CONSAGRAÇÃO À NOSSA SENHORA APARECIDA NA VOZ DO PADRE VITOR COELHO CSsR

Ó MARIA SANTÍSSIMA, PELOS MÉRITOS DO SENHOR JESUS CRISTO QUE EM VOSSA IMAGEM MILAGROSA DE APARECIDA ESPALHAIS INÚMEROS BENEFÍCIOS SOBRE O BRASIL, EU, EMBORA INDIGNO DE PERTENCER AO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS, MAS DESEJANDO PARTICIPAR DOS BENEFÍCIOS DA VOSSA MISERICÓRDIA, PROSTRADO A VOSSOS PÉS, CONSAGRO-VOS O ENTENDIMENTO, PARA QUE SEMPRE PENSE NO AMOR QUE MERECEIS. CONSAGRO-VOS A LÍNGUA, PARA QUE SEMPRE VOS LOUVE E PROPAGUE A VOSSA DEVOÇÃO.CONSAGRO-VOS O CORAÇÃO, PARA QUE, DEPOIS DE DEUS, VOS AME SOBRE TODAS AS COUSAS.RECEBEI-NOS, Ó RAINHA INCOMPARÁVEL, QUE NOSSO CRISTO CRUCIFICADO DEU-NOS POR MÃE, NO DITOSO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS. ACOLHEI-NOS DEBAIXO DA VOSSA PROTEÇÃO. SOCORREI-NOS EM NOSSAS NECESSIDADES ESPIRITUAIS E TEMPORAIS E, SOBRETUDO, NA HORA DA NOSSA MORTE. ABENÇOAI-NOS Ó MÃE CELESTIAL, E COM VOSSA PODEROSA INTERCESSÃO FORTALECEI-NOS EM NOSSA FRAQUEZA, A FIM DE QUE, SERVINDO-VOS FIELMENTE NESTA VIDA, POSSAMOS LOUVAR-VOS, AMAR-VOS E RENDER-VOS GRAÇAS NO CÉU, POR TODA A ETERNIDADE. ASSIM SEJA! ...PELA INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA, RAINHA E PADROEIRA DO BRASIL, A BÊNÇÃO DE DEUS ONIPOTENTE, PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO, DESÇA SOBRE VÓS E PERMANEÇA SEMPRE.AMÉM!

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17 de agosto de 2010

REMEMORANDO REDENTORISTAS! PE.MIGUEL CSsR

Pe. Miguel (Hubertus) Radermacher, CSsR
Falecido em Wittem (Holanda) 17-08-1977 (88 anos)

