PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsRUnção dos enfermos é sacramento para quem está morrendo?
Há um teologia sacramental na Igreja que precisaria ser revista, está rodeada da práxis antiga e até medieval; hoje os tempos são outros e a realidade exige novas leituras teológicas.
Na carta de Tiago (5,14-15) fala-se de chamar os presbíteros para que rezem sobre os enfermos ungindo-os com óleo, e a oração da fé lhes daria alívio e se estivessem em pecado receberiam o perdão. Se as coisas são tão claras como parecem, porque a prática ficou tão confusa e acabou se resumindo em atender só os que estavam em caso extremo, daí o nome de Extrema Unção.
Até o século XII esse sacramento é pouco mencionado, embora no Eucológico ou Sacramentário de São Serapião, bispo de Thumis, no Egito (325 d.C.), já exista a bênção do óleo dos enfermos. O comentário mais antigo é o de São Beda, no século VIII, por volta de 735 d.C., na teologia para cada quinhentos tratados sobre a Eucaristia, temos apenas um tratado falando da Unção dos Enfermos. Era também considerado como complemento da penitência e administrado antes do Viático, a última comunhão antes de morrer.
Hoje a Igreja ressuscitou esse sacramento, dando-lhe nova configuração, retirando o aspecto de último perdão e colocando-o como sacramento dos vivos, perdão e força do Espírito para quem caminha com dificuldade. Hoje a Unção dos Enfermos é para idosos, pessoas com uma doença mais grave ou prolongada. Assim tem sentido.
Muitas paróquias aproveitam e uma vez por mês realizam a Missa dos Idosos e Doentes com a unção dos enfermos que perdoa os pecados e renova a força de Deus para esse momento de experiência da dor e do limite humano. É graça abundante e reconfortante.
Fora dessa prática, é quase inviável a Unção dos Enfermos, principalmente em cidades grandes. Sei de sacerdotes zelosos que gastam o dia atendendo doentes em hospitais, mas as comunidades têm exigências maiores para onde o padre deve dirigir seu tempo.
Precisamos ter outra visão da misericórdia e da salvação e não essa da última hora e nessa forma. Certamente, quando essa falta, Deus tem outros caminhos em sua bondade.
Evidencia cada vez mais a necessidade de passar esse sacramento para os leigos administrarem. A discussão está em que esse sacramento perdoa pecados, mas o batismo conferido por ministros autorizados também perdoa os pecados, principalmente no batismo de adultos, e qual é o problema em se tratando de Unção dos Enfermos? Ou vamos continuar atendendo um mínimo de pessoas, deixando até de falar sobre esse sacramento porque não há quem o administre. Ele é importante ou não é?
DO LIVRO:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 10
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br
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