
PADRE FLÁVIO CAVALCA DE CASTRO CSsR
Estava lendo alguma coisa sobre Mestre Eckhart (1260-1327), frade dominicano, mestre espiritual e místico da Idade Média. Parei diante de uma frase sua: “não são nossas obras que nos santificam; nós é que devemos santificar nossas boas obras”. Voltei a ler o que estava logo antes: “As pessoas não deveriam pensar tanto no que devem fazer; deveriam pensar mais sobre o que devem ser. Se simplesmente forem boas, suas obras brilharão com grande fulgor”.
Primeiro concordei com o mestre que, de fato, geralmente nos preocupamos muito em fazer, ainda que seja fazer boas obras. E com isso atiramo-nos num turbilhão de inúmeros compromissos, sempre mais numerosos, correndo contra o tempo, fazendo tanto que nem temos tempo de viver. E importante é o viver, o ser, não o fazer. Depois concordei também com a segunda afirmação: “nós é que devemos santificar nossas boas obras”. É, aliás, o que dizia também S. Paulo: somos salvos, somos pessoas realizadas, não pelo que fazemos, mas pelo nosso modo de ser em relação a Deus.
Nada do que fizermos, nenhuma boa obra, por melhor que seja, poderia colocar-nos no correto relacionamento com Deus. Adotados por ele como filhos, participantes de sua vida divina, é que podemos agir bem, é que podemos fazer santas todas as nossas ações, não apenas as que consideramos boas e piedosas. É o mesmo que Jesus ensina com outras palavras (Lc 11,34): “A lâmpada do corpo é o olho. Quando o olho é sadio, o corpo inteiro também fica iluminado. Mas, se ele está doente, o corpo também fica na escuridão. Portanto, veja bem se a luz que está em você não é escuridão. Se o seu corpo inteiro é luminoso, não tendo nenhuma parte escura, ele ficará todo luminoso, como quando a lâmpada com o seu clarão ilumina você.”
Se vivemos, e vivemos intensamente, nossas obras todas serão geradoras de vida. Unidos a Cristo, somos salvadores, não na medida de nossas obras, mas na medida de nossa vida em união com ele. Marta fazia, Maria vivia. E Jesus disse que esta escolheu a melhor parte.
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