PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsRPosso pecar que Deus me perdoa?
Hoje pessoas ficam conturbadas ao fazerem uma análise das pregações e da catequese. Antes se insistia muito sobre o perigo do pecado, sobre como evitá-lo; hoje se fala mais sobre a misericórdia de Deus, até induzindo as pessoas a pensarem que podem pecar com tranqüilidade, pois Deus vai perdoar mesmo.
É uma boa análise, mas falta equilíbrio na conclusão. Na verdade esse recuo nas pregações se deve a uma nova percepção da realidade bíblica que apresenta o Pai como o Bom Pastor procurando a ovelha perdida, mostrando que Jesus veio procurar o que estava perdido. Uma mudança da teologia do medo para a teologia da misericórdia.
As pregações acompanham a visão teológica da época e sofrem mudanças sem deixar de ser verdade aquilo que era objeto da pregação. De fato temos de reconhecer que havia exagero nas orientações sobre o pecado e se falava pouco da bondade de Deus.
A mudança no enfoque teológico, porém, não nos dá o direito de pensar que agora tudo é permitido. Hoje apelamos muito para a responsabilidade de se dar uma resposta de amor a Deus. Quem se sente amado, necessariamente é levado a responder amando.
No caso a felicidade vem do ser amado por Deus e não do poder fazer de tudo.
Pensar que, por ser perdoado, se tem espaço para fazer toda e qualquer experiência de pecado, demonstra uma imaturidade pessoal e uma frivolidade espantosa.
Para quem pensa dessa forma, poderíamos aconselhar uma terapia para que essa pessoa se situe novamente e possa corrigir esse desvio de personalidade em seu modo de se expressar como pessoa. Estamos diante de quem não sabe o que quer e de quem subestima a vida e dá a seus instintos plena liberdade de agir.
Atrás do equilíbrio vem o discernimento que nos leva a preferir um bem duradouro a um prazer momentâneo. Santo Agostinho dizia: "Ame e faça o que quiser". Na certeza de que a pessoa que ama vai perceber que o pecado não é amor e não nos faz feliz.
O que estava errado era o sistema de induzir a pessoa a não pecar por medo do castigo ou a ser boa para não ser castigada. Mas isso está tão arraigado em nós, que facilmente se diz a um filho: "Se você passar de ano, ganha uma bicicleta".
Os erros que as pessoas cometem, em sua maioria, nascem da falta de maturidade, de valores, nascem da ignorância. Não deixa de ser um erro, mas falta muito para chegar a ser um pecado.
Na soma final, é muito mais importante acreditar no perdão, na bondade de Deus. Dá pena ver tanta gente que correu tanto e depois vem nos dizer: "Errei o caminho". Ainda bem quando há tempo para voltar e para recomeçar.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 10
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br
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