PADRE FLÁVIO CAVALCA DE CASTRO CSsR
Era previsível que fosse acontecer mais cedo ou mais tarde. Aconteceu ontem à noite (10/11) na televisão inglesa.
Um cidadão inglês, atingido por uma enfermidade neurológica degenerativa, foi para a Suíça à procura de um suicídio com assistência médica. Aceitou que tudo fosse filmado e depois apresentado num canal público.
Mostra o filme que inicialmente ele toma um poderoso sedativo. Depois, com a boca, aciona um equipamento que, quarenta e cinco minutos depois, ira desligar o aparelho de respiração artificial. Diz ainda algumas palavras a sua mulher.
Até agora, em geral os comentários têm sido desfavoráveis à transmissão. O canal em questão desculpou-se dizendo que é preciso alimentar o debate sobre o suicídio com assistência médica. O premiê Gordon Brown declarou que não voltará atrás em sua defesa de lei contrária a isso.
Por outro lado, também ontem, quando se lembravam os sessenta anos da declaração universal dos direitos do homem, houve uma manifestação que é bom lembrar. Emmanuel Hirsch, diretor do Departamento de Ética do órgão responsável pelos hospitais públicos de Paris, e do Departamento de Pesquisa Ética na Universidade Paris XI, lançou um movimento de mobilização ética em defesa da lei de 2005 sobre o fim da vida. Diz ele no manifesto:
“Afirmamos que a dignidade e os direitos das pessoas enfermas ou incapacitadas estão acima das controvérsias sobre a administração de sua morte.
Os profissionais da saúde não poderiam aceitar a missão de executar, a pedido, o ato de matar.Sua vocação obriga-os a demonstrar solicitude, consideração e respeito pelo doente, privilegiando uma relação de confiança na continuidade e na medida dos cuidados devidos.”
O manifesto apela ainda em favor do “surgimento na sociedade de uma nova cultura da morte” e da aceitação “em nome da democracia, de práticas que reconheçam um lugar entre nós para as pessoas em fim de vida”. “Se a única preocupação com os enfermos for perguntar como pôr fim a sua vida, isso constitui um atentado contra sua dignidade, em total oposição à filosofia dos direitos do homem. Nossa proposta é: superemos esse falso debate, mobilizemo-nos para que todos tenham acesso aos tratamentos paliativos.”
Não nos podemos omitir. Temos de fazer nossa escolha pelo sentido da vida e da morte, ou pela morte e pela vida sem sentido.

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