
PADRE RAFAEL VIEIRA CSsR
Dia 16 de abril de 2007 foi o aniversário do Papa. Eu vou confiar numa informação dada por Ilze Scanparini, correspondente da TV Globo, em Roma. Ela disse, numa matéria, que na véspera do seu dia, Joseph Ratzinger falou que é grato aos fiéis por serem indulgentes com as suas fraquezas. O comentário pode ser efeito do calor afetivo da data e da distância que o Pontífice pode ter das repercussões dos seus pronunciamentos na grande mídia, porque que se tem uma coisa que os fiéis não têm dado a ele, nos últimos tempos, é justamente indulgência. Se comparado com o ambiente que sempre circundou João Paulo II, o Papa não recebe afagos. Desde a sua eleição, em quase todo canto, ele tem sido acolhido com reservas. Há razões de vários tipos para justificar relacionamento que o mundo tem com Bento XVI. Por parte dos teólogos e pela própria hierarquia da Igreja, há uma nítida divisão de opiniões e posturas. De uma parte, estão os que lhe prestam reverência por sua magnitude de intelectual no campo da firmeza doutrinária e na dedicação incondicional ao serviço eclesial. Por outra, estão aqueles que alimentam comentários sobre um possível rigor excessivo que o Papa pode ter em relação a temas fundamentais para a chamada civilização global. Por parte do povo as coisas não são tão sérias assim e há um número significativo de pessoas que se empolga com celebridades que tanto pode ser um rapper desbocado norte-americano ou um líder religioso. Essa gente não é indulgente, é devota. A maioria, certamente, é representada por fiéis que procuram compreender o que representa o ministério petrino e não se sente em posição de conceder, mas de buscar dele as indulgências.
A forma como Papa é recebido, na verdade, é mais fortemente marcada por outros elementos do que pelo grau de concessão que as pessoas possam realizar para compreende-lo quando demonstra alguma fraqueza. Aliás, é difícil identificar fraquezas no Papa. Recentemente, ele lançou um livro sobre Jesus. Na apresentação do trabalho o Papa teria dito que não se trata de um documento do Magistério e, portanto, é uma obra aberta às críticas. Fiquei pensando: quem terá coragem para tanto? Somos herdeiros de uma tradição que associa a dissenso a uma espécie de pré-ruptura. A discordância poderia, facilmente, ser interpretada como um sinal seguro de que aquele que a manifestou não estaria em “perfeita” sintonia com a palavra da ortodoxia. Ou pior ainda, neste caso, qualquer ponderação sobre o teor do trabalho teológico do livro do Papa poderia soar como uma crítica à sua formação e, consequentemente, atingiria o peso da sua caneta quando assina documentos do Magistério. Esse é apenas um exemplo paradigmático. No fundo, fica realmente muito difícil exercitar a compreensão e a absolvição de penas diante de alguém que quase não pode demonstrar ter razões para tanto.
Bento XVI é o nome que Joseph Ratzinger adotou há dois anos. Há 78 anos de caminhada de um homem, sacerdote, bispo e cardeal. O aniversariante traz uma vida longa e bonita para uma celebração nesse décimo sexto dia do mês de abril. E ação de graças que fazemos inclui todas as facetas de sua vida incluindo a necessidade da indulgência de Deus diante de todas as expressões de alguma dificuldade maior que ele possa ter encontrado para ser plenamente fiel e que foram perdoadas. O povo católico do mundo inteiro ama o Papa. No Brasil, estão sendo ultimados os preparativos para a sua primeira visita ao país no mês de maio. E aqui, as comunidades estão ansiosas para um encontro fraterno e bonito com o seu Pastor Universal. As celebrações que serão realizadas entre nós serão, certamente, oportunidades ricas de crescimento da nossa intimidade com ele. E o Papa vai perceber com muita clareza que o povo brasileiro o ama. E quase ninguém aqui tem o que desculpar no seu indiscutível e sincero serviço à Igreja. E como ensina o Talmud, no dia do aniversário de alguém, é preciso manifestar a ela o desejo de boa sorte. Entendida a sorte, não como costumamos imaginar quando se participa de algum sorteio, mas no sentido ter uma continuidade de vida com o favor de Deus, a força e o apoio dos amigos e a felicidade de escrever um novo capítulo de bênçãos na sua história. Boa sorte ao Papa!
Pe. Rafael Vieira / 16.04.2007
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