PADRE LUÍS KIRCHNER CSsR
Encontrei um artigo entre os meus escritos. Confesso que não me lembro se eu sou seu autor ou não, mas gostei e senti que estava num estilo semelhante ao meu. De qualquer jeito, apresento estas idéias para a sua meditação e reflexão.
Existe um numero de festas importantes que a Igreja celebra, como por exemplo, Natal, Epifania, Páscoa, Pentecostes, Ascensão. Todas são momentos maravilhosos.
Mas para mim, nenhuma é mais importante do que SEXTA-FEIRA SANTA, o dia em que o Senhor morreu na cruz. Sexta-feira Santa simboliza a essência, a razão de ser de cristianismo. Pense um pouco sobre isso.
Nós não iniciamos todas as nossas atividades religiosas com o Sinal da Cruz, dizendo, “Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo”?
Não colocamos crucifixos em nossas casas e locais de trabalho, não os trazemos ao pescoço? Sem duvidas, Natal e a Páscoa são grandes celebrações, mas é Sexta-feira Santa que nos diz qual é o significado do Cristianismo.
Mas de fato, na Sexta-feira Santa, pessoalmente eu não celebro a crucifixão horrível de Jesus. Ele morreu numa maneira tão violenta e sangüenta que não há nada a celebrar! Fico indignado e revoltado porque ele foi torturado. O que é importante para mim é que Jesus não se colocou na cruz. Outros fizeram isso. Portanto, o que me preocupa é: por que Jesus ficou pendurado naquela cruz?
A resposta a esse questionamento leva-nos a descobrir a razão de nossa celebração. Jesus sabia que as lideranças religiosas queiram silenciá-lo, e eram capazes matá-lo, se fosse necessário, para alcançar essa finalidade.
Mas nada ia impedir Jesus em sua missão de pregar uma mensagem de amor, pois, a final de contas, seu Pai é que o tinha enviado para revelar essa mensagem. A tensão e o conflito, entre a hostilidade dos lideres judaicos e a persistência de Jesus em anunciar a mensagem do Pai e do seu amor, estava aumentando e chegou ao seu ponto alto durante a sua última visita a Jerusalém.
Estava visível na refeição final com os seus Apóstolos, quando ele disse que morreria no dia seguinte. Depois da ceia, no seu caminho até o Jardim de Getsemani, ele precisou andar fora dos muros da cidade, através de dois vales, um sendo chamado de “Vale da Morte” e o outro “Vale de Kidron”, ambos com tantas sepulturas de Israelitas. Ao passar entre os túmulos, com certeza Jesus meditava sobre sua própria morte que estava próxima. Quando chegou finalmente ao Jardim, que na realidade era um local para oração, com vista para os túmulos, sentimos a tensão aumentando ainda mais quando Jesus declara: “Pai, se for possível, afaste-se de mim este cálice de dores, mas não seja feita a minha vontade, mas a tua!” Jesus estava determinado e decidido a permaner fiel a seu compromisso com o Pai.
Quando os soldados se aproximarem no jardim, Jesus entregou-se a eles para ser crucificado. Para mim, isto mostra a grandeza da pessoa de Jesus que, apesar das conseqüências, se manteve fiel aos ensinamentos do Pai, de que o amor, e não a lei, traria a salvação, sabendo que precisaria morrer na cruz.
Esse tipo de compromisso merece ser lembrado e celebrado, pois é o sentido e o significado do cristianismo: ser fiel à vontade do Pai. Enquanto a morte na cruz parece ser uma tragédia, na prática, é símbolo da vitória de Jesus. Eis o motivo de nossa alegria na Sexta-Feira Santa: Jesus cumpriu sua promessa de obediência ao Pai até o amargo fim.
Exatamente porque ele se entregou ao Pai na cruz, no Domingo da Ressurreição podemos dizer, com São Paulo, que ele foi obediente até a morte, morte na cruz, e que Deus o exaltou acima de todos os outros, para que, ao som do seu nome, todos os joelhos se dobrem no céu e na terra, e cada língua declare que Jesus Cristo é o Senhor
A Ressurreição é nossa esperança para o futuro, mas a cruz é a realidade do dia de hoje, pois se hoje você e eu não vivermos uma vida de obediência total ao Pai, com certeza que não haverá ressurreição amanhã!

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