PADRE LUÍS KICHNER CSsR
No dia 1º de agosto, a Igreja celebra a festa de Santo Afonso, um gigante de teologia e de santidade do século 18, fundador dos Redentoristas. Ele passou quase 92 anos aqui na face da terra e escreveu mais de 100 livros. Num simples artigo, é difícil captar tudo que ele fez e ensinou. Tentemos lembrar alguns pontos de sua doutrina e de suas pregações.
– A Vontade de Deus. Para Afonso, era central e fundamental encontrar e seguir o Plano de Deus. Nossa felicidade e salvação dependem de estarmos em conformidade com a Vontade de Deus. Ele mesmo descobriu o plano de Deus através da orientação da Igreja, de seu diretor espiritual, das regras da Congregação que fundou. Queria imitar e continuar o exemplo de Jesus, que veio para nos ensinar o caminho ao Pai.
– Jesus como o Centro de nossa vida. Afonso praticou uma espiritualidade eminentemente cristológica, centrada no Mistério da Pessoa de Jesus. Ele usou três símbolos para transmitir seu grande amor: O Presépio que lembra a Encarnação do Filho de Deus entre nós; a Cruz, o instrumento de nossa salvação; e o Tabernáculo, onde ele continua como o Senhor Ressuscitado e vivo que nos ama.
– Valor e Poder da Oração. Um dos livros que ele escreveu levou o titulo de “O Grande Meio da Salvação”. Era sobre a Oração. Quem reza, se salva. A oração é o meio que o ser humano tem para ficar em comunicação com Deus. Pode ser oração mental e contemplativa, ou litúrgica, ou comunitária e pública. Todos os escritos do Afonso enfatizaram a importância da oração diária na vida do cristão.
– Pregar o Evangelho aos mais Abandonados. No tempo de Afonso, havia uma inflação de sacerdotes em Nápoles, e poucos na roça, no interior. Ele encontrou muitas pessoas sem o conhecimento básico da fé. Seu coração, como bondoso pastor, desejou fazer algo por elas. Formou um grupo de pregadores que gastariam a maior parte de seu tempo e de sua energia trabalhando pelos mais abandonados, por aqueles que a Igreja institucional ainda não tinha atingido.
– A Santidade é para Todos. Havia uma mentalidade que ser santo era privilégio do clero e dos monges. A heresia do Jansenismo queria fechar as portas de salvação para muitos. Continuando o eco que São Francisco de Sales iniciou, Afonso dizia que todos devem ser santos. É a vocação de todos. Na gíria ou dialeto local dizia que “quem não é santo é burro”, pois todos eram destinados para isso. Não importa a situação ou o estado de vida. 250 anos depois, a Igreja canonizou essa idéia no seu grande documento do Vaticano II sobre a Igreja, incluindo um capitulo: A Vocação Universal à Santidade.
– A Consciência. A força da lei era grande no tempo de Afonso. Formado tanto no direito civil como eclesiástico, como advogado ele sabia bem do valor de uma legislação clara e objetiva. Mas Afonso descobriu que existia uma outra dimensão, dentro de cada ser humano, a consciencia, a lei fundamental que tem de ser seguida. Claro, a consciência deve ser esclarecida e formada por bons princípios, mas a primeira obrigação com a verdade vem da luz da consciência. Isso contrariava muitos teólogos com tendências jansenistas. A teologia moral de Ligório trouxe soluções e calma para um mundo cheio de confusão e medo.
– Uso dos Meios de Comunicação. Afonso queria pregar o Evangelho a todos os homens. Cristo tinha morrido na Cruz para salvar todos, mas tantos não conheciam o amor de Cristo, a bondade do Pai, o interesse do Espírito Santo em nos santificar. Ele escreveu mais de 110 livros (parece que mais 10 foram perdidos), 5000 cartas pessoais, compôs hinos que até são cantados na Itália, foi pintor. Enfim, usou todos os meios disponíveis em sua época. Não é por nada que seus filhos Redentoristas, por exemplo em Aparecida, publicam um jornal há 100 anos, mantêm uma editora com milhares de publicações, têm uma rádio, criaram uma estação de televisão, portal na Internet que lhe torna possível ler este artigo.
– Devoção a Maria. A mãe de Afonso foi importante em sua formação pessoal. Encontrou no amor de sua mãe o caminho a Deus. Quando ela faleceu, Afonso transferiu todo o seu amor filial para a Mãe de Jesus. Escreveu um dos melhores e mais profundos livros sobre Maria, “As Glorias de Maria”. Suas Santas Missões eram sempre encerradas com uma sermão sobre Maria. O ponto de vista de Afonso era que, se um pecador tem medo de Deus por causa de seus pecados, deve procurar a intercessão de Maria.
Em 1871, a Igreja proclamou Afonso doutor, isto é, mestre ou voz que fala em nome da Igreja. Em 1950, Pio XII designou Afonso como Padroeiro dos Moralistas e Confessores. Nós Redentoristas temos orgulho de nosso Pai fundador, sabendo que a Igreja é mais rica por causa de seus trabalhos e exemplos.

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