
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Superstição é pecado?
Nessa linha da superstição entra um bom número de práticas que vai desde o horóscopo, galhinho de arruda na orelha, até o uso indevido de água benta. Parece que o povo não consegue viver sem complicar ou sem cair num amontoado de ritos.
Superstição é o erro de atribuir às coisas, pessoas ou práticas o poder que elas possuem e buscar nelas a solução que só vem de Deus ou pelo esforço de cada um. O povo é capaz de recitar milhares de receitas desse tipo.
Não podemos condenar as pessoas que têm essas práticas, porque aprenderam desse modo e não são católicos. Certamente estão com Deus, pois são sinceras consigo mesmas. O que nos preocupa é ver um católico misturando sua fé com essas bugigangas. Quem tem um caminho bem definido da prática religiosa e dos valores da fé não poderia encher sua vida com crendices nem se apegar a correntes de oração, benzimentos sem sentido.
Não negamos que possa produzir algum efeito em quem põe nessas coisas a força de sua mente, mas deve ficar claro que foi a mente que produziu o efeito. O mesmo acontece com as tais “simpatias”. Na verdade, quem cura é a fé e a força da mente.
Mesmo nós, católicos, não podemos dar valor exagerado a velas, imagem, água benta etc. Tudo o que ultrapassa seu sentido deixa de ser correto. Carregamos medalhas, cruzes, como pedido de proteção ou como manifestação da fé, mas é ingenuidade transformar isso em amuletos ou carregá-los para dar sorte.
Há muitos amarrados nessas práticas, porque aprenderam com seus avós. Mas já é tempo de purificar sua fé, deixando de lado tudo o que parece comércio, barganha e tudo o que é comandado pelo medo. Quando as pessoas nos falam, nós as escutamos; se percebemos que vale a pena orientá-las, nós o fazemos. Caso contrário, saibamos acolher como são e como pensam. Muitas vezes é questão cultural.
Veja como até o nosso “santo sinal da cruz” é presa da superstição de muita gente que se benze diante de cruzes, igrejas e até para entrar no campo de futebol. Que falta faz aprender o sentido das coisas e ter uma consciência clara junto com uma fé bem lúcida.
Quantas histórias nos contam com verdadeiros milagres feitos por patuás, cujo segredo nele contido não diz nada. O medo faz também os milagres acontecerem e mostra o nosso primitivismo religioso.
O mais gritante é que as pessoas aceitam o que escutam sem sequer fazer um discernimento ou uma crítica. Perguntamos se nossa catequese não é uma das culpadas dessa ignorância religiosa.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 9
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br
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