PADRE LUÍS KIRCHNER CSsR
O pecado do ódio consiste num desejo violento de punir outras pessoas. Pode provocar uma onda de raiva, um espírito de vingança, vontade de pagar em dobro o mal sofrido nas mãos do inimigo, a atitude de não deixar passar a ofensa que o outro praticou.
Quem deixa o ódio dominar a sua vida é uma pessoa que anda por aí com as mãos fechadas em punho, ofendido e impaciente com qualquer um que não atenda seus caprichos. Fica murmurando e reclamando pelo menor detalhe, fora do normal, permitindo que seu raciocínio e modo de pensar seja afetado. O ódio governa seus julgamentos e decisões, e torna-se cego diante das diversas situações que aparecem. Paz interior e serenidade estão longe de seu coração.
Pensadores tem notado a ligação entre amor o ódio. Não são opostos. O oposto do amor é indiferença. Para odiar alguém, é necessário conhecê-lo e estar perto dele. Só odiamos alguém que no passado amamos. Uma ofensa ou evento transforma o amor em ódio. Desgostos, aversão, raiva, rancor, inimizade e repulsa contra uma pessoa fazem parte do conjunto, como também o desejo de evitar o objeto do ódio. Posso odiar pessoas ou grupos que ameaçam a minha segurança e bem estar, que me fazem sofrer. Raiva é uma emoção, passageira, como a paixão; é o que se sente. Não é pecado, pois o próprio Cristo não ficou com raiva dos vendedores no Templo e os expulsou? (cf. Mt 21,12ss) O ódio, porem, é a decisão de manter uma reação negativa permanente e prolongada. Instala-se, é duradouro, forte, bem pensado. Agora é algo dentro de mim, faz parte de mim. Recebe lugar e espaço especial na minha mente. Incomoda-me demais e representa um obstáculo que não desejo remover. É uma mágoa constante, uma frustração que me perturba profundamente, um conflito que aborrece até o ponto de me levar a dar passos violentos para me justificar diante das ações que tomo contra alguém. O fruto do ódio, ao contrario do amor, é ser triste, amargo, de mal com a vida.
Se a raiva pode produzir distúrbios físicos, do tipo enfarte ou derrame, o ódio devora a paz interior como um câncer. “O amor é um sentimento que traz vida para a vida”. O ódio mata todos à sua frente. Se todos e cada um dos pecados são “amor desordenado de nós mesmos” (Garrigou-Lagrande), o ódio é uma perversão da finalidade principal de nossa existência. Fomos criados com amor, para amar. Odiar desvia-me da razão de ser da minha vida. E este amor desviado só me leva à morte, pois desprezo a minha própria pessoa (cf. Jo 12,25). Santo Tomás ensina que “é um movimento desordenado da alma que nos inclina a rechaçar violentamente o que nos desagrada, de onde se seguem as disputas, injúrias e vociferações”.
O passo final do ódio gera o ódio de Deus. O ódio afasta-nos da prática da caridade e da mansidão. Queremos, sim, desenvolver um santo ódio do pecado, que nada mais é do que amor de Deus. Detestemos tudo que poderia separar-nos de Deus.
Se o ódio é um mal que nós mesmos colocamos dentro de nós, não é valido perguntar: Por que? Para que? Que vantagem ele nos oferece? O espírito de vingança estraga o equilíbrio, a alegria, o prazer de viver. Um “deixe pra lá” vai bem quando sentimos a força desta praga. Há alguém que você se recusa a perdoar? Está desejando o mal para um adversário? Recusa-se a oferecer a mão, dizer uma palavra a alguém? Livre-se desse mal e volte a ter felicidade.

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