PADRE LUÍS KIRCHNER CSsR
SÃO PAULO
Durante o mês bíblico, setembro, queremos focalizar um pouco a pessoa e a mensagem de São Paulo, durante o seu ano jubilar. Ele era um homem "apaixonado", uma alma de fogo, que se consagra sem limites, que é essencialmente religioso. Esse zelo incondicional traduz-se por uma vida de abnegação total ao serviço daquele que ele ama.
Ele nada tem de imaginativo, usa poucas imagens. Por exemplo, fala do estádio (1Co 9,24-27), do mar (Ef 4,14), da agricultura (1Cor 3,6-8) e da construção (1Cor 3,10-17). Paulo é, antes, um cerebral. Para ele, Deus é tudo e Paulo o serve com uma lealdade absoluta, até perseguindo inicialmente aqueles que ele tinha na conta de hereges (1Tm 1,13). Depois prega Cristo, que só nele está a salvação.
Sofreu e enfrentou trabalhos, fadigas, sofrimentos, privações, perigos de morte (1Cor 4,9-13), nada lhe importa, contanto que cumpra a missão (1Cor 9,16 ss). Nada o separará do amor de Cristo (Rm 8,35-39). Sua dedicação incluiu solicitude por todas as Igrejas (2Cor 11,28); trabalha mais do que os outros (1Cor 15,10); exorta os outros a imitá-lo (2Ts 3,7 ss); qualquer sucesso vem da graça de Deus (2Cor 4,7; Fl 4,13); tem carinho pelo povo de Êfeso (At 20,17-38), e indigna-se com a traição das pessoas da Galácia (Gl 1,6).
Era capaz de usar a ironia (1Cor 4,8; 2Cor 11,7), fez duras reprimendas (Gl 3,1-3; 4,11); mas para o bem deles (2Cor 7,8-13) e mostrou uma ternura tocante (2Cor 11,1-2). Brigou com os Judeus (At 13,45 e 50; 14,2 e 19; 18,6), com os cristãos judaizantes (Gl 1,7; 2,4; 1Ts 2,15 ss) e mostrou fidelidade a Pedro (1Cor 1,12; Gl 1,18; 2,2). Em Paulo, une-se a um coração ardente uma inteligência lúcida, lógica, exigente, preocupada em expor a fé segundo as necessidades dos ouvintes. Argumenta como um rabino, mas temos explanações admiráveis com que ele envolve o querigma segundo as circunstâncias. Seu gênio era capaz de ultrapassar os limites de sua herança tradicional.
Sua mensagem tem uma natureza "promissória": cf. Gl 3,14-19; Rm 9,4,13; Ef 1,13 e 3,6. Tem um caráter universal (Rm 1,16). Para ele Deus mostra 3 qualidades: 1) IRA: i.e. sua reação contra o mal e o pecado: Rm 1,18; 2,8; 3,5;1Ts 1,10; 2,6; 5,9.); 2) JUSTIÇA (sua atividade salvadora e bondade: hesed): Rm 1,17; 2Cor 5,21 (o dom de Deus); 3) AMOR: Rm 5,5; 8,31-39: somos filhos, irmãos amados por Ele.
O plano de Deus inclui dimensões históricas, comunitárias (somos membros do povo de Israel), cósmicas (o mundo inteiro, com a natureza) e escatológicas (estamos vivendo os últimos tempos)
O conteúdo teológico das Cartas de Paulo é variado: escatológico, ou seja, a doutrina que se refere aos últimos acontecimentos da História da Salvação; soteriológico, sobre o papel de Deus e do crente na salvação, por meio de Cristo; cristológico, o lugar central de Cristo na realização do plano salvador de Deus; eclesiológico, o papel que Deus confiou à Igreja, por meio de Cristo, para a realização do seu plano de salvação integral da humanidade.
Paulo elabora ainda a Tradição (parádosis), a partir de temas tradicionais do judeo-cristianismo ou do helenismo. Recolhe hinos, por exemplo, imprimindo-lhes um cunho pessoal. A sua teologia está em contínua elaboração. Por isso, não podemos esperar dele uma teologia plenamente estruturada, nem no seu conjunto nem acerca de qualquer tema especial.
O modo como Paulo utiliza o Antigo Testamento ressente-se de sua formação rabínica. Nas 13 Cartas encontramos 76 citações formais introduzidas com as fórmulas próprias: "Como diz a Escritura", "Como está escrito". Algumas citações do AT são feitas com grande liberdade (Rm 10,18: Sl 19,5; Ef 4,8: Sl 68,19), como acontece, por vezes, no Evangelho de Mateus. Um dos processos de argumentação mais utilizados por Paulo corresponde às sete regras de Hillel. Outro processo de interpretação é partir retrospectivamente de Cristo para o AT, fazendo uma interpretação de Cristo como novo Adão (Rm 15,12) ou novo Moisés (1 Cor 10,2). Neste caso, o Antigo Testamento está repleto de figuras e profecias do Novo. Isto coloca-nos uma questão:
Para Paulo, o Espírito Santo é aquele que não somente nos dá a vida, mas é a fonte da energia para vive-la:
– O Espírito de poder: 1 Co 2,4; Rm 15,13
– Liberta-nos da Lei: Gl 5,18; Rom. 8,2
– Nos liberta dos desejos da carne: Gl. 5,16, e de uma conduta imoral: Gl 5,19-24
– Assiste-nos na oração: Rm 8,26
– Faz-nos filhos adotivos do Pai: Gl. 4,6
– Faz-nos conscientes de nosso relacionamento com o Pai.
Mais uma vez, um pequeno artigo só pode ser uma “amostra grátis” da riqueza que espera você ao ler os escritos deste gigante de nossa fé cristã.

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