tardias. Para Adriano foi muito difícil desenvolver-se no meio daquela meninada.
Deve ter sido um verdadeiro tormento para ele; mas a sua natureza fechada procurava suportar tudo sem fazer reclamações.
Por causa dos estudos, foi obrigado a deixar o Seminário.
Não deixa de ser curioso que a direção do nosso Seminário Menor não tenha sabido descobrir que Adriano era um moço muito inteligente e que tinha muita facilidade para o estudo das ciências exatas (matemática, física, etc.). Mas, custasse o que custasse, Adriano queria abraçar a vida religiosa. Assim, em 1947, entrou na nossa Congregação para seguir a vocação de Irmão.
Irmão Adriano era um religioso muito piedoso e minucioso na observância da Regra. Ele era até um tanto rigoroso demais.
Em 1953, quando passei férias na Holanda, fiz uma visita ao pai do Irmão Adriano que se encontrava gravemente enfermo. Naquela ocasião, a mãe do Irmão Adriano me contou como o filho, quando visitava a família, tinha muitas exigências, pois eram obrigados a rezar muito e em certas horas deviam observar o silêncio como no Convento...
No entanto, aquela desistência forçada do seu ideal de ser um Padre missionário, tornou-se um trauma terrível.
De vez em quando, o Irmão Adriano revelava algo desse sofrimento, por exemplo: quando era convidado para fazer batizado ou quando se falava em ordenação diaconal dos Irmãos, ele empalidecia e reagia com palavras ásperas: “Já fui expulso uma vez”.
De 1947 a 1952 teve uma boa oportunidade para aperfeiçoar-se nos conhecimentos técnicos e participou até de cursos de aeronavegação e de construções de cimento armado.
Em 1952 recebeu a sua nomeação para a Vice-Província do Recife. O então Vice-Provincial Pe. Carlos Maria entregou ao Irmão Adriano toda a responsabilidade pelos serviços técnicos, que ele executava com a sua conhecida habilidade, mas também, às vezes, de uma maneira um tanto complicada.
Naqueles tempos, a Vice-Província (Missão) possuía um carro de segunda ou terceira mão que andava mais ou menos, desde que o acompanhasse uma mão cuidadosa para endireitar peças que sempre se quebravam. Esta tarefa foi entregue aos cuidados do Irmão Adriano. Às vezes, ele ficava mais tempo debaixo do veículo do que no banco do motorista.
Mesmo assim Irmão Adriano fazia viagens intermináveis pelo sertão de Pernambuco e da Bahia, acompanhando o Vice-Provincial nas suas visitas aos confrades.
Em 1956 o Irmão se deslocou para Bom Jesus da Lapa para ajudar a nossa fundação incipiente. Encontrou lá uma superabundância de trabalhos. Por exemplo: o funcionamento do motor para iluminar a gruta do Bom Jesus e a cidade toda. Existiam aí muitas falhas técnicas na instalação elétrica que ele consertava com muita competência.
Em Bom Jesus da Lapa deu-se também um fato muito interessante. Um avião da linha para Belo Horizonte não pôde decolar por causa de um defeito no trem de aterragem. Foi procurado um técnico para fazer o conserto, mas não foi encontrado. Então, o Irmão Adriano ofereceu os seus serviços e para grande admiração dos pilotos, ajeitou tudo com perfeição. Como recompensa recebeu uma passagem grátis para Belo Horizonte; mas ele já tinha comprado a passagem. Em todo caso, teve a licença para efetuar a decolagem do avião!
Em 1958 o Irmão Adriano foi transferido para Garanhuns, a fim de iniciar a construção da nova Igreja. Aí pôde aplicar plenamente os seus conhecimentos da construção de cimento armado. Junto com Irmão Urbano fez a primeira parte da igreja, isto é, até a cúpula.
Mas já em 1959, foi chamado para Campina Grande para ajudar na Construção do Convento e do Seminário. A permanência do Irmão Adriano será de 1959 até o dia da sua morte, 22 de março de 1994. Em Campina Grande, as sua qualidades técnicas foram novamente aproveitadas. Após o fim da construção, ele funcionou até à morte como ecônomo da casa. Apesar dos seus modos um pouco ríspidos e inflexíveis, o Irmão tinha um coração de ouro e mostrava uma grande devoção para com Santíssima Virgem Maria.
Sempre estava à disposição dos confrades, mas também do povo mais pobre. Os seus excelentes cuidados com os nossos enfermos eram famosos. Assim, aliviou os últimos anos do velho Pe. Pedro pelos cuidados constantes. Infelizmente, descuidou-se da sua Própria saúde. Sempre dizia: “Não preciso de médico”.
Em meados de março de 1994 chegou ao Recife para iniciar a sua viagem para a Holanda, sendo uma repatriação definitiva. Mas empreendeu uma viagem bem diferente: a viagem para o Pai Eterno, a cujo serviço dera sua vida. Irmão Adriano foi sepultado no cemitério de Campina Grande-PB. Hoje seus restos mortais encontram-se no mausoléu Redentorista.
Pensando agora na vida deste querido Irmão Adriano, me vem à mente a seguinte palavra de Jesus:
- O que vocês acham disto? Certo homem tinha dois filhos.
Ele foi ao mais velho e disse: “Filho, vá trabalhar hoje na vinha. O filho respondeu: “Não quero”. Mas, depois arrependeu-se e foi.
O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Esse respondeu: “Sim, Senhor, eu vou”. Mas não foi.
Qual dos dois fez a vontade do pai?
Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O filho mais velho”(Mt 21, 28-31).

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