PADRE RAFAEL VIEIRA CSsR
Faz tempo que tenho sentido a necessidade de pesquisar com maior profundidade o enigma que circunda a mulher do presidente da república. Esta semana, tomei coragem de fazer uma espécie de varredura virtual e, conforme eu desconfiava, quase ninguém diz nada a respeito dessa senhora. Essa é, na verdade, a grande, surpreendente, estranha, triste e desconcertante constatação: Dona Marisa Letícia, em quase cinco anos de mandato do seu marido, ainda não disse a que veio. A imagem dela ficou associada a do papagaio de pirata porque ela está, invariavelmente, presente em todas as fotos mais importantes das aparições públicas do presidente e a de um rosto que passa por tantas aplicações de substâncias anti-rugas que nas notas de revistas especializadas o “antes” e o “depois” do seu rosto causam certo espanto. Ela já esticou tanto a pele da face que, ultimamente, tem se parecido muito com atrizes que não querem envelhecer. Talvez seja esse o drama que ela esconde. Ela não quer que o tempo tenha poder algum sobre ela. Nem o tempo e nem as expectativas do povo.
Havia lido elogios rasgados do Frei Betto sobre a figura de uma esposa-companheira e de uma mãe muito descolada. Nem isso parece que ela consegue confirmar depois que passou a ser moradora do Palácio da Alvorada. Parece que a noticia mais significativa que ela conseguiu produzir foi a já remota tentativa de induzir o jardineiro a fazer no pátio presidencial algo parecido com a bandeira do PT. Não se pode ser injusto: ela também tem fama de ter sido a insistente motivadora para que a flâmula do partido tivesse aquela estrela solitária branca na imensidão do vermelho. Uma de suas cores prediletas. Volta e meia, lá está ela toda bela, segundo os constantes elogios do marido, e tomada pelo seu indefectível vestido vermelho. Cores, no entanto, não são problemas. Basta uma rápida olhada no figurino usado nas viagens internacionais do casal e se percebe que ela não economiza no verde, no azul e no amarelo. Curiosamente essa vivacidade cromática não tem nenhuma equivalência com o modo de ela se comportar no conjunto das ações do grupo ao qual seu marido pertence. Não se sabe se ela se ocupa com alguma coisa consistente no campo social. Ainda que isso ocorra, a informação não ganha destaque a ponto de ser conhecida pela maior parte da população.
Sempre se ouviu dizer que as mulheres em movimentos de esquerda costumam ocupar posições importantes e, em geral, se negam ser apenas uma sombra de seus maridos. Grandes líderes na luta política de cunho popular têm em suas esposas, lideranças quase da mesma envergadura. Até mesmo nos chamados grupos de centro e de direita do espectro ideológico existem mulheres casadas com homens importantes que ganham uma extraordinária expressão política. Causa perplexidade, portanto, não poder reconhecer na mulher casada com o presidente nenhum tipo de característica das grandes militantes. A impressão que passa é a de que a chegada ao poder, acompanhada do glamour que cerca sua posição, consumiu de tal forma o tempo dessa senhora que ela não conseguiu mais se lembrar da luta e nem das iniciativas que, de costume, são encampadas pelas companheiras dos movimentos sociais.
Entre os achados que obtive na pesquisa sobre a primeira-dama, encontrei um verdadeiro desabafo de um leitor que acompanha as análises críticas da mídia independente, na qual ela é considerada a desempregada mais cara do mundo. Pela lei, ela não poderia ter despesas pessoais custeadas pela União. Afinal, ela não é funcionária pública. Ela não tem direito às diárias de viagens, roupas e cabeleireiro. Tudo isso deveria ser despesas pagas pelo marido, já que a primeira-dama não tem ocupação. Notícias que circularam no meio dos buchichos escandalosos do uso dos famigerados cartões corporativos deram conta de que em num período de seis meses, uma funcionária usou, via cartão, quase R$ 500 mil para despesas com a primeira-dama. Isso equivale a uma média mensal de mais ou menos R$ 55 mil, ou ainda, perto de R$ 1.800 por dia. Ou se quiser piorar bem as coisas e colocar essa situação no âmbito das grandes causas que já foram, um dia, defendidas pelo seu marido, os gastos de um semestre com a esposa do presidente equivalem à alimentação de 8.820 famílias pelos critérios do programa messiânico Fome Zero.

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