
Crônica vaticana
16/07/2010 (3:33)
John Thavis: O Vaticano não está imune à crise econômica mundial. Isso ficou dolorosamente evidente nesta semana quando o Vaticano publicou seus números do balanço final de 2009, apresentando um déficit de 15 milhões de dólares. Na crônica Vaticana de hoje vamos dar uma olhada no relatório das finanças do Vaticano. Eu sou John Thavis, chefe da redação em Roma de Catholic News Service.
CG: E eu sou Carol Glatz, correspondente em Roma de CNS. Havia boas e más notícias no relatório do balanço. Primeiro, vamos falar sobre a boa notícia: doações para o Papa aumentaram provenientes de dioceses, ordens religiosas e fiéis ao redor do mundo. Isso é muito importante, porque essas doações somaram mais de 180 milhões de dólares em 2009, mais da metade do total do orçamento. Mais uma vez, as maiores contribuições vieram dos Estados Unidos. Mas virtualmente cada comunidade católica no mundo deu algo, da África ao Sudeste Asiático.
"JT: agora para as más notícias. Mesmo com mais entradas o déficit foi de 15 milhões de dólares. Isso significa que o Vaticano pode ter que utilizar a sua carteira de investimentos para cobrir a diferença, algo, obviamente, que não querem fazer, porque grande parte da renda do Vaticano deriva de investimentos. O Vaticano não publicou detalhes de seus gastos, mas destacou um par de itens em 2009: revisão do seu sistema de telecomunicações com a instalação de uma rede de fibra óptica e a reestruturação completa da biblioteca do Vaticano, que está prestes a reabrir em Setembro.
CG: Os Museus do Vaticano expandiram seus espaços de exposição e suas horas de visitas em 2009, o que significa mais pessoal e mais custos. Agora, os Museus são uma das poucas instituições do Vaticano que realmente produzem recursos. Não dizem quanto, mas com cerca de 5 milhões de visitantes pagando de 10 a 20 dólares por um bilhete, é substancial. Por outro lado, os Museus empregam cerca 600 pessoas, mais do que qualquer outro departamento Vaticano, e tem grandes despesas no restauro e manutenção. Portanto, não é simplesmente uma máquina de dinheiro.
"JT: no outro extremo do espectro estão as operações de comunicações do Vaticano: o Jornal, televisão, rádio, imprensa, editora, assessoria de imprensa. Eles custam muito e não rendem praticamente nada. Poderia se pensar que o Vaticano esta procurando setores para fazer cortes no orçamento, e este seria um deles. Mas eles não estão fazendo isso, pelo menos até agora. E a razão é que eles sabem que, sem comunicação, incluindo a comunicação jornalística, a Igreja não pode evangelizar.
CG: um caso particular é a Rádio Vaticano. Não tem praticamente nenhuma entrada e tem despesas de cerca 30 milhões de dólares por ano para operar. As pessoas no Ocidente poderiam dizer, isso é um monte de dinheiro para a velha tecnologia. Mas não devemos esquecer que, em grande parte do mundo, a rádio continua a ser a única maneira para as pessoas obterem em informações. Naturalmente, as atividades da Rádio Vaticano hoje vão muito além da radiodifusão. Ela fornece uma série de serviços on-line em cerca de 40 idiomas, incluindo vídeos e podcasts.
JT: a maior categoria de despesas gerais do Vaticano são salários e benefícios para os seus aproximadamente 4.600 funcionários. Há um número semelhante de funcionários aposentados, e o Vaticano está tendo muito cuidado para proteger seu fundo de pensão nos dias de hoje.
CG: O Vaticano é muitas vezes visto como independentemente rico. Mas a maioria do que é considerada riqueza no Vaticano não pode ser convertida em dinheiro. A questão de fundo é que, quando a economia mundial está em dificuldade, o Vaticano compartilha a dor. Eu sou Carol Glatz.
JT: E eu sou John Thavis, Catholic News Service.
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