
Alguns textos de pregações, admoestações e inspiração de Dom Romero para todos que busquem a edificação espiritual.
"Irmãos, como gostaria de gravar no coração de cada um esta grande idéia: o cristianismo não é um conjunto de verdades que se deve crer, de leis que temos que cumprir, de proibições! Isto se torna repugnante! O cristianismo é uma pessoa, que me ama tanto, e que reclama meu amor. O cristianismo é Cristo" (06/11/1977).
"Que beleza será o dia em que cada batizado compreenda que sua profissão, seu trabalho é um trabalho sacerdotal; que assim como eu vou celebrar a missa neste altar, cada carpinteiro celebre sua missa no banco da carpintaria, cada encarregada da colheita de folhas, cada profissional, como médico com seu bisturi, a senhora que atende no mercado, estão exercendo um ofício sacerdotal. Quantos motoristas sei que escutam em seus táxis, diariamente a Palavra. Pois você, caro taxista, junto a seu volante, é um sacerdote se trabalhar com honradez, consagrando a Deus seu carro, levando uma mensagem de paz e de amor aos clientes que vão no seu carro" (20/11/1977)
"Uma religião de missa dominical, mas de semana injusta, não agrada ao Senhor. Uma religião de muitas rezas e tantas hipocrisias no coração, não é cristã. Uma Igreja que se instala só para estar bem, para ter muito dinheiro, muita comodidade, mas que se esquece do clamor das injustiças, não é verdadeiramente a Igreja do nosso divino Redentor" (04/12/1977).
"Quando se dá pão ao faminto, nos chamam de santo; se perguntamos as causas porque o povo tem fome, nos chamam de comunistas ateus" (15/11/1978).
"Quando nos chamarem de loucos, ainda que nos chamem de subversivos, comunistas e todas as ofensas que assacam contra nós, sabemos que não fazem mais do que pregar o testemunho ‘subversivo’ das bem-aventuranças, que anima a todos para proclamar que os bem-aventurados são os pobres, bem-aventurados os sedentos de justiça, bem-aventurados os que sofrem" (11/05/1978).
"Muitos desejariam que o pobre sempre dissesse que é pobre porque ‘é vontade de Deus’ ser pobre. Não é vontade de Deus que uns tenham tudo e outros não tenham nada. Uma idéia assim não pode ser de Deus. De Deus é a vontade que todos seus filhos sejam felizes" (10/09/1978).
"Muitos se dizem cristãos, mas tem mais fé em seu dinheiro e em suas coisas que em Deus, que construiu as coisas e o dinheiro" (03/06/1979).
"Uma Igreja que não sofre perseguições, e que está desfrutando os privilégios e o apoio da burguesia, não é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo" (11/03/1979).
"De que servem belas estradas e aeroportos, belos prédios de muitos pisos, se estão construídos sobre o sangue dos pobres que jamais vão desfrutar deles" (15/07/1979).
Romero nunca foi contra a riqueza. Combateu, isto sim, a acumulação desenfreada, a ambição e aquilo que João Paulo II denunciara a partir do encontro de Puebla (1979): a existência de ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres. Aos que acusaram - como sempre sucede aos profetas - de "comunista" temos o veredicto de Ratzinger (hoje Bento XVI) que leu todos os seus discursos, homilias e demais escritos, tachando-os de "puro cristianismo" com absoluta fidelidade ao evangelho de Jesus.
"Não é um privilégio para a Igreja estar de bem com os poderosos. O privilégio da Igreja é este: sentir que os pobres a sentem como sua, sentir que a Igreja vive uma dimensão na terra, chamando a todos, também os ricos, à conversão e à salvação a partir da ótica dos pobres, porque eles são unicamente bem-aventurados (17/02/80).
"Não nos cansemos de denunciar a idolatria da riqueza que consolida em muitos o valor do ‘ter’ e faz esquecer que a verdadeira grandeza é ‘ser’. Nada vale ao homem pelo que tem, mas pelo que ele é" (04/11/1979).
"Que formoso será o dia em que uma sociedade nova, em vez de armazenar e guardar de forma egoísta, partilhe, reparta e se doe, alegrando a todos, porque todos nos sentimos filhos do mesmo Deus. Que outra coisa deseja a Palavra de Deus neste ambiente salvadorenho, senão a conversão de todos para que nos sintamos irmãos" (27/01/1980).
Sobre a terra, o Reino já está misteriosamente presente; quando o Senhor vier, atingirá a perfeição (GS 39).
"Esta é a esperança que nos alenta, todos os cristãos. Sabemos que todo o esforço por melhorar uma sociedade, sobretudo quando está tão imersa na injustiça e no pecado, é um esforço que Deus quer, abençoa e exige de nós" (24/04/1980)
Quando sentiu que sua atuação o colocava em rota de colisão com os poderosos (empresários, latifundiários, banqueiros, militares) ele sentiu que seu fim estava próximo, e sempre demonstrou que, por causa de sua fé, não temia a morte.
"Tenho sido freqüentemente ameaçado de morte. Devo dizer a eles que, como cristão, não creio na morte sem ressurreição: se me matarem, ressuscitarei no povo salvadorenho".
"Digo isso sem nenhuma ostentação, mas com grande humildade. Como pastor, sou obrigado, por mandado divino, a dar a vida por aqueles a quem amo, que são todos os salvadorenhos, inclusive aqueles que vão me assassinar. Se chegarem a cumprir as ameaças, desde agora ofereço a Deus meu sangue pela redenção e ressurreição de El Salvador".
"O martírio é uma graça de Deus, que não creio merecer, porém, se Deus aceitar o sacrifício de minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade e sinal de que a esperança se transformará logo em realidade".
Oscar Romero, como foi dito, não temia a morte. Ele conhecia, pela meditação da Palavra, que este era o destino do profeta. Quanto mais criticava a injustiça, mais era ameaçado pelos injustos. Ele apenas lamentava a falta de apoio por parte de alguns irmãos do episcopado, que chegaram a escrever para Roma, denunciando-o como "marxista". Ele sabia que sua morte serviria para a libertação do povo.
"Minha morte, se aceita por Deus, que seja para a libertação do meu povo e sirva como testemunho de esperança no futuro". Vocês podem escrever: "se chegarem a me matar, desde já eu perdôo e abençôo aquele que o fizer. Desta maneira se convencerão que perdem seu tempo. Um bispo morrerá, mas a Igreja de Deus, que é o povo, nunca perecerá" (entrevista concedida ao Diário Excelsior do México, em março de 1980, duas semanas antes de sua morte).
Como de resto em toda a América Latina de ontem e de hoje, o Judiciário era falho, moroso, comprometido e pouco transparente. Ele acusou a Justiça de seu país de ser parcial: "A justiça é como as serpentes: apenas morde os descalços."
PAULO DE OLIVEIRA (PAULINHO)DIRETOR SOCIAL DA UNESER
Nesses nossos dias, quando há tanta frieza para com Jesus Cristo e o Evangelho, ou, de outro lado, um certo fanatismo egoísta e hipócrita, o registro deste mártir:
ResponderExcluir"Irmãos, como gostaria de gravar no coração de cada um esta grande idéia: o cristianismo não é um conjunto de verdades que se deve crer, de leis que temos que cumprir, de proibições! Isto se torna repugnante! O cristianismo é uma pessoa, que me ama tanto, e que reclama meu amor. O cristianismo é Cristo" (06/11/1977).