O Pe. Miguel, ordenado sacerdote em 1913 chegou ao Brasil em 1920. Das suas atividades na Holanda pouco conheço a não ser a fama das suas idéias renovadoras. A época gloriosa da sua vida teve início no Brasil.
Durante 50 anos pregou Missões em muitos Estados do Brasil.
Esforçava-se muito para conseguir um profundo conhecimento da mentalidade do povo e tinha um carisma especial para fazer da Santa Missão um grandioso acontecimento religioso, do qual todo povo participava. Trabalhou na então Vice-Província do Rio de Janeiro de 1920 a 1947 especialmente na nossa casa de Campos-RJ, que se tornou o centro de sua ação missionária. Recordo-me da sua grande admiração pelo missionário Pe. Estevão, da Província de São Paulo.
Em 1947 o Pe. Miguel recebeu a incumbência de ser um dos fundadores da nossa primeira fundação no Nordeste: Garanhuns.
Não posso deixar de elaborar uma exposição um pouco mais extensa sobre a vida missionária deste grande missionário porque, nesta fase de reavivamento das Missões na Vice-Província do Recife, ele poderia, mutatis mutandis, servir de modelo para a nova geração de missionários.
Em 1950, numa visita à Cachoeira de Paulo Afonso, BA, que ainda se encontrava na sua maravilhosa beleza original, o missionário Miguel anotou no livro de visitantes: “As águas se agitam e espumam... há um rio cujos braços alegram a Cidade de Deus”! Sl 46, 4-5.
Aqui já temos algo que revela a sua personalidade complexa: “Agitar” e “Alegrar a Cidade de Deus”. Isso veremos plenamente na sua maneira de pregar as Santas Missões e no seu trato maravilhoso com o povo mais humilde. Por causa dos traços muito diversificados da sua personalidade, é bastante difícil produzir uma imagem clara e nítida deste grande missionário.
Muito firme e constante nos moldes dos nossos antigos; era muito escrupuloso na administração dos sacramentos, mas possuía também, o precioso dom do humor brilhante e sabia relativizar.
Era um homem de um saber vasto e universal, poliglota e latinista de primeira qualidade; técnico “sui generis”, as suas
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invenções no terreno da eletricidade eram tão complicadas e primitivas que davam choque em todo mundo que se aproximava!
Em todas as Missões pregadas por Pe. Miguel encontramos o mesmo padrão: os quadros luminosos projetados numa parede da Igreja através de uma máquina antiquada que só ele sabia manusear; inúmeras procissões e levantamento de Santos Cruzeiros. Esses foram os meios por excelência para “alegrar a cidade de Deus”, que é o povo mais simples.
Nos primeiros anos depois da nossa chegada ao Nordeste, o Missionário Miguel encontrou certas barreiras.
Chegamos ao Nordeste imbuídos do espírito missionário próprio da época, rigorosamente marcado pelo mais pobre sistema Afonsiano trazido da Europa. A Missão teria de criar um clima de temor e de muito rigor, de sobriedade moldada em regras fixas e invioláveis. Mas o não-conformista e “agitador" Pe. Miguel já tinha fugido de certas normas. Isto se deu no Estado do Rio de Janeiro, território reservado para os missionários de uma imaginação rica, pois o povo era religiosamente muito frio e não corria para as Missões como em Minas.
Por isso, durante a fase inicial das Missões no Nordeste, a partir de 1947, pregadas pelos Padres Inácio, Miguel e Adriano, o Pe. Miguel tinha que ficar a pulso dentro da chamada linha “Afonsiana”. Portanto, havia um bloqueio para ele e não havia espaço para a sua criatividade. Entretanto, ouvi uma vez, naquele tempo, o riso do povo durante o sermão sobre o inferno. Quando lhe perguntei como poderia tolerar essa hilaridade, tão contrária à vontade dos nossos superiores, o Pe. Miguel me respondeu laconicamente: “São doidos! Eles não compreendem que esse povo já passa por um verdadeiro inferno de sofrimento neste mundo”.
Nestas palavras revela-se sua intenção: mostrar o rosto humano de Deus, compassivo, paciente e misericordioso.
Passados alguns anos, devido a certas circunstâncias, este filho de Santo Afonso conseguiu libertar-se desses padrões rígidos; vendo as multidões esgotadas, tinha para com elas compaixão evangélica e genuinamente Afonsiana! Particularmente no interior, a Santa Missão é para o povo uma festa, um desabafo no meio de tanto sofrimento.
Plenamente apoiado pelo superior, Pe. Carlos Maria Donker, o Pe. Miguel começou a concretizar aquilo que tanto desejava: a conversão do povo, não só pelo temor de Deus, mas também pelo encanto das belezas externas da Religião, tão caras ao povo, como
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manifestação do seu grande amor ao Pai, que os sustenta no meio de tantos sofrimentos. São organizadas, então, as procissões, apresentadas as projeções luminosas, levantados os Santos Cruzeiros e outras solenidades com cavaleiros etc., etc. É uma série infinita de invenções engenhosas que só ele poderia criar.
Existem exemplos de sobejo que nos mostram o Pe. Miguel como Missionário autêntico do povo, o homem de Deus que agita mundos e fundos para alegrar a Cidade de Deus.
Certo dia, fomos mandados a pregar Missão em Belo Jardim-PE. O Pe. Miguel animou tanto o povo que, numa noite, compareceram 82 procissões minúsculas juntando em frente da Matriz, 82 andorzinhos com Santos de todo tamanho e qualidade. Mais de trinta “Nossas Senhoras” diferentes! Para o povo foi uma festa nunca vista e se via a satisfação estampada nos rostos tão marcados pela dor e pela dureza da vida.
Mas essa multidão de coros celestiais foi submetida a um processo de redução do número e, aos poucos, entramos na gloriosa época dos andores gigantes. O Pe. Miguel, então vai dar toda a sua atenção a esses andores enormes.
