067 – Uma pinguinha!
Nunca bebi cachaça.
Uma vez saí de Belo Horizonte, em um fim de verão, com roupas leves e nada de agasalho para algum imprevisto – fui a Ponte Nova, MG. Ida por Ouro Preto e Mariana e na volta passei por Rio Casca.
No trecho entre Rio Casca e Monlevade, logo no início, o tempo mudou de um calor sufocante – acho que se despedia infernalmente do verão, para um friiio glacial de endurecer e doer até os ossos. Talvez a diferença de temperatura é que tenha me causado tanto tremer, como se dentro de uma geladeira eu me encontrasse.
Parei no único posto de gasolina existente no trecho. Lembrei-me da pinguinha dos velhos tempos, para esquentar o peito, vendida na loja de meu pai. Aliás, a cachaça esquenta no frio e esfria no verão – palavras dos bebuns!.. Todo acanhado, fui ao balcão e pedi uma dose da branquinha:- Uma pinguinha, por favor! Olhei para um lado, olhei para o outro, e olhei para todos os lados, e a mim me pareceu que todos os freqüentadores do restaurante, até os do lado de fora, miravam em mim, com aquele olhar não só de censura, mas também de condenação. Nunca me senti tão olhado, tão censurado e tão constrangido!
A pequena dose queimou-me por dentro e por fora.
Vai ser ruim assim lá na Cochinchina!
.,,E há quem gosta!...
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