PADRE LUÍS KIRCHNER CSsR
A inveja faz-me ser infeliz e triste porque o outro obtém um sucesso, uma vitória. Ela me faz sentir-me roubado de algo que penso era meu. Os elogios e a fortuna do outro incomodam-me. A inveja é um pecado, porque a pessoa dominada por ela ignora suas próprias bênçãos, e prioriza o status de outra pessoa em vez de seu próprio crescimento espiritual. Freqüentemente é associada com cobiça e ciúmes. No livro dos Provérbios, lemos que “o ódio é cruel e destruidor, mas a inveja é pior ainda” (27,4).
O Aurélio define inveja como “desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem. É um desejo violento de possuir o bem alheio”. Wikipédia diz que ela é “o desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa, gerando um sentimento tão grande de egocentrismo que nega as virtudes alheias, somente acentuando os defeitos”. Se alguém é considerado mais inteligente ou criativo ou hábil, sinto ressentimento. Critico e jogo comentários negativos para prejudicar o bom nome do adversário, porque insisto que os bons comentários que o outro recebe devem ser transferidos para mim. Fico fofocando e falando mal, porque não agüento que alguém ganhe o que considero meu. Em outras palavras, coloco-me numa sociedade concorrencial.
Não é por nada que alguns pensadores dizem que a inveja é a arma dos incompetentes, um mecanismo de defesa diante dos sucessos daqueles que se esforçaram mais para conseguir suas vitórias. São Pedro escreveu, “abandonem tudo o que é mal, toda mentira, ferimento, inveja e críticas injustas” (1 Pd 2,1).
Se sou invejoso, penso que quem reza e faz boas obras é farisaico e hipócrita, enquanto eu nada faço. Se o outro ganhou muito dinheiro, é porque era puxa-saco, e recebeu favores negados a mim. Se alguém apresenta boas maneiras e trata bem os outros, digo que está esnobando. Se apresenta uma boa idéia ou plano, porque estudou e se esforçou para aprender a matéria, digo que ele roubou meus pensamentos. São Tiago diz, “Se no coração de vocês existe inveja, amargura e egoísmo, então não mintam contra a verdade, gabando-se de serem sábios” (3,14).
O fato é que a pessoa invejosa dificilmente amará outras pessoas, porque todo o mundo é competidor. Em vez de admitir suas lacunas, o invejoso simplesmente manifesta sua vontade frustrada de possuir os dons ou talentos de seu próximo, algo que ele desejou mas não conseguiu adquirir, porque era incapaz de alcançá-lo. No livro dos Provérbios, o sagrado autor diz que “a paz de espírito dá saúde ao corpo, mas a inveja destrói como câncer (14,30). E São Paulo lembra: “Nós não devemos ser orgulhosos, nem provocar ninguém, nem ter inveja uns dos outros. (Gl 5,26). Ou na sua primeira carta a Timóteo: “Discutir e brigar a respeito de palavras é como uma doença nessas pessoas. E dai vêm invejas, brigas, insultos, desconfianças maldosas (6,4). Existe dentro de seu coração inveja? Está precisando de uma renovação espiritual? De arrependimento e mudança de vida? Entretanto, quem conhece e já experimentou o amor total de Deus para conosco, nunca sentirá a necessidade de permitir a presença da inveja em sua vida.

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