PADRE LUÍS KIRCHNER CSsR
Quem segue Jesus e vive sob a inspiração do Espírito Santo produz frutos e resultados de sua vivência. A sua vida é marcada por obras que mostram que algo diferente está acontecendo no interior da pessoa.
Revejamos, em primeiro lugar, as obras chamadas corporais, que revelam que Deus está governando e orientando nossos passos. Inspirados no trecho do Evangelho de São Mateus a respeito do Juízo Final (cf. 25,31-46), esses atos mostram que levamos a serio as ordens do Senhor.
1. Alimentar os famintos. Nos tempos atuais, quando a maior parte da humanidade mora em cidades e não mais no campo ou na roça, nem sempre é fácil compartilhar a alimentação que compramos com o pouco dinheiro que ganhamos. Certas pessoas tem notado que, quando um morador dá algo a comer a um mendigo, a noticia se espalha rápido, e de repente, uma fila se forma na frente de sua casa. Quanto mais rico, geralmente menos generoso.
São os menos favorecidos que acham um jeito de repartir seu pão. Lembra-se do exemplo do Lazaro na porta do Rico, e o que aconteceu depois da morte dos dois?
2. Atender os “sem casa”. Quantas vezes, no interior, eu podia esticar a minha rede na casa de um pobrezinho e passar a noite. Sempre há lugar para mais um. Mas na cidade, temos medo de abrir nossas portas aos desconhecidos. Será que nos roubarão enquanto dormimos? Jesus disse que as aves têm seus ninhos e as raposas tem suas covas, mas o Filho de Deus não tem onde inclinar a cabeça. Com tantos exilados no mundo atual, alguém tem de fazer alguma coisa para essa gente. Quanto o Governo gasta em despesas de habitação? Nós elegemos os nossos governantes. Somos governo. Vamos cobrar mais atenção de nossos representantes no Congresso.
3. Vestir o nu. Porque calço tamanho 44 ou 45, e as minhas camisas são GG, não posso atender muitas pessoas na porta. Mas quantos de nos temos roupa que nunca usamos, perdurada no armário? Ou quando há um incêndio ou dilúvio, reclamamos se a Prefeitura não faz mais, mas nem levantamos um dedo para ajudar alguém sem nada.
4. Visitar os doentes. Talvez a obra mais fácil cumprir. Não custa dinheiro. Só um pouco de nosso tempo, para levar uma palavra de solidariedade e conforto. Há grupos que se oferecem para cuidar de um doente para que as pessoas da casa possam sair para fazer compras ou simplesmente descansar um pouco. E os leitos de nossos hospitais, com pessoas que ninguém visita? São solitários, sem amparo. Quando foi a ultima vez que você tirou um pouco de seu tempo e de seu conforto para levar um pouco a quem precisa?
5. Visitar os encarcerados. Não sei se é por medo de fugas, mas muitas prisões estão criando tanta burocracia e regras para entrar e visitar os presos. Em Manaus, é preciso ser portador de uma carteira e inscrito numa pastoral, com carta assinada pelo Arcebispo! Nestes casos, que tal uma visita aos familiares do preso, que lutam com dificuldade porque estão ganhando um salário a menos para sustentar a família?
6. Enterrar os mortos. Se a Prefeitura de hoje cumpre esse dever social, a presença num enterro, ou participar do velório é uma forma moderna de marcar presença junto às pessoas enlutadas, mostrando nosso carinho com uma presença silenciosa que os familiares lembrarão.
7. Dar esmolas aos pobres. Dificilmente dou esmolas para um mendigo na rua (nunca para crianças ou meninos) ou para alguém que toca a campaninha da casa. Não basta para mim que alguém se declare pobre. Mas grupos, como as Senhoras do Apostolado de Oração ou Legião de Maria, que visitam seus vizinhos, esses sabem quem realmente está precisando de ajuda. Uma amiga disse-me uma vez que nem sentiu o cheiro de comida na casa de uma velha viúva, tão frio estava seu fogão. Gente assim ajudo e bastante. Numa sociedade que gera mendigos profissionais, é complicado saber quem deve receber assistência ou não. Mas, se o cristão vai errar, melhor errar dando uma ajuda ao falso mendigo do que rejeitar o Cristo pobre que está à porta. No Evangelho de São Lucas, encontramos trechos que incentivam nossa participação (3,11 e 11,41.) São Tiago ironiza a pessoa que deseja boa sorte a alguém, mas nada faz para aliviar sua situação (cf. Tg 2,15-16). E São João apresenta também seu pensamento sobre o assunto (1 Jo 3,17).
O Catecismo da Igreja Católica ensina-nos que os bens da criação são destinados para toda a raça humana. O direito de propriedade particular não abole a destinação universal dos bens (cf. 2452). Uma vez que você não pode levar um centavo consigo quando aparecer na frente de Cristo, nosso Juiz, não seria bom ter algumas boas obras na sua bagagem ?

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