A confecção era bastante simples: ele escolhia uma mesa sólida, larga e comprida. Nessa mesa eram pregados caibros bem fortes para o andor poder ser conduzido por um grande número de homens, fortes e bem dispostos. Em cima da mesa havia um pedestal que sustentava a Imagem do Santo ou Santa, ricamente adornada com flores. O espaço livre se preenchia com Anjos de todas as hierarquias do céu. De noite não faltavam os dois célebres candeeiros de querosene que ele acendia tão logo anoitecia. Estes candeeiros eram a “menina dos olhos” do Santo Missionário. Durante a viagem, no ônibus, não deixava ninguém tocar neste tesouro e suportava a viagem dura, por caminhos quase intransitáveis, com os candeeiros no colo como se fossem dois nenéns!
Na hora da Procissão, o Missionário Pe. Miguel ficava bem em frente do andor-gigante: numa das mãos o santo terço e na outra o inseparável guarda-chuva e uma sineta. Desde que numa procissão um fio elétrico cortou a cabeça de São Cristovão, o Missionário prestava toda a atenção aos movimentos do andor, pois todo cuidado era pouco. Quando porém, o canto fervoroso e as emoções religiosas provocavam um aumento exagerado de velocidade no andar dos homens do andor, ele parava, tocava com
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toda força a sineta e gritava: “Parem! Parem! Rezavam-se três Ave-Marias ao Santo Anjo da Guarda e isso acalmava todo mundo.
O levantamento do Santo Cruzeiro e a procissão que antecedia tinha o mesmo estilo que impressionava a todos.
Com muita segurança, enfrentava o perigoso trabalho da implantação, pois já tinha plantado quase 300 cruzeiros, de todo tamanho, durante a sua vida missionária. De vez em quando avisava em tom de brincadeira: “Os homens que não se confessaram na Santa Missão, não toquem no Santo Cruzeiro, pois vão queimar as suas mãos”!
Quanto à sua maneira de pregar, seguia o pronunciamento bem claro de São Marcos: “Assim, usando muitas comparações, Jesus falava ao povo de um modo que eles podiam entender” (Mc 4, 33). O sermão do Pe. Miguel era tão simples na sua linguagem que um estranho mais instruído poderia pensar que fosse um Padre muito simplório. Uma noite, o Pe. Miguel reagiu contra essas críticas fazendo um sermão em estilo clássico, de acordo com as regras mais finas da oratória dos grandes mestres e citando abundantemente vários textos das Escrituras em Latim, pois era um latinista de mão cheia. Tudo foi feito num português castiço de Camões. Foi uma peça de oratória tão primorosa que deixou boquiabertos os “intelectuais” do lugar.
E depois, ele me disse na sacristia: “Adriano, esses doidos não conhecem o povo e nem olham para ele”!
Ficou na história a comemoração do Centenário de Nossa Senhora de Lourdes (1858 - 1958). O fato se deu na cidadezinha de São Benedito-PE (Quipapá). O Pe. Miguel queria oferecer a Nossa Senhora de Lourdes 100 casamentos (legitimações). Todas as noites repetia várias vezes: “Em honra de Nossa Senhora de Lourdes quero cem noivos e cem noivas! Digam todos: Cem noivos e cem noivas”. Assim, foi provocada uma verdadeira avalancha rápida e violenta que arrastava consigo todos os casais ainda não legalizados. O número de cem casamentos foi conseguido e foi um verdadeiro triunfo.
E assim, poderíamos continuar com muitas e muitas estórias, mas a realidade é como São João dizia: “Se todas elas fossem escritas, uma por uma, acho que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos” (Jo 21, 25).
Não posso, porém, concluir este “In Memoriam” do Pe. Miguel, sem dizer algo sobre a sua contínua preocupação pela saúde do povo mais pobre.
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Antes de tudo, devemos mencionar o seu célebre remédio Simaruba, cujas raízes e casca têm uma grande força medicinal. O Pe., Miguel considerava a simaruba uma verdadeira panacéia.
Ele dizia: “A simaruba cura dos males, mas principalmente a verminose e a mais ferrenha inimiga da saúde do povo: a terrível ameba”. Foi um enorme benefício para muitos pobres, que não tinham recursos para procurar a medicina “ortodoxo”.
Muito conhecidas também, são suas campanhas fervorosas, durante as Santas Missões, para que o povo fizesse privadas com fossas e tivesse todo o cuidado com a água. Por isso, fazia apelos à comunidade toda para que ajudasse o pobre a adquirir filtros para purificar a água. E muitos outros conselhos o povo escutava com toda atenção para prevenir-se contra as doenças endêmicas. Deste modo, o Pe. Miguel adquiria a simpatia do povo e todos eram mais inclinados a aceitar os seus conselhos nos diversos níveis da vida.
Eis aí um retrato fiel, mas também incompleto do nosso grande missionário Miguel. No dia 22 de dezembro 1947, fez a sua entrada oficial em Garanhuns e saiu de lá em 1970 por motivos de saúde e idade avançada. Encontrou, porém, no convento de Wittem (Holanda) todo o carinho e os melhores cuidados da parte do Superior, Pe. Marino Krinkels, e da comunidade. Mas até o fim da sua vida em 17 de agosto de 1977, com 88 anos de idade, sempre sentia profundas saudades do seu povo nordestino! Foi sepultado na Cripta do Convento de Wittem.
“Vinde, bendito do meu Pai, para o reino que vos está preparado desde o começo do mundo” (Mt 25, 34).
“Quem teve a felicidade de participar de uma Santa Missão pregada pelos Padres Redentoristas, associa-se, de coração à ação de graças pelo bem derramado pela Providência, em nosso País, através destes especialistas em contato com a nossa gente!
A ação de graças ainda se torna maior quando encontramos os Missionários de ontem adaptando-se aos tempos de hoje, a Missão valia sempre!”
D. Helder Câmara
Arcebispo Emérito de Olinda e Recife-PE.

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