
PADRE FLÁVIO CAVALCA DE CASTRO CSsR
Anos atrás, a cidade de Nova Iorque viu nascer um jornal: “The News World” (“O mundo das Notíciais”) lançado por uma seita. Na época a notícia chamou minha atenção porque, segundo o gerente de publicidade, o jornal impresso em cores pretendia noticiar apenas acontecimentos felizes. Seus leitores nada iriam saber de guerras, violências, miséria, fome, calamídades,crimes, revoluções, terremotos, trapaças, ,monopólios etc. Não sei se o jornal, se ainda existe, iria noticiar a visita de Busch ao Brasil. Mas isso não vem ao caso.
A questão é: que pensar de um jornal assim, em que tudo, acabaria bem, como nos filmes norte-americanos? Na verdade seria péssimo, infame, mentiroso. Na história, que a humanidade vive dia a dia, nem tudo é azul ou cor-de-rosa, nem todos os acontecimentos são felizes, nem todos são heróis de honestidade, nem todos os vilões são inteiramente maus, nem todos os santos são inteiramente justos. Se, em nossos meios de comunicação, nem sempre o bem e a virtude são notícia, nem por isso haveria vantagem no extremo oposto. O mal, as calmidades, as injustiças, os roubos, as maldades, os assassinatos não deixam de existir pelo fato de não serem noticiados ou apresentados.
Se devemos assumir uma atitude para o bem e a salvação de nosso mundo, precisamos ter exato conhecimento de sua situação real, para que possamos julgar, decidir e fazer o que deve ser feito. Não podemos viver iludidos, pensando que tudo vai bem e na santa paz de Deus, que não há gente sofrendo por falta de verdade, de pão e de justiça, que não há gente esbanjando num noite o que foi produzido pelo trabalho de muitos, que não há gente por própria culpa presa ao subdesenvolvimento de todo tipo, que não há pecado. Não podemos desconhecer o mundo em que vivemos.
Ê para isso é preciso que a comunicação (sem esquecer a literatura, o teatro e tudo o mais) seja verdadeira, objetiva, honesta, que não filtre apenas as informações que interessam a esta ou àquela corrente, que não distorça os fatos, que não faça sensacionalismo. Numa palavra,que procure o bem, a verdade, a justiça. Que não faça a defesa do mal, que não o apresente de forma sedutora, mas que também não finja que a vida é uma novela cor-de-rosa.
É claro, você não tem o controle da comunicação, nem a direção dos meios de comunicação. Mas você pode selecionar os autores, os canais e veículos, dando sua confiança apenas àqueles que apresentem credenciais suficientes de honestidade. Você pode aprender a ler nas entrelinhas, a ver e ouvir o que não foi mostrado claramente. Basta que você não seja leitor, ouvinte ou expectador passivo, que tudo aceita sem pensar nem reclamar. Reclame, aplauda, manifeste-se, apoie, proteste, por carta, por telefone, por fax, por correio eletrônico. Não compre, ou compre o livro, a revista, o dvd; deixe de comprar, ou compre os produtos do patrocinador. Reaja, manifeste-se.
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