PADRE LUÍS KIRCHNER CSsR
Um dos últimos documentos publicados por João Paulo II foi sobre a Eucaristia. No capitulo final, ele introduziu uma novidade para mim: Maria, a Mulher Eucarística. Não tinha pensado antes deste jeito. Gostaria refletir um pouco mais sobre a forte ligação entre Nossa Senhora e o nosso Sacramento central, a Eucaristia.
– Maria foi o primeiro tabernáculo que possuiu a pessoa do Cristo humano-divino. Durante nove meses, carregou o Filho de Deus. Cada vez que comungamos, temos o privilegio de carregar Jesus dentro de nós. Ela pode ensinar-nos como reverenciar o dom precioso que temos.
– Em cada Missa, recebemos o Corpo e Sangue de Cristo, o corpo que passou pela Paixão e Morte na Cruz. Esse mesmo corpo foi concebido no seio de Maria, e agora somos o novo tabernáculo que carrega Jesus nos dias de hoje. O vinculo entre nós e Jesus passa pela participação de Maria que permitiu a Encarnação.
– Em cada liturgia eucarística, entende-se a presença da cerimônia do “Lava-Pés”, que normalmente é realizado apenas uma vez por ano, na Quinta-Feira Santa. Quem lavava os pés dos convidados ao banquete eram os servos ou escravos. Era um serviço não agradável, mas necessário antes da refeição. O cristão deve imitar o exemplo de Cristo no dia-a-dia. Não é difícil imaginar Maria banhando os pés e o corpo do menino Jesus, fazendo isso com muito amor e carinho. Ela nos ensina a lavar os pés de nosso próximo, nunca recusando uma tarefa considerada abaixo de nossa dignidade.
– A Virgem Mãe concebeu e deu a luz a Jesus, mantendo sua pureza. Cada vez que nós comungamos durante uma Missa, devemos renovar nossa intenção de manter-nos inocentes e puros de corpo e de alma. Maria pode ajudar-nos neste empreendimento, fortalecendo-nos na hora de tentações da carne.
– Em cada liturgia há uma leitura de dois ou três trechos bíblicos, mais um salmo. A Palavra de Deus compõe metade da Missa, iluminando-nos e preparando para a segunda parte. São Lucas descreveu Nossa Senhora como uma pessoa que refletia e meditava a Palavra de Deus, passando as horas do dia pensando sobre as leituras que tinha ouvido. Ela pode instruir-nos como aproveitar e beneficiar-nos mais das leituras da Missa.
– Nosso vínculo com Jesus como nosso irmão passa pela maternidade de Maria. Ela é mãe de Jesus, e mãe nossa (cf. Jo 19,25-27). O que nos liga ao Cristo é nossa mãe comum, com a qual em cada missa temos contato através dos Mistérios celebrados diante de nossos olhos.
– Maria disse sim ao plano de Deus, concordando com o Anjo quando convidada para participar intimamente no plano da Salvação. Era obediente. Cada vez que freqüentamos uma liturgia, devemos sair mais obedientes, em sintonia com a vontade do Pai, como Maria. Ela nos ensina como dizer um sim totalizante, que modifica e transforma todas as nossas ações e pensamentos.
– O natal só aconteceu porque Maria assumiu seu papel agindo em nosso favor. Somos gratos por ela não ter fugido dessa vocação. Teve a coragem de confiar nos projetos do Pai. Em cada Missa, em cada Eucaristia – uma palavra grega que quer dizer ação de graças – agradecemos ao Senhor pelo fato de ele estar em nós, chamando-nos para participar de sua vida intima, e por nos ter dado tantas bênçãos e graças. A missa é tempo de agradecer milhares de favores recebidos.
Não é por nada que João Paulo II chamou Maria de Mulher Eucarística, pois em cada missa podemos achar a presença maternal de nossa Mãe, que nos conduz a seu Filho. Orai, por nós, Mãe Eucarística, para que sigamos vossos passos. Queremos imitar vosso exemplo.

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