PADRE LUÍS KIRCHNER CSsR
Quando alguém pensa sobre as conseqüências dos ex-padres deixando a batina, ou a falta de coragem da parte dos ex-seminaristas que não assumiram a sua vocação, geralmente se calcula quantas missas não foram celebradas, quantas confissões não atendidas, quantas pregações e homilias não pregadas, quantos doentes não visitadas, etc.
Realmente é algo a refletir e lamentar. Mas eu digo que a pior desgraça dos ex-padres é a situação dos seus próprios filhos: pagãos, afastados e indiferentes das coisas de Deus, longe da Igreja.
O que aconteceu foi mais ou menos isto. O ex-padre deixou a batina entre 35-45 anos de idade. A Igreja não lhe permitiu casar com o Sacramento do Matrimonio. Ele ficou revoltado, triste, zangado, ou chateado com a Igreja. Não podia comungar. Sentiu-se afastado como se fosse traidor, abandonado pela Igreja. Como conseqüência, deixou não somente de freqüentar a Igreja, mas também de rezar, de fazer qualquer pastoral, de ter uma vida espiritual.
Os filhos começaram a nascer. Na época da Primeira Comunhão ou da Crisma (provavelmente foi a mãe que os colocou num programa de catequese), o ex-padre já tinha 55 anos ou mais. Foi despertado por uma ou outra razão a procurar Deus mais ativamente, e voltar a Igreja. Houve um tipo de conversão de vida. Sentiu a necessidade de estar em contato com as raízes e a formação de seu passado.
Acontece que seus filhos já estavam grandes, com a cabeça feita, e não conheciam o caminho da Paróquia. Não aprenderam a rezar em casa, porque não havia espiritualidade. Não foram às Eucaristias, porque os pais não os levavam. Não conhecem a Bíblia, ou a catequese porque nunca foram ensinados. São pagãos, sem orientação e motivação religiosa.
Encontrei a esposa de um ex-seminarista, que tinha chegado ao quarto ano de teologia, faltando apenas um ano para a Ordenação. “Padre, fale com o meu marido. Sou Ministra da Eucaristia, e ele nem vai a Missa comigo!”
Quando o pai toma conhecimento do dano espiritual que causou em termos de omissão, é tarde demais. Já passou a fase da aprendizagem na vida dos filhos. Às vezes, o novo bom exemplo e a conversão do pai salva a situação, mas freqüentemente não há mais jeito. Coisas de Deus e da Igreja não entram na vida dos filhos.
Os movimentos de leigos, do Cursilho de Cristandade, Equipes de Nossa Senhora, E.C.C., Encontro Matrimonial, etc. têm feito muito mais para a Igreja, recebendo um centésimo de ajuda financeira e de tempo do que nossos seminários custaram. Conseguimos poucos padres, e ainda menos leigos (salvaguardando algumas poucas excepções) engajados e dedicados ao Reino de Deus. Realmente uma desgraça para a Igreja.

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